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Arquivo mensal Março 26, 2016

A Páscoa do Servo Sofredor – Is 52.13 – 53.12

Queridos, estamos na chamada Semana Santa, no domingo da ressurreição para os cristãos, na festa da Páscoa, festa consumista de ovos de chocolate para os acidentais capitalistas. Na verdade, a Páscoa é uma festa judaica que foi miscigenada no cristianismo, e agora muitas pessoas não sabem mais do que se trata, a não ser o hábito social de dar e receber ovos de chocolate, associados ao coelho da páscoa, criação capitalista.

A Páscoa tem a ver com a décima praga que Deus mandou sobre o Egito para a libertação do seu povo. Naquela ocasião, cordeiros foram sacrificados, e o seu sangue passado nas vergas das portas das casas dos judeus, para que o anjo da morte não entrasse nelas. Portanto, o sacrifício dos cordeiros simbolizava o sacrifício do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, Jesus, como João Batista o apontou (Jo 1.29).

Porém, a festa da Páscoa ocidental, para a maioria das pessoas, não traz a lembrança de que o Cordeiro de Deus é sinônimo de morte sacrificial, especialmente porque, na festa da páscoa ocidental, o cordeiro foi substituído pelo coelho. Nada nos lembra que o Filho de Deus, o Criador de todas as coisas, é o cordeiro da Páscoa, o mesmo servo sofredor de Isaías. Como isto é possível? Como pode o Senhor da glória, em algum momento, especialmente em dias de festa, ser o servo sofredor com um aspecto desfigurado de tanto sofrimento? Pois assim foi a última Páscoa do Senhor Jesus.

Conforme a profecia que lemos, Isaías nos apresenta este servo sofredor, o cordeiro da Páscoa que foi sacrificado em nosso lugar. Sabemos que, após a Queda, o pacto eterno de Deus com a sua criação previa a vinda de um redentor, o descendente da mulher, aquele que pisaria a cabeça da serpente, conforme está escrito em Gn 3.15. Também sabemos pelas Escrituras que o pecado gerou a morte, conforme o pacto de Deus com Adão, por meio de quem entrou o pecado e a morte na criação.

Como o pecado trouxe a morte, ali foi sacrificado o primeiro animal para cobrir a vergonha do pecado de Adão, o que já apontava para o sacrifício de Jesus. Convém lembrar que, na história da humanidade, sempre houve necessidade de se fazer sacrifícios de animais, e até mesmo de pessoas, para apaziguar os “deuses” irados com humanos fracos e pecadores, a fim de que os “deuses” lhes fossem favoráveis, e lhes preservassem a vida. Pois bem, a história bíblica não é tão diferente em seu relato. Ela é diferente na essência, no significado, e na eficácia do sacrifício.

Diferentemente dos sacrifícios pagãos, conforme a lei de Moisés, foi Deus quem estabeleceu o sacrifício de animais como ele queria, e estes deveriam ser mortos em lugar dos pecadores, para aplacar a sua ira santa por causa dos pecados do seu povo. Ao longo do relato bíblico, podemos ver claramente que todos aqueles sacrifícios apenas prefiguravam o sacrifício eficaz de Jesus, o descendente da mulher prometido em Gn 3.15, o servo sofredor sacrificado como profetizou Isaías (53.4-7), o Cordeiro de Deus (Jo 1.29).

Mas, por que Jesus teria que sofrer tanto? Por que ele teria que morrer? Como já dissemos, a história bíblica não é tão diferente da história da humanidade no que se refere a oferecer sacrifícios para aplacar a ira dos “deuses”. Não é tão diferente, mas as diferenças são radicais. Primeiramente, na história da humanidade, são os homens que escolhem as ofertas de sacrifício para aplacar a ira dos “deuses”, para torná-los favoráveis aos ofertantes. Ou seja, os sacrifícios são feitos de acordo com os interesses do ofertante, em seu favor, sendo ele o beneficiado pela sua oferta aos “deuses”.

