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Arquivo mensal Outubro 30, 2016

O crente e os valores do reino dos céus – Mt 13.44-50

Queridos, as parábolas do Senhor Jesus são tão conhecidas quanto incompreendidas. Já ouvi muitos pastores afirmarem que Jesus falava por parábolas para facilitar o entendimento dos seus ouvintes, o que é um erro grosseiro. O próprio Senhor Jesus disse que falava por parábolas para que os não-eleitos não entendessem e não fossem salvos (13.10-16), e ele fez isso repetindo o que o Pai já havia dito sobre o povo de Israel através do profeta Isaías (Is 6.9-10).

Só aqui no cap. 13 de Mateus, o Senhor Jesus conta sete parábolas sobre o reino de Deus, e utiliza elementos do dia-a-dia dos seus discípulos, para lhes mostrar que o bem maior, o reino de Deus na pessoa do Filho estava entre eles, o que os não-eleitos não viam, e que era necessário se despojar de todas as outras riquezas para poder segui-lo.

Lá no cap. 6, no Sermão do Monte, o Senhor Jesus já havia ensinado que não se deve acumular tesouros aqui na terra, e sim no céu; que não se pode servir a dois senhores, a Deus e às riquezas. Nesta série de parábolas do cap. 13 de Mateus, o Senhor Jesus, mais uma vez, está ensinando aos seus discípulos imediatos e a nós, que não há bem mais precioso do que a nossa salvação, e por isso mesmo, nós devemos valorizá-la mais que tudo.

Nas duas primeiras parábolas lidas, do tesouro escondido e da pérola de grande valor, podemos ver o grande esforço, a renúncia e o desprendimento de dois homens que abriram mão de tudo o que possuíam para adquirir um único bem, aquilo que eles consideraram de valor muito superior a tudo o que tinham. Na sequência, a parábola da rede nos chama a um exame sobre onde está posto o nosso coração, lembrando as consequências da nossa escolha.

Irmãos queridos, nestas simples ilustrações o Senhor Jesus queria que os seus discípulos entendessem o quanto vale a pena abrir mão dos valores deste mundo temporal, para tomar posse do reino do céu, o tesouro eterno. Observem que Jesus deixa claro que o sacrifício é muito grande, o preço é muito alto, custa tudo o que temos neste mundo.

É isso que quer dizer negar-se a si mesmo (Mt 16.24), abrir mão de valores próprios da natureza pecaminosa, e que por isso mesmo nos parecem preciosos. Nós sabemos que somos pecadores encantados com os bens e prazeres deste mundo. Esta é a natureza humana pecaminosa, e, por nós mesmos, não podemos negá-la.

Esta é a razão pela qual as pessoas, inclusive as que se dizem crentes, não quererem nem ouvir falar em morrer, porque morrer significa deixar este mundo, e elas estão, por natureza, acorrentadas a ele. Por outro lado, às poucas pessoas a quem é dado o conhecimento do tesouro escondido, ou da pérola de grande valor, a estas pessoas também é dada a força para se desprender, para se desfazer dos valores deste mundo, porque a posse do reino dos céus é o que lhes satisfaz, é o que preenche o seu coração.

Convém lembrar que a revelação do tesouro escondido e da pérola de grande valor, que representam a salvação, o reino dos céus, é dada pelo próprio Deus. Convém lembrar que só podemos nos sacrificar e abrir mão dos bens e prazeres deste mundo, que fazem parte da nossa natureza pecaminosa, no poder do Espírito Santo. Convém lembrar, contudo, que mesmo no poder do Espírito Santo, quem tem que abrir mão de todos os nossos bens temporais somos nós, e isso requer um enorme sacrifício.

Acontece que nós só fazemos algum sacrifício por aquilo que achamos que vale a pena. Os apóstolos deixaram todos os seus bens. Pedro, João, André e Tiago deixaram seus barcos; Mateus deixou a sua coletoria; Paulo abriu mão da sua posição privilegiada de fariseu, doutor da lei, e eles fizeram tamanho sacrifício por causa do tesouro escondido, por causa da pérola de grande valor, por causa da salvação, por causa do reino dos céus. Eles conheceram o bem infinitamente mais precioso do que todos os bens deste mundo.

Eis a razão pela qual a grande maioria dos ditos crentes não faz nenhum sacrifício pelo reino dos céus: eles não sabem o seu real valor. Por isso preferem ficar agarrados a este mundo e aos seus valores e bens temporais; por isso não assumem compromisso com a Igreja; não tomam uma posição radical ao lado de Cristo. Eles não se sacrificam porque realmente não enxergam o tesouro que está bem à sua frente a cada domingo na Escola Bíblica e na mensagem da noite; não sabem o valor da pérola que é apresentada em cada estudo bíblico durante a semana, com exposição da Palavra de Deus.

