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Arquivo mensal Novembro 26, 2016

A racionalidade da fé salvífica – Mt 8.16-27

Queridos, no que consiste a fé? A essência da fé é o conhecimento de Deus, da sua aliança eterna, da nossa inclusão na aliança, do seu plano eterno consumado em Cristo Jesus para salvação dos eleitos, das boas obras que ele preparou de antemão para que andemos nelas, pela abnegação, pelo sacrifício em obediência, como agentes de Deus para consecução do seu plano eterno. Nisto consiste a fé salvífica, no pleno conhecimento de Deus, e de Jesus Cristo, nosso Senhor (Jo 17.3).

Como podemos ver no trecho lido, as experiências não transmitem a fé salvífica, assim como a fé verdadeira precisa ser exercitada para não dar lugar à incredulidade.

Lemos os dois primeiros versículos (16 e 17) apenas para mostrar o contexto. Jesus fez vários milagres, e algumas pessoas, impressionadas com aquela experiência, com o que presenciaram, ofereceram-se para segui-lo. Aparentemente, estava tudo certo. Aquelas pessoas haviam se convertido por causa das experiências. Até mesmo um escriba, pertencente a uma das classes religiosas que faziam oposição a Jesus, aparentemente se converteu. Vejam a fé abstrata advinda da experiência (v.19).

Porém, como Jesus sabia que aquele homem não tinha conhecimento suficiente para tomar a decisão de segui-lo, deu-lhe uma informação radical para que ele soubesse as implicações da sua decisão (v.20). O homem precisava saber os prós e os contra da sua decisão, e o Senhor Jesus foi honesto com ele. É assim que pregam nos púlpitos hoje?

Pela sua graça, o Senhor nos oferece mais um exemplo (v.21). Outro dos que o seguiam naquele momento, também impressionado com as experiências, até queria seguir o Mestre, mas tinha responsabilidades familiares legítimas, e queria antes desincumbir-se delas. O Senhor Jesus nos mostra que este também não conhecia as implicações da sua decisão (v.22). Jesus mostrou-lhe que segui-lo exigia sacrifícios como ele não imaginava.

Irmãos queridos, aquele que tiver alguma dúvida de que as igrejas estão cheias de gente como estes dois falsos discípulos, provavelmente é um deles. E porque as igrejas estão cheias desse tipo de discípulos? Por que eles não receberam a fé salvífica, que é fundamentada racionalmente no conhecimento de Deus, mas apenas uma fé abstrata, emocional e supersticiosa. Segundo o próprio Deus, é isso que eles querem. A fé verdadeira exige sacrifício, renúncia, e os falsos discípulos só querem as bênçãos.

Estas duas respostas do Senhor Jesus aos seus pretensos discípulos deveriam ser consideradas por todos aqueles que se julgam crentes. O grave problema que enfrentamos hoje é que a maioria das pessoas que se agregam a uma organização sociorreligiosa chamada de igreja, não é advertida claramente, como o Senhor Jesus fez, a calcular o preço, a considerar as implicações da sua decisão. Quantos sabem ao menos o significado destas respostas de Jesus?

Em sua essência, estas respostas têm o mesmo significado do negar-se a si mesmo a cada dia, tomar a sua cruz e seguir o Mestre (Mt 16.24). Estas repostas de Jesus nos ensinam claramente, que há ocasiões em que temos que abrir mão de tudo por amor a ele, até mesmo de obrigações familiares importantes e legítimas, como a daquele pretenso discípulo que antes queria sepultar o pai. Convém chamar atenção para o fato de que outras pessoas poderiam fazer aquilo em seu lugar, mas seguir o Mestre, esta era uma decisão pessoal, na qual ele não poderia ser substituído por ninguém.

E nós? Quantas vezes deixamos de seguir o Mestre, por exemplo, faltando à Escola Bíblica, aos cultos de doutrina, à comunhão dos santos, por causa de compromissos familiares que são legítimos? Será que ao menos consideramos que poderíamos ser substituídos por outras pessoas, ou até mesmo adiar os compromissos para não perder o ensino do Mestre, conscientes de que ninguém pode aprender em nosso lugar? Será que consideramos os ensinos do Mestre como vitais, indispensáveis às nossas decisões?