Na história bíblica, de forma diferente, o sacrifício eficaz é determinado pelo próprio Deus, oferecido pelo seu Filho, a fim de nos reconciliar com o Pai, uma vez que não há nenhuma possibilidade de o homem pecador oferecer sacrifício capaz de apaziguá-lo com o Deus santo. Não pode haver qualquer ação ou oferta do homem pecador que aplaque a ira santa de Deus por causa dos pecados que ofenderam a sua santidade.

Acontece que o homem pecou, portanto, tem que morrer por causa do seu pecado, conforme o pacto de Deus. O dia que pecar, morrerá (Gn 2.16). Mas, se o sacrifício de um pecador não pode agradar a Deus, não pode favorecer ao pecador diante de um Deus irado por causa do pecado, qual a solução? Quem é o único que pode ter a solução? O próprio Deus! Por isso, conforme a sua determinação eterna, ele ofereceu o seu único Filho como a única solução para o impasse entre a maldição do pecado e a sua santidade.

Percebem a grande diferença, irmãos? Nos sacrifícios pagãos da humanidade, o ofertante é o beneficiário da sua oferta. Na Bíblia, o Filho de Deus, o descendente da mulher, o servo sofredor, o Cordeiro que foi sacrificado não foi a causa, nem foi o beneficiário do seu sacrifício. Não foi por causa dos seus pecados que ele se ofereceu em sacrifício para agradar a Deus Pai, e sim por aqueles pecadores que o Pai elegeu desde a eternidade para ser o seu povo santo.

Os irmãos percebem como isso é maravilhoso? O descendente da mulher lá de Gn 3.15 é o Deus Filho, o servo sofredor da profecia de Isaías, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, aquele que seria sacrificado por ocasião da Pascoa, mesmo sem pecado, puro, santo, justo, para que, como ensina o apóstolo Paulo, o próprio Deus seja justo e justificador de pecadores que não podem se justificar diante dele (Rm 3.26).

É por isso que o Filho de Deus teria que vir ao mundo como o descendente da mulher (Gn 3.15); é por isso que, como o servo sofredor de Isaías, ele teria que sofrer tudo aquilo que sofreu, e teria que morrer de forma tão humilhante e tão horripilante naquela cruz. Como lemos, o seu aspecto estava mui desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a sua aparência mais do que as dos outros filhos dos homens (52.14). Como sofreu o Senhor Jesus, o servo sofredor, o Cordeiro da Páscoa.

Mas, por que tanto sofrimento? Por causa da ira de Deus contra os nossos pecados. Irmãos queridos, não podemos deixar de enxergar o horror do nosso pecado, e o quanto esse pecado ofendeu a santidade de Deus, sendo ele o único capaz de nos apaziguar consigo mesmo. Por isso, ele enviou o seu próprio Filho para oferecer-se como sacrifício em lugar de pecadores. Em nosso lugar, como lemos, o servo sofredor foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a sua boca. (…) foi cortado da terra dos viventes; por causa da transgressão do meu povo foi ele ferido (53.7-8).

Esta é a dimensão do horror do nosso pecado: Foi preciso que o próprio Deus, na pessoa do Filho, viesse ao mundo como descendente da mulher, como servo sofredor, como cordeiro para oferecer-se em sacrifício único capaz de aplacar a ira de Deus, satisfazendo, assim, a sua justiça, e livrando-nos do seu juízo contra os nossos pecados. Que coisa linda! Que coisa maravilhosa! Como é bom ouvir isso! Aqui eu poderia encerrar a mensagem enfatizando o lado que tanto gostamos de ouvir nas pregações humanistas: o quanto nós somos preciosos para Deus, o quanto ele nos ama, etc., etc., e isto é verdade.

Porém, eu preciso lembrar que, se esta profecia foi dada primeiramente para Israel, ela se estende para a Igreja, e Isaías faz uma acusação muito grave. Ele diz que o servo sofredor era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e como um de quem os homens esconderam o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso (53.3). Atenção! Não fizemos, nós, o profeta está acusando o pecado do povo de Deus, o nosso pecado em não reconhecer Deus no servo sofredor, no Cordeiro que foi sacrificado na festa da Páscoa por causa dos nossos pecados, e que foi substituído por um coelho que dá ovos de chocolate.