Aqui nós entramos na terceira parábola que lemos, e sabemos o motivo da negligência das coisas eternas. Embora fiquemos tristes e deprimidos com a situação exposta nesta parábola, ela nos afirma que a Igreja é mista. Quando a rede, que é a Palavra, é lançada, ela traz peixe de todo tipo: bons e ruins.

Um pouco antes, neste mesmo capítulo, o Senhor Jesus já havia contado a parábola do joio e do trigo, alertando para o fato de que a Igreja sempre será um misto de duas categorias: crentes e não-crentes, salvos e condenados, e que no tempo oportuno os anjos farão a separação recolhendo o trigo no celeiro e lançando o joio na fornalha acesa (vv.36-43). Como isso é dolorido para um pastor, mas foi isso que o Senhor Jesus afirmou aos seus discípulos acerca da Igreja que eles haveriam de fundar e discipular.

Quem imagina que todos os membros de uma Igreja são salvos é mais do que um tolo, certamente é um dos não-salvos, parte do joio, e por isso mesmo não consegue discernir o ensino de Jesus. É ele quem diz que, a exemplo da rede cheia de peixes em que os pescadores fazem a separação e lançam fora os peixes ruins, assim também nas igrejas cheias de gente, no dia do Senhor, os anjos separarão os ímpios dentre os justos, e aqueles serão lançados na fornalha acesa. Como isso é dolorido para um pastor, mas é isso que o Senhor Jesus ensina, e precisa ser ensinado aos nossos filhos.

É por isso que eu insisto tanto na tecla do ensino para a santificação, porque ela evidencia já neste mundo, onde está o nosso tesouro. Como Jesus disse, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração (Mt 6.21). Aqueles que têm o coração posto nos bens e prazeres deste mundo, não encontraram o tesouro escondido, não acharam a pérola de grande valor, e por isso não se interessam pela Igreja, não se interessam em aprender, nem ensinam os valores do reino de Deus aos seus filhos. Eles até podem ter vindo na rede da Palavra, podem estar na Igreja, mas no dia do Senhor, os anjos os separarão e lançarão na fornalha acesa.

Como essa verdade é dolorida para um pastor, mas ela é clara como o sol ao meio dia. A conduta de muitos que estão nas igrejas evidencia claramente que eles continuam acorrentados a este mundo, reproduzindo o seu estilo de vida consumista nos seus filhos, e se não houver uma mudança radical, todos serão lançados na fornalha acesa. Precisamos ter consciência de que ter vindo na rede da Palavra e estar nas Igrejas não é o bastante, não significa salvação. Os eleitos, os salvos verdadeiramente serão fortalecidos e levados a decidir firmemente a trocar todos os bens temporais pelo precioso bem eterno da salvação, a tomar posse do reino de Deus, e a ensinar esses valores aos seus filhos.

Prestem atenção, irmãos! À luz do ensino destas parábolas, a ordem clara é: tomem uma posição radical ao lado de Jesus; deixem as coisas desse mundo; sacrifiquem tudo o que vocês têm para adquirir o campo com o tesouro escondido, para adquirir a pérola de grande valor, bens preciosos que simbolizam o reino dos céus, a salvação, a glória eterna com o nosso Senhor, e se esforcem sobremodo para ensinar, para inculcar estas coisas aos seus filhos.

Que Deus nos ajude a compreender a sua Palavra, guardá-la no coração, e pô-la em prática, enquanto esperamos a volta do nosso Senhor Jesus. Amém.

A importância da Igreja em nossas vidas – Ap 1.9-20

Queridos, eu creio que todos aqui sabem pelas Escrituras, que a igreja é o corpo de Cristo; a Igreja é a família de Deus. Infelizmente, creio que todos aqui também conhecem pessoas que se dizem crentes, mas que vivem fora da igreja. Elas estão equivocadas. Sabemos pela Palavra de Deus, que não pode haver vida em Cristo, fora da Igreja. Por isso, vamos falar sobre a importância da Igreja em nossas vidas.

Sabemos que na Igreja, a comunhão dos santos é de importância vital para nós, os crentes. Os verdadeiros crentes não podem deixar de se reunir para adorar a Deus, para se encorajar, para se edificar mutuamente, a fim de testemunhar de Cristo, pregando o evangelho com as suas vidas, em qualquer circunstância. A igreja, mesmo com todos os seus problemas e defeitos, já que é composta por pecadores, é uma comunidade de amor, e o amor, como qualquer outro dom, não pode se desenvolver solitariamente, nem pode se manter saudável fora da comunidade da fé. Afastar-se da igreja, portanto, implica afastar-se de Deus. Eis porque a igreja é importante na vida do crente.