Irmãos, quando meditamos honestamente nestas coisas, não há como não concluir que a fé professada por muitos não é racional, mas puramente cultural, abstrata, simples ideia sem obras, emocional e supersticiosa, uma vez que está desprovida do conhecimento necessário para considerar as implicações da decisão de seguir o Mestre. Estas respostas de Jesus nos ensinam que não basta o pretenso discípulo “levantar a mão” e dizer que o aceita como seu Salvador, como normalmente acontece nas igrejas. Estas respostas de Jesus nos ensinam que não é qualquer voluntário, alguém que deseja segui-lo apenas por causa de alguma experiência, que serve para ser seu discípulo.

É comum estas pessoas passarem a contar a tal experiência recheada de invenções, qualificando-a como testemunho da sua conversão, usurpando a glória devida a Deus. Percebe-se claramente que tais pessoas apresentam falsas expectativas acerca da salvação, em função da falta de conhecimento de Deus, que é a essência da fé salvífica.

É por isso que nos esforçamos para ensinar, para pregar honestamente como os profetas do Velho Testamento, como Jesus e os apóstolos pregaram, embora saibamos pelas Escrituras, e pela própria experiência, que isso não agrada aos ouvintes.

Na continuação dos versículos que lemos, vejam que coisa interessante. Vejam como nós dependemos de Deus. Mesmo a fé verdadeira depende da graça de Deus, e precisa ser exercitada racionalmente para que a incredulidade não venha a comprometê-la.

No contexto, Jesus e os discípulos atravessavam o mar da Galileia em um barco, quando foram apanhados por uma tempestade. Aqui, de passagem, lembramos que, contrariamente aos ensinamentos mais frequentes nos púlpitos, o fato de estar com Jesus não anula a possibilidade de virem tempestades sobre nossas vidas.

Continuando o relato, vimos que o Senhor Jesus dormia, enquanto os discípulos, em desespero, o acordaram clamando por salvação. O Senhor acudiu, porém, não sem antes passar-lhes uma repreensão: porque sois tímidos, homens de pequena fé? (v.26). Percebem, irmãos? Diferentemente daqueles dois candidatos a discípulos, estes realmente deixaram tudo para seguir o Mestre, e, no entanto, ainda não o conheciam suficientemente (v.27). Como eu tenho dito, a essência da fé é o conhecimento de Deus e a prática obediente e racional desse conhecimento, independentemente das circunstâncias.

Quantos de nós, na iminência da morte por causa da fidelidade ao Senhor, podem dizer como Jó, ainda que ele me mate, nele esperarei (Jó 13.15)? Como podemos constatar neste episódio, os próprios discípulos de Jesus ainda não tinham esse conhecimento. Assim como Jó consolidou o seu conhecimento de Deus pelo sofrimento, a ponto de afirmar: eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem (Jó 42.5), os discípulos também precisaram enfrentar a tempestade para clamar ao Senhor, depender do seu poder e da sua graça, o que lhes aumentou a fé, pelo conhecimento racional daquele que não os livrou da tempestade, para livrá-los na tempestade.

Irmãos, prestem bem atenção! Como vimos nestes versículos lidos, para seguir o Mestre, nós temos que fazê-lo conscientes das dificuldades que enfrentaremos. Na sequência também pudemos ver que, mesmo quando recebemos a fé verdadeira para seguir o Mestre, no início da caminha ela ainda não é forte o suficiente, porque ainda estamos aprendendo a conhecê-lo. Esta é a importância vital do discipulado, e os discípulos verdadeiros perseverarão na busca desse conhecimento.

Também vimos que o método de ensino do Mestre contempla  as dificuldades, aflições, tribulações, provações, exatamente para que confiemos nele e nos mantenhamos humildes e dependentes do seu poder e da sua graça, na medida em que crescemos cada vez mais no conhecimento da sua vontade. Esta é a essência da fé racional, aquela que, pela prática, pela perseverança fica cada vez mais robusta, a ponto de dizermos como Paulo, eu sei em quem tenho crido, e estou certo que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia (2Tm 1.12).