Que coisa horrível, irmãos! Não podemos esquecer o que aconteceu com o Senhor Jesus na sua última festa da Páscoa. Não podemos esquecer que, mesmo sendo o servo sofredor, mesmo sendo o Cordeiro que foi sacrificado em nosso lugar, ele é o Senhor da criação, ele é o Senhor da redenção, ele é o Filho de Deus que morreu, ressuscitou, e que ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma, e ficará satisfeito (53.11).

Não podemos deixar de glorificar o nosso Deus, sabendo que, como ele prometeu, apesar de nós, o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si. Por isso eu lhe darei muitos como a sua parte (53.12). Isso quer dizer que, apesar de nós, Deus nos escolheu e nos deu ao Filho que se ofereceu em sacrifício por nós.

Este é o significado da Páscoa do servo sofredor, irmãos. Assim como os cordeiros foram sacrificados para a libertação do povo de Deus da escravidão do Egito, Jesus, o servo sofredor, foi o Cordeiro de Deus sacrificado para nos libertar da escravidão do pecado. Não podemos esquecer estas coisas, especialmente quando sabemos que ele ressuscitou, reassumiu a sua glória à direita de Deus Pai, como Senhor da criação e da redenção, e virá buscar aqueles por quem morreu, aqueles que o Pai lhe deu.

Que Deus nos conceda a graça de saber que estamos entre aqueles que ele deu ao Filho, aqueles que foram justificados pelo servo sofredor, o Cordeiro de Deus que, por causa dos nossos pecados, ofereceu-se em sacrifício ao Pai para nos reconciliar com ele. Que Deus nos conceda mais graça ainda para que, a par desse conhecimento, vivamos de modo digno dele, para louvor da sua glória. Amém.

O poder transformador do evangelho – Rm 6.1-13

Queridos, como o apóstolo Paulo ensina, o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que nele crê (Rm 1.16). Porém, o evangelho pregado hoje, e que agrada a multidões, é o evangelho da prosperidade, o evangelho da libertação, é o evangelho liberal que faz com que pessoas más se transformem em pessoas boas, ou pelo menos se achem melhores do que eram.

Obviamente, este é um evangelho falso, e isso não é nenhuma novidade. No tempo do apóstolo já havia pessoas ensinando que a graça de Deus se manifestaria mais abundante quanto mais os pecadores insistissem em pecar. Mesmo em nossos dias, não é raro ouvir supostos irmãos presbiterianos afirmar que podem pecar à vontade, porque são predestinados, e o apóstolo João afirma que se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça (1Jo 1.9). Além do mais, João também afirma que se pecarmos temos advogado junto ao Pai (1Jo 2.1).

Irmãos, uma pessoa que pensa assim, seguramente nunca foi salva, nunca entendeu a maravilhosa graça da salvação, e, portanto, nunca será capaz de entender a maravilhosa graça da santificação, a mesma maravilhosa graça que levará o salvo à gloria eterna do Pai.

Todo aquele que foi justificado pelo sangue de Cristo será levado a compreender que os seus pecados não mais o condenarão ao inferno, e isso é verdade. Porém, todo aquele que foi justificado pelo sangue de Cristo também será levado a odiar o pecado que continua presente nesta vida, o pecado que levou o seu Salvador à cruz, e por isso lutará tenazmente para não pecar, em obediência e gratidão a Deus por tão grande salvação.

É isso que Paulo está ensinando aqui nesse trecho que lemos. Se fomos justificados, a sequência natural da nossa vida é a santificação que se segue obrigatoriamente à justificação. Conforme eu tenho insistido em dizer aos irmãos, só há uma forma de provar que fomos salvos: a obediência ao Senhor que nos salvou. Esta deve ser a luta incansável de um pastor, assim como era a luta dos apóstolos, claramente vista em suas cartas doutrinárias, no sentido de conduzir os irmãos em santidade de vida.

Como Paulo ensina, se entendemos a salvação, sabemos que éramos mortos em nossos delitos e pecados, mas Jesus morreu a própria morte na cruz do Calvário, e ressuscitou para que tenhamos vida juntamente com ele: Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos? Ou porventura ignorais… (vv.2-4).

