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Arquivo mensal Fevereiro 27, 2016

Nas trevas com Deus – Sl 88

Queridos, normalmente somos ensinados que as coisas boas, ou o bem, procede de Deus, e que as coisas ruins, ou o mal, procede de Satanás. Somos ensinados que a luz está associada a Deus, e as trevas, a Satanás. Como vimos no domingo passado, Pedro nos ensina que somos um povo especial para Deus, eleitos com a finalidade de proclamar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (1Pe 2.9).

Não há dúvida, portanto, que as trevas e a luz estão em lados opostos. Então, como entender este Salmo, que mostra um homem de Deus nas mais densas trevas existenciais, e mesmo sabendo que elas vêm de Deus, clama por livramento sem sequer ser ouvido? Obviamente, as trevas do salmista não são as trevas do pecado, da condenação do inferno de que Pedro fala, conceito que ainda não existia na teologia do Velho Testamento.

Como temos estudado o livro de Jó nas duas últimas segundas-feiras, não podemos deixar de ver semelhança entre a desventura do salmista e a de Jó. Porém, o salmista está em uma situação pior, já que segundo o seu entendimento, Deus o esqueceu. De fato, até o final do Salmo não há indício de que Deus se tenha lembrado dele. O último versículo nos mostra que não houve qualquer alteração na sua situação de penúria: Para longe de mim afastaste amigo e companheiro; os meus conhecidos são trevas (v.18).

Que coisa terrível! Os únicos conhecidos do salmista, os seus únicos companheiros eram as trevas, e ele sabia que elas vinham de Deus. Observem que o início do Salmo deixa claro tratar-se de um homem de Deus, certo da sua salvação, confiante na providência de Deus, e por isso, ele clama incessantemente, desde moço (vv.1-2,9,13,15).

Mais uma vez lembramos a experiência de Jó. Embora Jó fosse um homem íntegro, reto, consciente de que toda a sua desventura provinha de Deus, ao questionar as causas, Deus não lhe deu nenhuma resposta. Apenas mostrou-lhe a perspectiva correta das coisas: Deus como criador, Jó como criatura. Deus como senhor, Jó como servo. Isto é o bastante!

Irmãos, será que todos aqui têm consciência destas coisas? Será que todos têm consciência de que Deus é Senhor da luz e das trevas, do bem e do mal, e que, embora não entendamos, como Jó não entendia, ele usa o mal para nos ensinar e disciplinar, para nos purificar e santificar para louvor da sua glória? Jó aprendeu esta lição. O salmista, mesmo em grande confusão diante das mais densas trevas, sabe que elas vêm de Deus (vv.6-8,18).

O que este Salmo pode nos ensinar? Diante das provações, tribulações, será que temos consciência de que elas provêm de Deus, e visam ao nosso bem, que é a nossa salvação? Observem que o salmista sabia disso, e clama: Ó Senhor, Deus da minha salvação, dia e noite clamo diante de ti. Chegue à tua presença a minha oração, inclina os teus ouvidos ao meu clamor (vv.1-2). O homem clama, sem cessar, ao Deus da sua salvação.

E por quanto tempo devemos clamar a Deus? Até quando devemos perseverar em oração? Vamos aprender com o salmista? Pelas suas palavras vemos que ele está no limite entre a vida e a morte (vv.3-5), e que isso vem desde moço (v.15). Que situação difícil para esse homem de Deus, homem que reconhecia o Senhor como Deus da sua salvação (v.1).

Irmãos queridos, prestem atenção! Eis porque eu insisto tanto na necessidade de crescermos no conhecimento de Deus. Vejam a argumentação do salmista. Como ele sabia que tudo o que lhe estava acontecendo provinha de Deus, inclusive a morte iminente, já que ele não aguentava mais aquela situação, considerando a limitação da sua teologia sobre a morte, ele apresenta argumentos lógicos (vv.10-12). (Ver Sl 115.17; Is 38.18-19).

Os hebreus ainda não tinham a noção ou o conceito de ressurreição. Segundo o título do Salmo, o seu autor pode ser um dos ministros de louvor no templo, designados pelo próprio Deus. Então, a sua argumentação era: Senhor, se eu morrer, como tu me mostrarás os teus prodígios, as tuas maravilhas? Senhor, se eu morrer, como poderei ainda te louvar? Senhor, se eu morrer, como poderei proclamar a tua bondade e a tua fidelidade ao povo?