No texto que lemos é interessante notar que, embora João estivesse exilado na ilha de Patmos, sofrendo por causa do evangelho (v.9), a revelação dada ao apóstolo não foi uma espécie de prêmio de consolação individual. A revelação lhe foi dada para ser transmitida às sete Igrejas da Ásia, para encorajá-las por causa das terríveis tribulações pelas quais passavam (v.10-11). O objetivo das cartas era estimular os irmãos daquelas igrejas, para que eles não esmorecessem, para que eles continuassem unidos, confiando no Senhor Jesus, o Mediador da aliança, o Cordeiro de Deus que venceu o pecado, o mundo, o diabo e a própria morte, e que essa vitória é extensiva a eles, os crentes, os que compõem a igreja de Cristo.

O v.12 nos informa que, após ouvir aquela grande voz como de trombeta, João voltou-se para ver quem lhe falava, e viu, em princípio, sete candeeiros de ouro, e no meio dos sete candeeiros de ouro, um semelhante a filho de homem, com vestes talares, e cingido à altura do peito com uma cinta de ouro (v.13). Que visão maravilhosa! Aquela visão foi tão tremenda que João caiu a seus pés como morto (v.17), e precisou ser reanimado. João, então, passa a descrever aquele que estava no meio dos sete candeeiros de ouro (v.14-16).

Agora prestem atenção, queridos! Onde Jesus estava quando João o viu? No meio dos sete candeeiros de ouro. E o que são esses sete candeeiros de ouro? O próprio Senhor Jesus responde no v.20: os sete candeeiros são as sete Igrejas. O Senhor Jesus estava no meio das sete igrejas, que aqui representam a sua igreja como um todo, ele estava no meio do seu povo reunido para adorar, para orar, para ouvir o que ele tinha a dizer através do apóstolo-profeta, conforme ele mesmo prometeu em Mt 18.20 – porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles. Não importam as circunstâncias e o contexto, Jesus está no meio da sua Igreja.

Portanto, não é possível ser crente, salvo, sem estar na Igreja. O livro do Apocalipse nos prova que essa postura dos que se dizem crentes fora da igreja é totalmente incoerente e equivocada. Na revelação total da profecia, o Senhor manda que João envolva as sete igrejas, mesmo com os seus problemas, mesmo com as suas dificuldades. Eu sei que estes são os motivos alegados por alguns que se afastam da Igreja: problemas, dificuldades, divergências, gente falsa, complicada, etc. Porém, quando estudamos toda a profecia do Apocalipse, constatamos que não é possível deixar de fora a Igreja e os seus problemas, ou estaríamos mutilando a profecia que foi dada exatamente para a igreja cheia de problemas e dificuldades, no sentido de encorajá-la, mostrando-lhe que o Cordeiro venceu.

Queridos, trilhar o caminho de Cristo para o céu, o que envolve o seu auxílio para a batalha contra o pecado, o que envolve o seu auxílio para a santificação, passa obrigatoriamente pela igreja. Cristo está no meio dela, foi ele quem a estabeleceu, e é ele quem lhe confere identidade, conforme podemos ler ao longo da profecia, nas cartas às sete igrejas.

Não vamos falar sobre cada uma delas, o tempo não daria, mas, todas elas, Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia, cada uma delas adquire a sua identidade em Cristo. É o próprio Cristo quem lhes confere identidade, através das diversas qualificações que ele mesmo se dá, de acordo com o estado de cada Igreja. Por isso, aqueles que realmente são de Cristo não podem se afastar da Igreja, porque foi a Igreja que Cristo veio resgatar, foi para a Igreja que ele enviou o Espírito Santo Consolador. E ele não enviou o Espírito Santo de forma individualizada, como acontecia no Velho Testamento. Não! No Novo Testamento o Espírito Santo foi enviado para a Igreja.

Por isso, na mensagem a todas as sete igrejas ele repete: Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. E o que o Espírito diz às Igrejas? Observemos que não são somente coisas agradáveis e palavras de encorajamento, ou de vitória ufanista, já que aquelas igrejas estavam passando por grandes tribulações. Não! Há muito mais reprimendas. Ao anjo da Igreja de Laodicéia, por exemplo, ele diz: Porque és morno, e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca (3.16). Que coisa terrível! Vejam em que situação se encontrava aquela Igreja.

Às vezes, e não são poucas vezes, os pastores sofrem por detectar que as suas igrejas estão mornas, como a de Laodicéia, mesmo sem sofrer nenhuma perseguição. E se uma Igreja está morna, a ponto de ser vomitada da boca de Deus, é porque a maioria dos seus membros está morna. Membros que não vem à Igreja simplesmente porque não querem, e quando vêm, ficam cochilando nas cadeiras ou conversando enquanto a Palavra de Deus é proclamada. Porque és morno, e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca (3.15-16). E que ninguém fique triste, muito menos aborrecido com esta palavra, porque assim diz o Senhor Jesus: Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso, e arrepende-te (3:19). Ouçam, assimilem e transmitam esta palavra aos irmãos negligentes.