Ou seja, quando nos batizamos estamos simbolizando a nossa morte para o velho homem, para o pecado, assim como também estamos simbolizando a nossa ressurreição como um novo homem, para a vida eterna com Cristo e em Cristo. Convém lembrar que, aqui, o apóstolo não está falando sobre forma de batismo, e sim no que ele representa: a morte e ressurreição de Cristo, e a nossa morte e ressurreição com Cristo e em cristo.

O batismo simboliza a nova natureza eterna que recebemos. Assim como Jesus foi ressuscitado dentre os mortos para a glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida. Esta é a vida em abundância prometida por Cristo, e não vida melhor aqui neste mundo, como ensinam os falsos pastores com o seu falso evangelho.

Irmãos queridos, nós precisamos entender estas coisas. Nós precisamos introjetar estas coisas na nossa mente, no nosso coração, a fim de que vivamos e pratiquemos as boas obras de Deus. Ou nós nascemos de novo, ou não. Ou nós somos novas criaturas, ou não, e sabemos que não podemos conseguir isto pelo nosso próprio esforço. É Deus quem nos salva em Cristo Jesus, pela sua morte e ressurreição. É Deus quem nos conduz em santidade de vida, pelo poder do Espírito Santo que passa a habitar em nós a partir da justificação, e esta é uma realidade que precisa ser vista em nossas vidas (vv.5-7).

Percebem, irmãos, como Paulo é repetitivo? Eu sei que sou repetitivo em minhas pregações, e faço isso de propósito, exatamente porque é isso que vejo nos profetas do Velho Testamento, é isso que vejo nos ensinamentos do Senhor Jesus nos evangelhos, e é isso que vejo nas cartas apostólicas: repetição dos mesmos chamamentos ao arrependimento, e a uma vida de santidade. Esta é a tônica da mensagem do evangelho da salvação para salvar pecadores do inferno, e levá-los para a glória do Pai.

Então, vamos ver mais repetições (vv.8-10). Percebem a argumentação repetitiva e circular do apóstolo? Se é verdade que morremos com Cristo, e isso é simbolizado no batismo, então também ressuscitamos com ele, o que também é simbolizado no batismo. E se Cristo morreu a morte do pecado, então, juntamente com ele, não podemos mais estar sob o domínio do pecado que já foi morto na cruz. De igual modo, se Jesus ressuscitou, e nós cremos nisso, então nós também ressuscitamos com ele e agora vivemos para Deus: Assim também vós, considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus (v.11).

A par dessa instrução tão repetitiva, resta conclamar os irmãos a tomar uma atitude coerente com o novo estado de vida recriado por Deus, em Cristo Jesus. É isso que um pastor, assim como Paulo, precisa lembrar constantemente aos irmãos, como ele conclui: Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões; nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado como instrumentos de iniquidade; mas oferecei-vos a Deus como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros a Deus como instrumentos de justiça (vv.12-13).

Ou seja, se entendemos o ensino repetitivo do apóstolo, se realmente estamos cientes de que somos novas criaturas, recriados em Cristo Jesus, então somos chamados a provar essa verdade com as nossas vidas de obediência aos mandamentos do Senhor que nos salvou. Obviamente, como sabemos, nunca estaremos livres da tentação do pecado enquanto estivermos neste mundo, mas, como ele já foi morto na cruz, não podemos mais agir como se ainda fôssemos escravos do pecado.

Este é o ensinamento: antes de sermos salvos, éramos controlados pelo pecado. Uma vez justificados com a justiça de Jesus, o pecado não nos controla mais, já que a nossa mente, os nossos afetos, os nossos desejos agora são controlados e dirigidos pelo Espírito Santo que passa a habitar em nós a partir da conversão.

Este é o objetivo do evangelho da salvação: salvar pecadores do inferno, e levá-los para a glória do Pai. Esta é a vida em abundância prometida pelo Senhor Jesus Cristo, e quem a recebe é bem-aventurado em comprová-la no seu dia a dia. Este é o poder transformador do evangelho. E este é o papel de um pastor: insistir, lutar incansavelmente no sentido de conduzir os irmãos nos caminhos do Senhor.