Irmãos, com toda honestidade, será que quando clamamos a Deus por causa das tribulações, sejam elas quais forem, inclusive enfermidade de morte, como era o caso do salmista, temos em mente que o Senhor está envolvido nelas, ou melhor, está por trás e adiante delas, e que tanto as tribulações como as soluções, assim como a glória advinda delas, pertencem a Deus? Somente quem tem um profundo conhecimento de Deus consegue raciocinar assim como o salmista, mesmo no limite das suas forças (vv.13-15).

Observem que mesmo desorientado, mesmo sem obter resposta de Deus, o salmista confiava em Deus, sabendo que tudo provinha dele, até mesmo o esquecimento em que ele supunha ter sido deixado. Que situação desalentadora! O salmo termina sem fazer qualquer menção de que o homem tenha sido atendido, ou mesmo ouvido por Deus (vv.16-18). Do começo ao fim do Salmo, que abrange um período de tempo aparentemente longo, desde a sua mocidade, o salmista esteve nas trevas de Deus, e ele sabia disso. Porém, ele conhecia o Senhor como o Deus da sua salvação. Por isso, nunca parou de clamar por socorro.

Irmãos, aqui na nossa igrejinha nós temos algumas pessoas enfrentando problemas de saúde, física e espiritual, há muito tempo. Temos irmãos enfrentando problemas familiares há muito tempo, e sabemos que isto vem de Deus. Temos acompanhado estas pessoas, temos insistido no ensino, temos insistido na necessidade de crescer no conhecimento do Senhor, porque sem nenhuma dúvida, o nosso desespero diante das tribulações está diretamente ligado ao desconhecimento de Deus e da sua providência.

Às vezes ouvimos queixas, reclamações, algumas vindas de pessoas maldizentes, pelo que são repreendidas, e precisamos aqui mostrar a diferença e o ensinamento através da atitude do salmista imerso nas trevas de Deus. Com certeza, a sua situação era muito pior do que qualquer uma que conhecemos. Observem que o salmista apresentava as suas queixas, apresentava o seu clamor diante de Deus, e não, reclamações que demonstram desconhecimento de Deus.

Como temos visto, pela falta de conhecimento de Deus, e por seguir ensinamentos falsos, diante de alguma tribulação, pessoas buscam soluções mágicas em “reuniões de orações” dirigidas por supostos operadores de milagres, seja onde for, o que é abominação a Deus. Estas pessoas não estão buscando a Deus como o Senhor das tribulações, com entendimento, como fazia o salmista. Antes, rejeitam a provação pelo desconhecimento de que, de alguma forma, através da tribulação, Deus está trabalhando na sua santificação.

Prestem atenção, irmãos! As pessoas salvas, aquelas que têm o Senhor como o Deus da sua salvação, mesmo que se achem nas mais densas trevas como o salmista, mesmo que se sintam esquecidas por Deus, por saberem que a sua salvação está firmada em Deus, perseveram em oração, ainda que não obtenham resposta. É isto que aprendemos neste Salmo diferente dos outros.

Como podemos notar, o Salmo termina como se lhe faltasse uma conclusão, já que o salmista fica sem resposta, desalentado. Porém, pela sua oração, pelo seu conhecimento de que Deus está no comando da situação, podemos inferir que, como Jó, ele também diria confiante: Eu sei que o meu redentor vive, e por fim se levantará sobre a terra (Jó 19.25). Ou como Davi, diria: Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam (Sl 23.4).

É este o conhecimento que desejamos que os irmãos tenham. Seja qual for a tribulação que nos sobrevenha, ela vem do Senhor. Precisamos crescer no conhecimento de Deus, e por isso eu me esforço tanto no ensino, rogando a Deus que conceda graça aos irmãos, no sentido de que também se esforcem para aprender, para que possam ensinar aos seus filhos, e para que onde estiverem, em qualquer situação, possam testemunhar sobre o Deus da nossa salvação. Amém.

Nossa identidade com Cristo – 1Pe 2.9-19

Queridos, normalmente, e infelizmente, em nossos dias o termo “evangélico” é o que nos identifica como pertencentes a alguma Igreja evangélica, independentemente de as pessoas saberem qual o real significado do termo. Evangélico é algo relativo ao evangelho do nosso Senhor Jesus Cristo, ou alguém que vive conforme os ditames do evangelho. Infelizmente, o que vemos em nossos dias é que, nem as igrejas ditas evangélicas tratam do evangelho de Cristo, nem os que se dizem evangélicos vivem conforme os ditames do evangelho.