Que Deus nos abençoe com a fixação e prática deste ensinamento, para que não tenhamos dúvida sobre quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem (v.22). É Jesus, o nosso Criador, o nosso Redentor, o nosso Salvador, o nosso Senhor, e que este conhecimento seja uma realidade evidenciada naturalmente em nossas vidas de santidade, em obediência, para louvor da glória do nosso Deus. Amém.

A relação de amor entre Cristo e o cristão – Ct 2.2-3

Queridos, o livro de Cantares é um poema de amor conjugal. Muitas pessoas, inclusive crentes, quando leem este livro, não conseguem discernir porque ele faz parte do cânon bíblico, já que nele não há nenhum tema religioso, não há nenhuma menção a Deus ou algo que indique o seu senhorio, nem faz qualquer alusão ao pacto, à lei, ou à aliança de Deus com o seu povo eleito.

Por que, então, este livro está na Bíblia? Por que os judeus viram neste poema um amor perfeito, e por isso o trataram como uma alegoria ao amor entre Deus e sua esposa, Israel, conforme Deus mesmo se refere várias vezes ao povo de Israel através dos profetas. Posteriormente, no cristianismo, essa alegoria foi estendida ao amor entre Cristo e a sua noiva, que é a igreja, segundo a doutrina do apóstolo Paulo.

Portanto, com base nesses dois versículos lidos e na alegoria que eles encerram, associando ao ensino geral da Bíblia, trataremos hoje da nossa relação de amor com Deus, a relação de amor entre Cristo e o cristão, entre Jesus e a sua Igreja, vista de forma poética.

Em primeiro lugar, seguindo essa alegoria, observem como Cristo vê o cristão: Qual lírio entre os espinhos, tal é a minha querida entre as donzelas (v.2). Vejam que coisa linda! Não há nada neste mundo mais precioso para Cristo do que o cristão, o crente. Como está escrito em Dt 32.10; Sl 11.8; Zc 2.8, nós somos a menina dos olhos de Deus. O resto do mundo é como espinhos, mas o crente, aos olhos de Cristo, é como um belo lírio entre os espinhos.

Porém, para que ninguém se ensoberbeça com isso, precisamos lembrar que somos apenas lírios, e que os lírios não são exatamente as mais belas das flores. São simples flores do campo. É certo que a mais singela das flores, como o lírio, quando nasce em meio a espinhos, destaca-se como uma obra divina de rara beleza, a ponto de Jesus dizer que nem Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles (Mt 6.29). Portanto, precisamos lembrar que a nossa beleza não está exatamente em nós, mas na obra do Senhor em nossas vidas, para que nos destaquemos em meio aos espinhos.

Basta considerar as duas variáveis: lírio e espinhos. Os lírios são os cristãos, e os espinhos são os descrentes. Os lírios são aqueles que o Pai deu ao Filho. Como Jesus mesmo disse, ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer, e eu o ressuscitarei no último dia (Jo 6.44). Portanto, ser lírio é obra graciosa de Deus em nós. Os espinhos, por sua vez, são aqueles que rejeitam a salvação de Jesus, aos quais ele diz: contudo, não quereis vir a mim para terdes vida (Jo 5.40). Que coisa terrível é estar sem a vida que Cristo oferece! Quantas pessoas nós conhecemos, sejam bonitas, sejam importantes, sejam poderosas, mas que aos olhos de Cristo não passam de espinhos que serão lançados ao fogo.

Assim é o mundo em que vivemos, cheio de espinhos e abrolhos cujo fim é serem queimados. Nós, porém, o Senhor Jesus olha e nos vê como lírios entre os espinhos: Qual lírio entre os espinhos, tal é a minha querida entre as donzelas. A querida de Jesus é a sua igreja que ainda está aqui neste mundo, mesmo entre os espinhos, e é mais linda do que qualquer donzela. Jesus olha e vê entre os espinhos, lírios brancos, purificados que foram com o seu sangue precioso, a sua igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem cousa semelhante, porém santa e sem defeito (Ef 5.27). É assim que Jesus vê a sua Igreja: Qual lírio entre os espinhos, tal é a minha querida entre as donzelas. Como é bom saber disso! Como isso nos encoraja a seguir adiante, mesmo em meio a tantos espinhos, porque sabemos que somos amados e preciosos aos olhos do nosso Senhor Jesus. Por isso, não podemos deixar de honrá-lo com a nossa obediência.