Que Deus nos conceda graça para entender os seus ensinamentos, e nos conceda mais graça para que possamos obedecê-lo, comprovando, assim, a nossa salvação, para que o mundo saiba que o Senhor Deus está trabalhando para a redenção da sua criação, manifestamente no poder transformador do evangelho da glória do nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

Sempre somos modelos de santidade, ou de hipocrisia – Fp 3.17-21

Queridos, mais uma vez, inicialmente, quero lembrar que as cartas apostólicas não têm como objetivo converter pecadores, e sim, discipular e disciplinar pecadores convertidos. Com este propósito, um dos temas presentes em quase todas as cartas visa alertar aos irmãos, para que se acautelassem dos falsos mestres e seus ensinos com base em artimanhas de homens, com sua astúcia com que induzem ao erro (Ef 4.14).

Os profetas do Velho Testamento, e Jesus, chamaram atenção para esse perigo durante todo o seu ministério. Paulo, Pedro, João e Judas destinaram grande parte dos seus escritos com este mesmo propósito. Portanto, quando um pastor não faz o mesmo, ele não apenas está negligenciando um ensino bíblico tão importante, mas está comprovando que é um falso pastor. Com base bíblica, eu não tenho nenhum receio de fazer tal afirmação.

Como vemos logo no primeiro versículo deste capítulo 3, Paulo dispara: Acautelai-vos dos cães! Acautelai-vos dos maus obreiros! Acautelai-vos da falsa circuncisão! Paulo estava falando dos falsos mestres, dos judaizantes, aqueles que insistiam em circuncidar os convertidos ao cristianismo, em que eles deveriam cumprir outras regras cerimoniais da lei de Moisés, regras já definitivamente cumpridas por Jesus. Ou seja, para eles, a obra de Jesus na cruz do Calvário era insuficiente para a salvação. Precisava que se lhe acrescentassem as obras da lei de Moisés.

Porém, com base no ensino do Senhor Jesus, Paulo tem a coragem de combater os falsos mestres, e de chamar os irmãos a serem seus imitadores: Irmãos, sede imitadores meus (v.17). Será pretensão de Paulo? Será arrogância? Não, irmãos! Paulo era um apóstolo de Jesus, embora somente ele e Lucas digam isso em todo o Novo Testamento.

Em nenhum momento, qualquer dos apóstolos de Jesus jamais disse que Paulo era apóstolo. Talvez por isso, ele insiste com tanta veemência em defender o seu apostolado recebido diretamente de Jesus, e não do colégio apostólico estabelecido, como ele afirma: Paulo, apóstolo, não da parte de homens, nem por intermédio de homem algum, mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos (Gl 1.1).

Esta deve ser a convicção de um pastor constituído pelo Espírito Santo, e não por uma denominação religiosa, para ter coragem de denunciar os falsos pastores e seus ensinos humanísticos, sejam de que igreja forem, inclusive da sua própria denominação.

Observem que o apóstolo não se coloca como o padrão, como o modelo, nem mesmo como exemplo único a ser seguido. Os irmãos são instados a imitar não só a ele, mas a observar os que andam segundo o modelo que eles têm, e esse modelo é Jesus. Aos Coríntios, Paulo deixa bem mais claro esse conceito: Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo (1Co 11.1). Cristo é o modelo.

Por que esse chamamento tão incisivo? O apóstolo responde, e a sua resposta serve não apenas para a sua época, mas para todas as épocas, já que a palavra de Deus é eterna e transcendente: Pois muitos andam entre nós, dos quais eu repetidas vezes vos dizia e agora vos digo até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas (vv.18-19).

Estas últimas semanas eu tenho chorado por esta causa. Alguns irmãos de outras igrejas, inclusive da nossa denominação, sofrendo muito por causa do ensino de falsos pastores, inimigos da cruz de Cristo, já que o seu ensino é humanístico, psicologizado. Vejam que o destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas. Que coisa triste, e o mais triste é saber que, segundo as Escrituras, os que lhes dão ouvidos tornam-se cúmplices das suas más obras (2Jo 11). Ou seja, seu destino também é a perdição.