É um consolo saber que o Senhor nos repreende porque nos ama. Ele mesmo é quem afirma isso. Das sete igrejas destinatárias das cartas, apenas duas não receberam repreensões: Esmirna e Filadélfia. As outras cinco receberam várias repreensões, e Laodicéia só recebeu repreensões severas. Nenhum elogio. Porém, como é confortante saber que o Senhor Jesus estava no meio daquelas igrejas, com todos os problemas e defeitos que elas apresentavam, inclusive Laodicéia, a que se encontrava em pior situação.

Portanto, é com base na Palavra que eu afirmo: mesmo que possa haver problemas e defeitos na nossa Igrejinha, e sabemos que há, o Senhor Jesus está no meio dela. Precisamos observar que o Senhor Jesus repreendeu severamente a Igreja de Laodicéia, mas também lhe ofereceu a sua graça: Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo (3.20).

Esta graça foi oferecida a uma igreja cheia de problemas, que só recebeu repreensões. Mas, mesmo assim, o Senhor Jesus estava no meio dela. É de se concluir, portanto, como a permanência na Igreja é vital para o crente, porque o Senhor Jesus está no meio da sua Igreja, sejam quais forem as circunstâncias.

Queridos, se alguém entre nós se sentiu impactado com essa palavra dura do Espírito, dura, mas cheia de amor, alegre-se, porque o Senhor repreende e disciplina a quantos ama. Como isso é maravilhoso! Se alguém entre nós sentiu-se como um membro da Igreja de Laodicéia, morno, a ponto de ser vomitado da boca de Deus, ouça o que o Espírito lhe diz: arrependa-se, e aceite o convite da graça de Deus, participe ativamente das atividades da sua igreja, porque é aqui, é na comunhão dos santos, é no meio da Igreja que o Senhor Jesus fortalece os seus santos pelos meios de graça que ele mesmo provê.

Ele está no meio da sua Igreja para nos encorajar com a sua Palavra, ele está no meio da sua Igreja para derramar a sua bênção sobre nós, a fim de que verdadeiramente sejamos unidos na adoração, unidos na oração, na comunhão, na edificação mútua, fortalecidos no Senhor e na força do seu poder, a fim de que, como consequência natural, sejamos uma Igreja unida na evangelização, pelo testemunho de vida santa, para louvor da glória de Deus.

É isso que o Senhor requer de nós como Igreja. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz à Igreja. Que Deus nos abençoe! Amém.

A encarnação do Mediador – Jo 1.11-14

Queridos, há vários domingos nós temos falado de Jesus como o Mediador do pacto, a aliança eterna de Deus. Ele é o Deus Filho que tomou forma de homem, e como todas as doutrinas bíblicas, a Trindade e a Encarnação são doutrinas que se relacionam. A doutrina da Trindade declara que o homem Jesus é verdadeiramente divino, e a doutrina da encarnação declara que o divino Jesus é verdadeiramente homem.

Juntas, estas duas doutrinas proclamam a realidade do Salvador, o Mediador da aliança, o Filho que veio da parte do Pai para tornar-se o substituto do pecador, na cruz do Calvário, porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16). Atenção! Não é para todos, mas apenas para aqueles que nele creem.

Foi para isso que o Filho, pelo poder do Espírito, nasceu da virgem Maria para ser o Mediador da aliança eterna do Pai. A encarnação de Jesus foi um milagre de Deus, e é surpreendente que alguns judeus tenham chegado a aceitar que Jesus realmente era o Filho de Deus encarnado. Afinal, a sua lei ensinava que há um só Deus, e que nenhum homem é divino. No entanto, todos os escritores do Novo Testamento, que eram judeus instruídos no judaísmo, ensinam que Jesus é o Filho de Deus, o Mediador da aliança, o Messias prometido no Velho Testamento, o filho de Davi ungido pelo Espírito.

Como se lê em Is 11.1-4, do tronco de Jessé sairá um rebento, e das suas raízes, um renovo. Repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor. Deleitar-se-á no temor do Senhor; não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos; mas julgará com justiça os pobres e decidirá com equidade a favor dos mansos da terra; ferirá a terra com a vara de sua boca e com o sopro dos seus lábios matará o perverso.

Pouquíssimos judeus compreenderam que esta profecia falava de Jesus, o Filho de Deus, o Verbo encarnado. Como lemos no início, segundo o evangelista João, Jesus veio para o que era seu, mas os seus não o receberam (v.11), embora todos os escritores do Novo Testamento tenham apresentado o Senhor Jesus no seu tríplice papel de profeta, sacerdote e rei, e insistido em que Jesus deve ser adorado como Deus verdadeiro.