Esta semana passada vimos nos noticiários locais a prisão de uma quadrilha acusada de roubo e desmanche de carros, e o chefe da quadrilha é um dito pastor evangélico. Que coisa triste! Obviamente esse indivíduo não é pastor coisa nenhuma, mas usa o título de pastor e uma falsa igreja para enganar as pessoas, e com o seu mau testemunho, lança no mesmo saco de corrupção todos os que se dizem evangélicos.

Porém, conforme o ensino de Pedro, diferentemente dos desobedientes, daqueles que tropeçam na Palavra (v.8b), daqueles que escandalizam o evangelho, o apóstolo fala aos que realmente foram salvos, dizendo que estes são raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus (v.9a).

Lembramos que Pedro escreve a sua carta aos eleitos que são forasteiros da Dispersão, no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia, e Bitínia, eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo (1.1). Como falamos no domingo passado, Pedro está tratando da salvação dos eleitos pela ação da Trindade Santíssima, associando a aspersão simbólica do sangue de Cristo vertido na cruz à nossa obediência pactual.

Assim como Moisés aspergiu o povo com o sangue dos animais sacrificados, mediante a promessa de que eles seriam obedientes às leis do pacto (Êx 24), Pedro diz que fomos aspergidos com o sangue de Cristo para a mesma obediência pactual.

Porém, conquanto Moisés tratasse especificamente com o Israel de Deus no Velho Testamento, Pedro está tratando com a Igreja de Cristo no Novo Testamento, e não mais somente com os israelitas, embora use a lei e os profetas para mostrar que o pacto de Deus é eterno, e continua válido para a sua Igreja.

Agora, uma vez salvos, não apenas os israelitas, mas todos os que compõem a Igreja de Cristo são raça eleita, lembrando a promessa de Deus a Abraão, de que nele seriam benditas todas as famílias da terra, e não apenas os seus descendentes de sangue (Gn 12.3). Através do profeta Oséias o Senhor Deus prometeu novamente: Semearei Israel para mim na terra, e compadecer-me-ei da Desfavorecida; e a Não-meu-povo direi: Tu és meu povo; e ele dirá: Tu és meu Deus (Os 2.23).

Pedro sabia do que estava falando, da raça eleita, não apenas a raça descendente de Abraão por laços sanguíneos, mas uma raça descendente de Abraão pela mesma fé, como ensina Paulo, para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos pela fé o Espírito Santo (Gl 3.14). A Igreja é o mesmo povo, a mesma raça eleita por Deus a partir de Abraão, de Israel, o meu povo, o meu escolhido, povo que formei para mim, para celebrar o meu louvor (Is 43.20-21).

Irmãos queridos, nós não podemos fazer pouco caso de tão grande graça, de tão grande maravilha, de tão grande salvação. Nós não podemos viver de outra maneira que não seja para celebrar o louvor do nosso Deus, que nos escolheu e nos salvou em Cristo.

Pedro sabia do que estava falando, de um sacerdócio real cujo reino é o reino de Deus, e cujo rei é o próprio Deus, e não apenas um rei humano, pecador, corrupto, como aconteceu em Israel, o que levou os sacerdotes a se corromperem. Uma das funções dos sacerdotes de Israel era mediar as relações do povo com Deus, oferecer sacrifícios pelos pecados do povo, e somente eles podiam fazer isso em Israel.

Pois bem, na Igreja de Cristo, na formação evolutiva desta raça eleita, todos são transformados em sacerdócio real, sacerdotes do Deus altíssimo por causa de Cristo, e em Cristo, o sumo sacerdote que nos deu, de uma vez por todas, livre acesso ao trono da graça do Pai, como nos ensina o escritor aos Hebreus. Agora todos nós devemos interceder uns pelos outros, e nos sacrificar uns pelos outros como Jesus ordenou.

Irmãos queridos, nós não podemos negligenciar a tão grande privilégio. Como Cristãos, somos investidos do poder sacerdotal de Cristo, e não podemos viver de outra maneira que não seja para celebrar o louvor da glória do nosso Senhor e Salvador.

Pedro sabia do que estava falando, de uma nação santa, uma nação diferente das demais. Santa quer dizer separada: separada por Deus, separada do mundo, e separada para Deus com o objetivo específico de testemunhar a sua glória, a redenção da criação caída, especialmente a salvação dos seus eleitos, para louvor da sua glória.

Obviamente, para testemunhar ao mundo, essa nação tem que estar no mundo, mesmo sem ser do mundo. O próprio Senhor Jesus, quando orou pelos seus discípulos, não pediu ao Pai que os tirasse do mundo, mas que os guardasse do mal, santificando-os na verdade, que é a sua palavra (Jo 17.15-17).