Irmãos queridos, prestem bem atenção! Eis a importância de sermos imitadores de Cristo, e não seguidores de falsos mestres. Sempre haverá alguém nos imitando, especialmente nós, pais, pastores, mestres, não esquecendo de que sempre havemos de ser modelo para alguém, seja modelo de santidade, seja modelo de hipocrisia.

Paulo não tinha medo de chamar os irmãos a olhar para o seu testemunho de vida e o testemunho de vida dos falsos apóstolos, dos falsos mestres, para que os irmãos pudessem fazer uma avaliação sobre quem era verdadeiro imitador de Jesus, consequentemente, sobre quem tinha o verdadeiro ensino, este obrigatoriamente associado a uma vida de santidade.

Irmãos, se Jesus não for o nosso modelo, o que estaremos repassando àqueles que aprendem conosco? Obviamente, estaremos repassando um falso ensino. E sabem o que Jesus diz a esse respeito? Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus (Mt 5.19).

Que tipo de ensino nós temos ouvido e assimilado? Que tipo de ensino nós temos transmitido àqueles que lideramos, especialmente em nossas casas? Será que, conforme o que vemos e ouvimos quase em tempo integral nas pregações da televisão, e nas igrejas que frequentamos, o nosso deus não é o nosso ventre? O que se ensina não é que crente tem que ter vitória e bens materiais? O que se ensina não é que devemos nos preocupar com as coisas terrenas? Não será isso que estamos repassando para os nossos filhos?

Ao contrário disso, como vemos, o apóstolo ensina que a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo (v.20). Aos Colossenses, o mesmo apóstolo Paulo ensina mais claramente: Pensai nas coisas lá do alto, e não nas que são aqui da terra (Cl 3.2). Observem que estes ensinos apostólicos, desde aquele tempo, combatem os falsos ensinos dos falsos mestres, os mesmos falsos ensinos dos falsos mestres dos nossos dias, que só se preocupam com as coisas terrenas.

Irmãos, nós não precisamos de glória neste mundo. Segundo a palavra do Senhor Jesus e dos seus apóstolos, neste mundo nós seremos humilhados por causa da cruz de Cristo, por causa do evangelho, mas aprendemos aqui que o Senhor transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas (v.21).

Meu Deus, será que todos entendem estas coisas? Irmãos, eu repito! Se não formos imitadores de Jesus, automaticamente seremos religiosos hipócritas. Irmãos, eu preciso insistir nisso! Nós, pais, pastores, presbíteros, professores, mestres, precisamos ser imitadores de Cristo, a fim de ser modelo de santidade para aqueles que nos seguem, certos de que, ainda que sejam poucos, sempre haverá alguém que nos seguirá.

É por isso que, como vemos nos evangelhos, o Senhor Jesus ensinou aos seus discípulos, e ordenou-lhes que multiplicassem o que com ele aprenderam. Em obediência, Paulo é incisivo com Timóteo, com Tito, assim como Pedro é incisivo com os presbíteros aos quais ele ensinou, para que fossem modelo para as suas igrejas.

Esse deve ser o esforço de um pastor, de pais, mestres, e de todos quantos servem de modelo para outras pessoas: seguir o modelo do Senhor Jesus, segundo o seu ensino, e com base na eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas (v.21). Assim devemos viver, irmãos, para o louvor da glória de Deus.

Que Deus nos conceda graça para entender o seu ensino, e mais graça para que realmente sejamos como modelos de Jesus, especialmente para os nossos filhos. Amém.

A glória de Deus na comunhão dos santos – Jo 13.31-35

Queridos, aqui no capítulo 13 do evangelho de João se inicia o relato da última reunião que o Senhor Jesus, antes da crucificação, teve com os seus doze discípulos, logo reduzidos a onze, já que Judas saiu para traí-lo (v.27). Naquela ocasião da Páscoa, Jesus lhes transmitiu ensinamentos que vão até o capítulo 17, na conhecida oração sacerdotal. Depois disso, veio a paixão de Cristo, a sua prisão, sofrimento e morte na cruz.