Além disso, nos evangelhos encontramos várias declarações do próprio Jesus, afirmando eu sou, com o mesmo significado que Deus Pai falou a Moisés em Êx 3.14 – Eu Sou o que Sou. Assim dirás aos filhos de Israel: Eu Sou me enviou a vós. Jesus usou essa expressão com o mesmo significado em Jo 8.28 – Quando levantardes o Filho do homem, então sabereis que eu sou, e mais adiante, no v.58 – Em verdade, em verdade vos digo: Antes que Abraão existisse, eu sou.

Em outras declarações metafóricas mais conhecidas, Jesus afirmou a mesma coisa: Eu sou o pão da vida, aquele que dá alimento espiritual (Jo 6.35,48,51); Eu sou a luz do mundo, aquele que dissipa as trevas (Jo 8.12; 9.5); Eu sou a porta das ovelhas, aquele que dá acesso a Deus (Jo 10.7,9); Eu sou o bom pastor, aquele que dá a vida pelas suas ovelhas (Jo 10.11,14); Eu sou a ressurreição e a vida, aquele que tem domínio sobre a morte (Jo 11.25); Eu sou o caminho, a verdade e a vida, aquele que nos leva de volta à comunhão com o Pai (Jo 14.6); Eu sou a videira verdadeira, aquele que nos dá nutriente para fertilidade (Jo 15.1,5).

Paulo declara a divindade de Jesus quando diz que nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade (Cl 1.19; 2.9); quando diz que ele é Deus sobre todos (Rm 9.5); quando diz que ele é Deus e Salvador (Tt 2.13); quando faz preces diretamente a ele pedindo que lhe retire o espinho na carne (2Co 12:8-9).

Irmãos queridos, nós precisamos estudar diligentemente as doutrinas bíblicas, e não apenas nos acostumar culturalmente com o que ouvimos. Eu tenho insistido para que vocês leiam e meditem na Palavra tentando compreender o que estão lendo, anotando as suas dúvidas, e perguntando para que sejam esclarecidas. Estejamos certos de que sem a compreensão exata desta doutrina da encarnação, jamais alguém poderá desejar que Jesus nasça em seu coração.

Façamos um autoexame. Todos têm procurado diligentemente conhecer a largura, a altura e a profundidade desta doutrina? Todos sabem o significado e o propósito da encarnação de Jesus? Todos conseguem meditar demoradamente em que Deus, o criador do mundo, na pessoa do Filho, fez-se carne e habitou entre nós, tomou sobre si os nossos pecados, a fim de nos apresentar justificados diante de Deus Pai?

É este o propósito de Deus na encarnação do Filho: Ele é o Mediador capaz de nos levar de volta ao Pai, e para isto ele se fez um de nós. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; a saber: os que creem no seu nome (v.12). Pois bem, se o Filho de Deus se fez um de nós para nos levar de volta ao Pai, nada mais desejável e esperado que lutemos tenazmente contra o pecado, a fim de que sejamos feitos iguais a Jesus, santos como o Filho de Deus encarnado.

É bom observar que, quando Paulo diz aos filipenses que Jesus, subsistindo em forma de Deus, não julgou por usurpação ser igual a Deus, antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens (Fp 2.6-7), ele está expondo a revelação pelo prisma de Jesus, que é Deus-homem, o Mediador da aliança, que após realizar a obra na cruz do Calvário, retornou à sua glória que sempre lhe pertenceu, à direita do Pai.

Pois bem, quando olhamos a revelação pelo prisma humano, não podemos deixar de ver o quanto Jesus, sendo Deus encarnado, enobreceu a nossa natureza humana. Porém, somente os eleitos, os salvos, os justificados com a justiça de Jesus, estão agora investidos no poder de serem feitos iguais a ele, pela ação do Espírito Santo. Foi-lhes dado o poder de serem feitos filhos de Deus, aqueles que não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus (v.13).

Foi para isso que o Deus Filho, o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade (v.14). Já pensaram nisso, irmãos? Vamos repetir. Quando Jesus fez-se igual a nós, ele o fez segundo o propósito eterno do Pai, para que sejamos iguais a ele, herdeiros do reino de Deus. Jesus se fez maldição por causa dos nossos pecados, para nos fazer santos como ele é santo, a fim de que com ele reinemos na glória do Pai.

Portanto, quando conhecemos a doutrina da encarnação, saber que Deus Filho, o Verbo de Deus tomou corpo humano na pessoa de Jesus, deve nos estimular a desejar ardentemente que ele seja espiritualmente nascido em nossos corações, e cresça a cada dia, certos de que esta é uma obra sobrenatural de Deus. Foi assim que ele decidiu na eternidade, e assim será no tempo e na eternidade. Afinal, de que adiantaria Jesus ter nascido como homem, se ele não nascesse em nossos corações, tornando-nos um com ele, como ele é um com o Pai?

O apóstolo João realmente viu a glória de Jesus, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai (v.14), e nós também a veremos no dia em que ele vier nos buscar. Foi para isso que ele encarnou tomando a forma de homem, morreu a nossa morte na cruz do Calvário, e ressuscitou para nos dar a sua vida eterna.