Prestem atenção, irmãos! Se somos discípulos de Cristo, precisamos demostrar a nossa identidade com ele. Como sua Igreja, precisamos ser esta nação santa capaz de fazer a diferença na sociedade, sem participar da corrupção social em que jaz o mundo. Portanto, a Igreja, como nação santa, ainda que separada do mundo, precisa estar neste mundo de trevas para poder resplandecer a luz de Cristo, conforme ele ordenou aos seus discípulos (Mt 5.14). Não é dentro do prédio que chamamos de igreja que nós precisamos demonstrar a nossa identidade com Cristo, e sim, no mundo.

Pedro sabia do que estava falando, de um povo de propriedade exclusiva de Deus, diferente de todas as outras nações que também pertencem a Deus. A noção é esta, irmãos. Deus, como rei do universo, é dono de todas as coisas, assim como um rei no contexto de Israel era dono de todas as coisas dentro do seu reino. Porém, algumas coisas eram de propriedade exclusiva do rei, como a sua esposa, ou esposas, os seus filhos, e os seus tesouros particulares, por exemplo. Pois é este o conceito que Pedro queria que que os seus leitores tivessem. Dentre todas as propriedades de Deus, nós somos uma propriedade especial, exclusiva. É muito privilégio ser a uma categoria especial para Deus.

Convém frisar, agora, como o apóstolo ensina, com que finalidade Deus criou essa raça eleita, essa nação santa, esse sacerdócio real, esse povo exclusivo, pinçando os seus eleitos dentre todas as nações, e não mais somente o povo de Israel. Na sua sabedoria, no seu poder, Deus designou espalhar a luz do evangelho entre todas as nações do mundo, criando uma nação além-fronteiras geográficas e raciais, exatamente para que o louvor da sua glória fosse disseminado por todo o seu mundo criado.

Eis a nossa responsabilidade como povo de Deus. Agora que alcançamos misericórdia, precisamos viver em santidade tal que nos identifique como evangélicos verdadeiros, e com o Cristo do evangelho. Quando recebemos a salvação, compreendemos a nossa identidade com Cristo, e lutamos para viver como ele viveu e ensinou, para louvor da glória de Deus. É isso que se espera de nós, raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, Igreja de Cristo.

Que Deus nos ajude. Amém.

Salvação, obediência, santidade e glória – Jo 14.21

Queridos, é tão comum quanto triste conversar e aconselhar pessoas com uma grande necessidade de ouvir palavras adocicadas, psicologizadas, mensagens de autoajuda, algo que levante a sua autoestima. Digo que é triste porque o verdadeiro crente sabe muito bem que é amado de Deus, que foi salvo por Cristo Jesus, que é habitação do Espírito Santo, e isso é suficiente para manter a sua autoestima elevada.

Por isso, especialmente em nosso país culturalmente corrupto, o que o crente realmente necessita é de discipulado, é de ensinamento sobre santidade, sobre obediência, a fim de andar de modo digno da vocação a que foi chamado, e não de mensagens de autoajuda, como se vê em nossa cultura hedonista e individualista.

Como temos ensinado insistentemente, a salvação que recebemos de Deus, em Cristo Jesus, deve ser caracterizada por uma vida de obediência, de santidade, e este versículo que lemos nos mostra que guardar os mandamentos de Cristo é a prova do nosso amor por ele, amor que, como sabemos, é fruto do seu amor por nós, porque ele nos amou primeiro (1Jo 4.19).

Portanto, ao ouvir esta mensagem do Senhor, cada irmão, de acordo com o seu conhecimento bíblico, de acordo com a revelação que lhe foi dada, terá condições de fazer uma autoanálise sobre o seu amor por Cristo, em função de como anda a sua obediência aos mandamentos do Senhor. Esta é a medida do seu amor por Cristo. Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, este é o que me ama.

Por que eu digo que isso só pode ser feito de acordo com a revelação que recebemos? Porque nós precisamos ter consciência de que, para obedecer ao Senhor com prazer, com alegria, de todo o coração, nós precisamos conhecê-lo, nós precisamos compreender a extensão do seu amor por nós, até o limite da nossa capacidade de compreensão das coisas divinas, conforme nos são reveladas na Bíblia.

E conhecer a Bíblia não é simplesmente memorizar alguns versículos e até citá-los como se houvesse algum poder místico neles. É comum ouvir irmãos citando frases típicas do evangeliquês, tais como “ô glória”, “o sangue de Cristo tem poder”, ou mesmo algum versículo bíblico, como se essas coisas tivessem poder em si mesmas.