No primeiro versículo que lemos, podemos ver que Judas havia acabado de sair para trair Jesus, e naquele momento Jesus diz que foi glorificado. Em que sentido ele foi glorificado? Na comunhão com o Pai, evidenciada na sua obediência. É claro que Jesus sabia o que significava a saída de Judas para traí-lo. Ele sabia que isso implicaria na sua prisão, no início do seu sofrimento e morte na cruz, mas ele sabia que essa era a vontade do Pai. Jesus sabia que para isso mesmo ele veio ao mundo.

Por isso, Jesus diz que foi glorificado, e que o Pai foi glorificado nele (vv.31-32). Eu tenho convicção de que os discípulos não entenderam estas palavras de Jesus. Nós, porém, pela revelação progressiva da palavra de Deus, podemos entendê-la. Sabemos que a crucificação de Jesus redundou na glória do Pai, que o mandou para esse fim, assim como foi glória para o próprio Jesus, no momento em que ele demonstrou o seu poder para se humilhar em obediência à vontade do Pai, no momento em que ele demonstrou o seu poder para exercer compaixão pelos pecadores escravizados pelo pecado, e efetivamente demonstrou seu grande amor ao morreu pelos eleitos do Pai, para louvor da sua glória.

Jesus sabia que esta era a vontade do Pai, e sabia que, como Filho, seria ele o executante da obra redentora determinada pelo Pai. Que demonstração de perfeita comunhão! Em seu amor, aprouve ao Pai que o Filho morresse para redimir a criação caída. Em seu amor, aprouve ao Filho entregar-se em sacrifício, porque esta era a vontade do Pai.

Irmãos, este é o alicerce sobre o qual devemos entender a glória de Deus na comunhão dos santos. Observem que não basta saber a vontade de Deus. A glória de Deus se manifesta quando os seus servos sabem, e fazem o que sabem segundo a sua vontade. Alguns versículos antes, ensinando sobre a humildade de um servo, Jesus disse: Ora, se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes (v.17). Portanto, a bem-aventurança, ou a felicidade do servo está exatamente em fazer a vontade do seu Senhor, o que evidencia comunhão, e proclama tanto a glória do Senhor quanto a glória do servo.

A questão é: quem quer ser servo neste mundo egoísta, individualista, em que todos querem ser servidos, mesmo sabendo que ninguém está disposto a servir a ninguém? Quem quer ser servo, se o ensino geral é que o próprio Deus é servo dos homens, e que estes são merecedores de toda sorte de bênçãos, bastando apenas pagar por elas? Onde está o ensino sobre amor que levou o Pai a determinar a morte do próprio Filho em uma cruz, por causa dos nossos pecados? Onde está o ensino sobre o amor que levou o Filho a oferecer-se em sacrifício, segundo a vontade do Pai, por causa dos nossos pecados?

Pois é, irmãos! Jesus já sabia que, por causa dos nossos pecados, esse amor tenderia a se esfriar, como ele mesmo afirmou: E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos (Mt 4.12). Por isso, diante da iminência da sua paixão, Jesus ordena aos seus discípulos que eles se amem com um amor diferente. O amor que eles conheciam é o amor que se esfriará por se multiplicar a iniquidade. O mandamento envolve um amor que, dentro de poucas horas, seria demonstrado na cruz do Calvário (v.34).

Convém lembrar que a ordem para amar uns aos outros, ou amar o próximo como a si mesmo não era nenhuma novidade para os discípulos de Jesus, já que esse mandamento consta da lei de Moisés (Lv 19.18). Então, que novo mandamento é este que Jesus lhes deu? Em que sentido ele é novo mandamento? Prestem atenção, irmãos! Relembramos que o alicerce sobre o qual devemos entender a glória de Deus, como Jesus a expôs nesse pequeno trecho, está na sua comunhão com o Pai, no momento em que um tinha prazer em fazer a vontade do outro, de modo que um fosse glorificado no outro (vv.31a-32).