Que Deus nos conceda graça para compreender a sua doutrina, e mais graça ainda para que possamos viver de acordo com a sua vontade, para louvor da sua glória. Amém.

O Mediador como Rei – Ap 19.11-16

Queridos, nos dois últimos domingos vimos falando de Jesus, o Mediador da aliança, o Messias de Deus, e vimos que para fazer esta mediação Jesus exerce três ofícios distintos, simultâneos e complementares: Profeta, Sacerdote e Rei. Já o vimos como Profeta, aquele que fala da parte de Deus para o homem, que revela a vontade perfeita de Deus para nós; já o vimos como Sacerdote, aquele que fala do homem para Deus, que representa o homem diante de Deus no momento em que intercede por nós, e faz sacrifícios pelos pecados para apaziguar Deus com o pecador, e hoje o veremos como Rei, aquele que exerce domínio sobre toda a sua criação, aquele que vence a batalha contra os inimigos e conduz o processo de redenção da criação caída, conforme o plano eterno de Deus, especialmente para a salvação dos eleitos do Pai.

Vamos lembrar rapidamente a história. No princípio Deus criou todas as coisas e entregou a administração da criação ao homem, ordenando-lhe que não comesse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. O homem desobedeceu, e por isso Deus amaldiçoou toda a criação. A partir daí a relação do homem com a criação que ele deveria governar pacificamente, inclusive a sua mulher, passou a ser de conflito, como se vê em nossa experiência de relacionamentos com toda a natureza criada por Deus.

Porém, em seu plano eterno, pela sua graça, Deus já havia determinado a solução para o problema do pecado, desde a eternidade. O seu pacto com a natureza criada e caída já contemplava o Mediador capaz de resolver o conflito causado pelo pecado da desobediência do homem. Esse Mediador é Jesus, o Deus Filho encarnado, que nasceu da virgem Maria, aquele que veio para tomar sobre si a maldição imposta pelo Pai por causa do pecado do homem, e redimir toda a sua criação.

É com esta finalidade que ele desempenha os ofícios de Profeta, Sacerdote e Rei. Em seu ofício de Rei, o Senhor Jesus, aquele que é Rei desde a eternidade, criador de todas as coisas, abriu mão da sua glória para vir ao mundo em forma humana, e vencer todos os nossos inimigos: Satanás, o mundo e a própria morte, ao morrer na cruz do Calvário e ressuscitar ao terceiro dia, restabelecendo, inclusive, o domínio original do homem, domínio que lhe fora dado antes de pecar, e que ele perdeu por causa do pecado. Como Rei, o Senhor Jesus reconquistou para nós o status de filhos de Deus.

Esta é a vitória que Jesus, como Rei, veio consumar neste mundo, e não a vitória ufanista dos falsos pregadores de um falso evangelho, como se vê na maioria dos púlpitos de falsas igrejas e na televisão. Quando falamos de Jesus como Rei dos Reis e Senhor dos Senhores, como ele se revelou a João, estamos falando do governo que ele exerce a partir da sua vitória consumada na cruz do Calvário.

É por isso que, na visão dada a João, ele está vestido com um manto tinto de sangue, e o seu nome se chama Verbo de Deus…, e tem no seu manto, e na sua coxa, um nome inscrito: REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES (vv.13, 16).

Ao verter seu sague morrendo na cruz do Calvário, ressuscitar ao terceiro dia e subir ao céu, o Senhor Jesus reassumiu a sua glória como Rei dos reis e Senhor dos Senhores, como ele se revelou a João, e como também o apóstolo Paulo explica aos Filipenses: Pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai (Fp 2.6-11).

Irmãos, esta é uma revelação maravilhosa demais. O Deus Filho já possuía a glória como Criador e Rei do universo, mas a sua vitória na pessoa de Jesus o levou a reassumi-la como Deus-homem, homem como nós, e antes de subir ao céu ele prometeu que virá buscar a sua Igreja, os eleitos do Pai.

Percebem, irmãos, porque o apóstolo Paulo pergunta, como vimos no domingo passado, quem intentará acusação contra os eleitos do Pai? Quem os condenará? E o apóstolo continua a sua arguição: Quem nos separará do amor de Cristo? Afinal, ele é o Rei dos reis, Senhor dos Senhores, ele é Senhor da tribulação, da angústia, da perseguição, da fome, da nudez, do perigo, da espada, da morte, da vida, dos anjos, dos principados, das potestades, da altura, da profundidade, do presente, do futuro, e do que se possa imaginar (Rm 8.31-39). Então, se Jesus, o Mediador da aliança, o Rei dos reis, é por nós, quem será contra nós?