É claro que é bom memorizar versículos bíblicos. Como diz o salmista, guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti (119:11). Sim, mas quais são as palavras que guardamos no coração? Estas deste versículo, e até de outros, sozinhas ou isoladas, não produzem nenhum efeito. Precisamos, efetivamente, conhecer a Palavra do Senhor, os Preceitos do Senhor, os Mandamentos do Senhor, tê-los realmente na memória para não pecar contra ele, e isso implica praticá-los em obediência à Palavra.

Conhecer alguns versículos bíblicos e recitá-los como se fossem amuletos de proteção não passa de superstição. Memorização e citação de versículos isolados é inútil, se for desacompanhada de ações que comprovem a obediência ao Senhor. Obviamente, não estamos ensinando aqui que a obediência ao Senhor, e que as boas ações decorrentes dessa obediência salvam alguém. Não é este o ensino bíblico.

Na verdade, segundo a revelação de Deus na sua Palavra, a obediência e as boas obras, ou as obras de justiça, são evidência da redenção, da salvação que já recebemos (Ef 2:10). As boas obras são o fruto de uma vida de obediência, de santidade pela qual devemos lutar como prova de que realmente amamos a Cristo. Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, este é o que me ama.

Eu insisto nisso, irmãos! Nós não dizemos que somos salvos em Cristo? Nós não professamos amar a Cristo? Então, o que se espera de nós, é que demonstremos a nossa salvação, guardando os seus mandamentos.

Observem a sequência do versículo, e vejam que coisa maravilhosa. Aqui nós temos uma afirmação e duas promessas vinculadas: (21a; 21b; 21c). Ou seja, todo aquele que estiver enquadrado na afirmação é alvo natural das duas promessas. O amor a Cristo, evidenciado pela obediência aos seus mandamentos, traz como consequência natural o amor do Pai e do Filho, e a promessa da manifestação de Cristo ao salvo.

Esta é a vida em abundância prometida por Cristo, vida que se auto alimenta até a eternidade com Cristo. Quanto mais entendemos o amor de Deus que nos é revelado em sua Palavra, mais o obedecemos; e quanto mais o obedecemos, mais somos amados pelo Pai e pelo Filho, e o Filho se manifesta a nós, em nós, e através de nós, a fim de que outras pessoas sejam alcançadas pelo evangelho que respiramos e transpiramos cada vez mais, a partir da conversão.

O v.23, adiante, nos dá a revelação do que vem a ser a promessa do Filho se manifestar a nós, em nós, e através de nós: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada. Por isso eu insisto em dizer que o verdadeiro crente não precisa de palavras adocicadas, psicologizadas, mensagens de autoajuda. Segundo o evangelho que nos foi revelado, Cristo é suficiente, e ele fez morada em nós, e agora nós respiramos a transpiramos este evangelho, para a salvação dos eleitos de Deus, para louvor da sua glória.

É isso que Paulo quer dizer em 2Co 2.14-15, quando afirma que Deus, por meio de nós, manifesta em todo lugar a fragrância do seu conhecimento. Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo. Vejam que esses versículos explicam um pouco do que seja essa manifestação de Cristo a nós, em nós, e através de nós. Quanto mais cheios do conhecimento de Deus, mais nós manifestamos em todo lugar a sua presença em nós, através das boas obras praticadas em obediência à sua Palavra.

Este é o processo de santificação que funciona como um círculo virtuoso. Quanto mais conhecimento, mais intimidade; quanto mais intimidade, mais obediência; quanto mais obediência, mais santidade; quanto mais santidade, mais amor a Deus e ao próximo. O salmista sabia disso ao afirmar que a intimidade do Senhor é para os que o temem, aos quais ele dará a conhecer a sua aliança (Sl 25:14).

E os que temem ao Senhor são exatamente aqueles que o conhecem, aqueles que guardam os seus mandamentos, aqueles que amam a Cristo, e que são amados do Pai, e por isso Cristo se manifesta a eles, e eles manifestam o amor e a glória de Cristo em suas vidas. É simples assim, irmãos! Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama, será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele.

Assim deve viver todo aquele que foi salvo para a obediência, para a santidade, para a glória do Pai. Que Deus nos abençoe e nos conceda vontade de conhecê-lo cada vez mais, a fim de que vivamos de acordo com a vocação para qual fomos chamados, pela clara manifestação de Cristo a nós, em nós, e através de nós, para louvor da sua glória Amém.