Em segundo lugar, seguindo a alegoria do poema, observem como o crente vê o seu Senhor Jesus Cristo: Qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu amado entre os jovens; desejo muito a sua sombra e debaixo dela me assento, e o seu fruto é doce ao meu paladar (v.3). A alegoria lembra alguém que, ao chegar em um bosque, escolhe descansar sob uma árvore que além de lhe dar sombra, também lhe dê frutos saborosos, como é o caso da macieira. É assim que o crente identifica Jesus entre tantos deuses no mundo: como o seu Salvador, o seu refúgio, a sua satisfação plena.

Observem que na alegoria há outras árvores no bosque, assim como há outros deuses neste mundo, e nós sabemos disso, porque o próprio Senhor Jesus nos avisou: Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos (Mt 24.5). Por isso, o crente não vai atrás de qualquer pregador que prometa bênçãos, não vai buscar refúgio em qualquer lugar. Qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu amado entre os jovens. Observem que não basta qualquer árvore que dê sombra. É necessário que ela também dê fruto. Desejo muito a sua sombra e debaixo dela me assento, e o seu fruto é doce ao meu paladar.

De igual modo, qualquer outro deus não é suficiente. Somente o Senhor Jesus é Criador, Salvador, Sustentador e Santificador, e os crentes sabem disso muito bem. Afinal, foi ele mesmo quem nos escolheu, nos salvou, e é por isso que o conhecemos e o preferimos entre os outros deuses, entre as outras árvores do bosque: Qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu amado entre os jovens; desejo muito a sua sombra e debaixo dela me assento, e o seu fruto é doce ao meu paladar.

O verdadeiro crente sabe disso por experiência própria. Nesta terra que produz espinhos e abrolhos, o crente pode experimentar a sombra refrescante da macieira, e a nutrição do seu fruto saboroso. Por isso, eu insisto em alertá-los para o fato de que não basta um conhecimento intelectual sobre o Senhor Jesus, assim como não basta um conhecimento intelectual sobre a macieira, sobre a sua sombra e sobre o seu fruto, a maçã. É preciso experimentá-los para saber como realmente são aprazíveis.

Muitas pessoas, especialmente os jovens, pensam que ser crente é uma coisa sem graça, sem alegria e sem prazer. Pensam que ser crente significa trocar os prazeres da vida por igrejas, leituras bíblicas, sermões, mas elas estão enganadas. De acordo com o poeta, em sua alegoria, quando desejamos o nosso Senhor Jesus como o nosso amado, descobrimos como a sua sombra é agradável, e como o seu fruto é doce ao nosso paladar.

É por isso que os verdadeiros crentes não só descansam à sombra de Cristo, como também saboreiam o seu delicioso fruto, o fruto do Espírito que nos santifica, pelas misericórdias de Deus que se renovam a cada manhã em nossas vidas, e que são doces ao nosso paladar. Porém, é preciso lembrar que somente os verdadeiros crentes experimentam sentar-se à sombra das bênçãos de Cristo, e das misericórdias do pacto eterno de Deus, que se cumprirá no dia em que o Senhor Jesus vier buscar a sua igreja.

Enquanto isso, enquanto estivermos nesse mundo, mesmo em meio a espinhos, mesmo em meio a aflições, continuaremos sentindo o gozo de ouvir o nosso Senhor dizendo: Qual o lírio entre os espinhos, tal é a minha querida entre as donzelas, ao mesmo tempo em que retribuímos o seu grande amor, cheios de contentamento, ao lhe responder: Qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu amado entre os jovens; desejo muito a sua sombra e debaixo dela me assento, e o seu fruto é doce ao meu paladar.

Mesmo visto de forma alegórica, poética, este é o relacionamento com Cristo que almejamos para a nossa Igreja, porque só esse tipo de relacionamento é capaz de refletir a intimidade, o amor que há entre Cristo e o cristão, entre Jesus e a sua Igreja. Que Deus nos ajude a compreender a sua doutrina, e nos conceda graça para que vivamos de acordo com a sua vontade, para louvor da sua glória. Amém.