Lembramos que, como já vimos no domingo passado, o Senhor Jesus, no seu ofício de Sacerdote, ofereceu-se em sacrifício para nos libertar do domínio de Satanás, do pecado, da morte, e agora vemos que, como Rei, ele derrotou todos estes inimigos para nos restituir a comunhão com Deus Pai, e o domínio original perdido por causa do pecado.

Agora, prestem atenção, irmãos! O poder absoluto do Rei dos reis para salvar os eleitos do Pai é o mesmo poder exercido contra os inimigos. Como então não temer este Rei dos Reis e Senhor dos Senhores? Como não exultar de alegria por ser seus súditos? Como não nos esforçar diligentemente para conhecer e fazer a sua vontade, se sabemos que ele nos transformou de escravos de Satanás, em servos do seu reino, no momento em que nos reconquistou para o reino eterno na glória do Pai?

Irmãos, conforme eu lhes tenho dito, esta revelação é maravilhosa demais, e só é discernida pelos eleitos do Pai, aqueles que Jesus veio resgatar. Resgatar de que? Da escravidão de Satanás, do pecado, da morte e do inferno. Portanto, para discernir esta revelação, primeiramente é necessário discernir a doutrina da Queda.

Somente a partir do entendimento de que o pecado nos separou de Deus, saberemos qual o papel do Mediador da aliança eterna de Deus em seus ofícios de Profeta, aquele que fala da parte do Pai para os pecadores; Sacerdote, aquele que fala do homem para Deus, que intercede e oferece sacrifícios para aplacar a ira de Deus contra os pecadores, e Rei, aquele que vence os inimigos e governa o seu povo resgatado, conduzindo-o para a glória eterna do Pai.

Que Deus nos conceda graça para entender a sua doutrina, e mais graça ainda para que vivamos de acordo com a sua vontade, para louvor da sua glória. Amém.

 

O Mediador como Sacerdote – Rm 8.33-34

Queridos, como já temos visto pelo estudo das Escrituras, Deus fez um pacto eterno com a sua criação, e esse pacto tem um mediador, o Senhor Jesus Cristo. Também já vimos que, como Mediador, Jesus desempenha três ofícios, quais sejam Profeta, Sacerdote e Rei. No domingo passado falamos sobre o seu ofício de Profeta, e hoje falaremos do seu ofício de Sacerdote, conforme os versículos que lemos.

Pois bem, quando falamos de Jesus como o nosso Sumo Sacerdote, a nossa mente logo nos remete à sua obra na cruz do Calvário. Afinal, foi ali que Jesus ofereceu-se como o cordeiro de Deus em sacrifício pelos nossos pecados. Depois, quando lembramos que Jesus ressuscitou, subiu ao céu, e rogou ao Pai que nos mandasse outro Consolador, o Espírito Santo, então parece que a ideia de que Jesus está ausente deste mundo fica ainda mais forte, especialmente depois do advento do pentecostalismo, no início do século vinte.

É como se Jesus tivesse se aposentado momentaneamente para descansar da sua dura missão aqui na terra, deixado o Espírito Santo para continuar a sua obra, e só volte à atividade novamente no momento em que vier julgar o mundo e buscar a sua igreja. Obviamente, não é este o ensino bíblico acerca do ofício sacerdotal de Jesus Cristo.

Quando Jesus prometeu que pediria ao Pai o envio de outro Consolador, a palavra “outro”, por conceito, pressupõe a existência de um Consolador em atividade, que é o próprio Senhor Jesus, e é bom repetir que ele não se aposentou do seu ministério sacerdotal. O ofício sacerdotal de Jesus não terminou na cruz. O seu ministério de intercessão pelos eleitos do Pai faz parte do seu ofício sacerdotal. Conforme lemos, ele não apenas morreu na cruz por nós, como ressuscitou e subiu ao céu, onde está assentado à direita do Pai, e também intercede por nós.

Portanto, quando oramos ao nosso Deus, devemos ter em mente a obra da salvação como um todo. Normalmente, repito, tendemos a lembrar da obra expiatória de Jesus na cruz do Calvário como algo separado da sua obra intercessória, o que é um equívoco. Na verdade, a expiação e a intercessão são dois aspectos da obra redentora do Mediador da aliança eterna de Deus, consumada pelo Senhor Jesus em seu ofício sacerdotal.

Irmãos, a falta de compreensão dessa verdade é que leva muitos ditos crentes a fazerem tantas orações tolas, sem sentido, sem nenhuma possibilidade de serem atendidos por Deus. Para orar corretamente nós precisamos conhecer o nosso Deus. Para orar corretamente nós precisamos conhecer o Mediador da aliança, o Senhor Jesus Cristo. Para orar corretamente nós precisamos saber no que consiste a sua obra salvífica, e qual a abrangência do seu ofício sacerdotal.