Portanto, o padrão do amor que deveria e deve ser praticado pelos discípulos de Jesus é o seu amor sacrificial, em obediência ao Pai, para a glória do Filho, e para que o Pai seja glorificado no Filho. Será que entendemos isso, irmãos? Será que compreendemos a ordem do Senhor Jesus quando nos manda amar os nossos irmãos como ele nos amou? Será que demonstramos isso ao menos com os nossos cônjuges, com os nossos pais, com os nossos filhos, com os nossos irmãos, sacrificando-nos por eles em amor obediente ao Senhor, ou ainda continuamos no padrão do mundo, querendo ser servidos por eles?

Prestem atenção, irmãos! É comum ouvir pessoas da Igreja falando que não amam mais os seus cônjuges, e por isso querem se separar. Algumas, para nossa tristeza, já se separaram. Por que isso? Por que tais pessoas nunca entenderam a ordem de Jesus, e nunca compreenderam que a ordem está alicerçada no seu amor por nós: assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Esse é o novo padrão de amor que foi ordenado.

Ou seja, o novo mandamento envolve comunhão, e isso implica que nós devemos nos doar uns aos outros em amor sacrificial, da mesma maneira que Jesus se doou por nós em amor sacrificial. E mais, o novo mandamento nos mostra que, assim como Jesus, pela comunhão com o Pai, foi capacitado a fazer a sua vontade, da mesma maneira nós também seremos capacitados ao amor sacrificial, no momento em que nos dispusermos a obedecê-lo, como ele se dispôs a obedecer ao Pai. Se, em obediência ao Pai, Jesus foi capaz de nos amar até a morte, e morte de cruz, certamente ele nos capacitará, pela obediência, a amar como ele nos amou: assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros.

Nenhum cristão verdadeiro tem dúvida de que o amor de Deus por nós é evidenciado no fato de ele ter dado o seu único Filho, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16). Nenhum cristão verdadeiro tem dúvida de que Jesus, o bom pastor, em perfeita comunhão com o Pai, deu a vida por suas ovelhas, segundo a vontade do Pai (Jo 10.11). Pois bem, este é o padrão de amor do novo mandamento dado pelo Senhor Jesus, e é esse amor que demonstrará que somos seus discípulos (v.35).

Irmãos queridos, como temos dito aqui tantas vezes, ser crente é milagre. Obviamente, pela própria exposição até aqui, dá para ver que ninguém, por si só, consegue desenvolver um amor dessa natureza. Todos nós sabemos que o nosso amor é carnal, interesseiro, e carente de reciprocidade. Amar como Jesus nos manda é algo sobrenatural, e jamais poderemos obedecer, se não houver comunhão com ele, o que implica salvação.

Como sabemos, antes da regeneração, o pecador não pode ter comunhão com Deus. Somente Jesus, pelo seu sacrifício na cruz, é a propiciação para que haja reconciliação e comunhão com o Pai. Pois bem, este ensino de Jesus é para os seus discípulos, para aqueles que já foram reconciliados com o Pai, e que, por isso, podem entender e obedecer ao que ele manda, certos de que, agora, em comunhão com o pai e com o Filho, também podem ter comunhão com os irmãos, dedicando-lhes o mesmo amor recebido.

É isso que se espera de nós, irmãos, e nada menos que isso. Comunhão capaz de demonstrar o amor de Deus em nós, e através de nós, amor profundo, sacrificial, resultante de um caráter transformado à semelhança de Jesus. É assim que se manifesta a glória de Deus nos seus santos, no momento em que a nossa comunhão reflete a comunhão de Jesus com o Pai.

Maridos sacrificando-se pelas suas esposas, em submissão a Jesus; esposas sacrificando-se pelos seus maridos, em submissão a Jesus; pais sacrificando-se pelos seus filhos, em submissão a Jesus; filhos sacrificando-se pelos seus pais, em submissão a Jesus; irmãos sacrificando-se uns pelos outros, em submissão a Jesus, todos em comunhão com Jesus, como Jesus sacrificou-se por nós em comunhão com o Pai. Este é o alicerce sobre o qual devemos entender a glória de Deus na comunhão dos santos. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros (v.35).

Que Deus nos conceda graça para compreender este novo mandamento do Senhor Jesus, e mais graça para pô-lo em prática, para louvor da sua glória. Amém.