Porque eu estou falando estas coisas? Por ver e ouvir tantas vezes irmãos em situação conflitante com a vontade de Deus, declarando que só querem fazer a vontade de Deus. Outros, pedem que tudo seja feito conforme a vontade de Deus, mas, de forma flagrante, vivem deliberadamente em pecado, contrariando a vontade Deus revelada nas Escrituras. Como imaginar que será feita a vontade de Deus em tais circunstâncias, em pessoas que se dizem crentes, mas que estão deliberadamente distantes dos caminhos do Senhor?

Prestem atenção, irmãos! Segundo o texto que lemos, o apóstolo Paulo está afirmando dois aspectos do ofício sacerdotal do Senhor Jesus: a sua morte expiatória na cruz do Calvário, e a sua intercessão no céu junto ao Pai. Porém, Paulo está falando a respeito dos eleitos do Pai (v.33). Ele está falando a respeito de pessoas redimidas, e estas não vivem deliberadamente em pecado, afrontando a santidade de Deus.

Portanto, os que vivem deliberadamente em pecado, e que, via de regra, nutrem os mesmos pecados muito bem aninhados no coração, estão fora desse grupo dos eleitos do Pai pelos quais Jesus se sacrificou e intercede. Precisamos saber que, como Sacerdote, a obra intercessória de Jesus é exclusivamente em favor dos remidos pelo seu sangue. Precisamos saber, ainda, que a sua oração não se limita a assumir a responsabilidade diante do Pai pelos nossos pecados. Como Sacerdote, a obra intercessória de Jesus também está ligada à nossa santificação, cuidando, inclusive, das nossas orações (Rm 8.26). Foi exatamente para isso que ele nos enviou o Espírito Santo, para nos conduzir em santidade de vida até que ele volte.

Irmãos, esse conhecimento é precioso demais para que o desprezemos. Quando oramos em nome de Jesus, que é o nosso intercessor junto ao Pai, ainda temos o Espírito que santifica as nossas orações. Agora, prestem atenção! As orações de quem? As orações dos eleitos de Deus, dos salvos por Jesus! É por isso que as nossas orações devem ser feitas em nome de Jesus, porque, como sacerdote, ele não apenas ofereceu sacrifício por nós, como foi o próprio sacrifício por causa dos nossos pecados, morreu na cruz do Calvário, ressuscitou, subiu ao céu e está assentado à direita do Pai, intercedendo por nós, e nos deixou o Espírito Santo para nos conduzir, inclusive em nossas orações.

É por isso que a obra intercessória de Jesus não pode falhar, porque ela está baseada na sua obra expiatória como Mediador da aliança eterna de Deus. Mesmo antes da cruz, podemos ver o Senhor Jesus orando ao Pai em favor de Lázaro, e ali ele já dizia que o Pai sempre o ouve. Foi assim que ele orou: Pai, graças te dou porque me ouviste. Aliás, eu sabia que sempre me ouves (Jo 11.41-42).

Jesus orou por Lázaro, por Pedro, pelos seus doze discípulos, e por todos os eleitos, aqueles que vierem a crer no evangelho pregado por eles (Jo 17.20), e a sua oração não pode falhar, porque a sua vontade é a vontade do Pai; porque ele e o Pai são um (Jo 10.30), e em sua oração sacerdotal ele pediu ao Pai que nós fôssemos um com ele (Jo 17.21). E se ele orou assim, assim será.

É com esse conhecimento que o apóstolo questiona: Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo quem morreu, ou antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós.  Ou seja, a obra sacerdotal de Jesus envolve a expiação na cruz do Calvário, e a intercessão pelos eleitos, os mesmos pelos quais ele morreu.

Pois muito bem, se sabemos que, em seu ofício sacerdotal, o Senhor Jesus continua intercedendo por nós junto ao Pai; se sabemos que o zelo do Senhor por nós é tão grande, que nos deixou o seu Espírito Santo para nos conduzir, e nos assistir, inclusive em nossas orações, como têm sido a nossa vida como testemunhas de Jesus? Como têm sido as nossas orações uns pelos outros? A nossa vida tem demonstrado que estamos crescendo em santidade, no pleno conhecimento do Senhor, sob a intercessão de Jesus e sob a condução do Espírito Santo?

É bom lembrar que as acusações do tentador só não têm efeito contra os eleitos de Deus. Somente estes são agraciados com a expiação na cruz do Calvário; somente estes são objeto da intercessão de Jesus junto ao trono do Pai, e pela condução do Espírito Santo, o outro Consolador que Jesus nos deixou.

Por isso, que cada um possa fazer um exame honesto da sua vida, e buscar uma comunhão cada vez mais estreita com Deus, o que só pode ser evidenciado na comunhão mais estreita com os irmãos, a partir da compreensão da abrangência do ofício sacerdotal de Jesus em nossas vidas. Afinal, somos o seu corpo, a Igreja de Cristo.

Que Deus nos conceda graça para compreender a sua Palavra, e mais graça para que possamos pô-la em prática. Amém.