O arrependimento é a base para uma vida cristã coerente – Mt 21.28-32

Queridos, a pregação do Evangelho de Deus sempre apresenta o arrependimento como ponto de corte entre a condenação e a salvação. Ou seja, sem arrependimento não há perdão, e sem perdão não há salvação. Por isso, a pregação dos profetas do Velho Testamento, a pregação de João Batista, a pregação do Senhor Jesus e dos apóstolos estão rigorosamente afinadas no mesmo tom: arrependei-vos e crede na Palavra de Deus; crede em Jesus, o Cristo de Deus, que é a própria Palavra encarnada.

Por que, então, não se ouvem mais pregações sobre arrependimento? Porque a palavra arrependimento, por conceito, pressupõe o reconhecimento do erro, e na sociedade pós-moderna secularizada, individualista em que vivemos, ninguém quer admitir que esteja errado, já que cada um tem a sua própria verdade.

Esse trecho que nós lemos trata de arrependimento, que quer dizer mudança de direção, mudança de atitude, e isso só acontece quando admitimos que estamos errados. Vemos que Jesus propôs esta parábola aos principais sacerdotes e anciãos, que eram os religiosos da época, pretensos guardiões da Palavra de Deus, e no entanto, sequer reconheciam que Jesus era a própria Palavra de Deus encarnada, o Cristo de Deus que veio habitar entre os homens. Como não reconheciam o seu erro, não havia como se arrepender, e por isso, o Senhor afirma no v.31 que eles estavam mais distantes do reino de Deus do que os ladrões e as prostitutas.

E nós, como saber se não estamos iguais àqueles religiosos, que pensavam ser crentes, mas não eram? Como comprovar que realmente nos arrependemos? Vamos aprender com a mesma Palavra de Jesus, que é eterna.

 Em primeiro lugar o Senhor Jesus nos ensina através do primeiro filho da parábola, que confissão de fé sem arrependimento é pura hipocrisia. Este primeiro filho da parábola representa aqueles ouvintes originais de Jesus, os escribas e fariseus, mas também representa todos os que se dizem crentes, que vêm à igreja regularmente, mas não agem como novas criaturas em Cristo Jesus. A sua devoção é meramente exterior, só de fachada. Como o primeiro filho da parábola, dizem que fazem, mas não fazem. A sua confissão de fé não é genuína, é falsa, uma vez que não produz frutos dignos de arrependimento, como exigia João Batista em suas pregações, citado pelo Senhor Jesus (v.32).

Como é triste perceber claramente esse tipo de conduta na vida de muitos membros da Igreja. Porém, pela graça de Deus, ao mesmo tempo em que nos angustiamos com essa triste realidade, a responsabilidade pastoral é estimulada, e aumenta o desejo de ensinar aos irmãos, de mostrar-lhes que a secularização individualista invadiu a igreja, contaminou a Igreja. Não há dúvida de que muitas pessoas batizadas, crentes e filhos de crentes, estão contaminados pela secularização, já que a sua conduta não evidencia a vida de uma nova criatura em Cristo Jesus, e nós precisamos mostra-lhes o seu erro.

Ora, como o apóstolo Paulo nos ensina em 2Co 5.17, aquele que está em Cristo é nova criatura, e essa mudança radical é, obrigatoriamente, fruto do arrependimento que propicia o perdão que nos garante a salvação, para as boas obras. Então carece de ensinar e perguntar: Esposa, você é crente? É nova criatura? Então seja submissa ao seu marido, e seja-lhe a auxiliadora idônea como o Senhor mandou. Marido, você é crente? É nova criatura? Então ame a sua esposa sobremodo, como o Senhor mandou. Filhos, vocês são crentes? São novas criaturas? Então sejam obedientes aos seus pais em tudo, como o Senhor mandou. Pais, vocês são crentes, são novas criaturas? Então ensinem os seus filhos na disciplina e na admoestação do Senhor, como o Senhor mandou.

Prestem atenção, queridos: dizer que é crente sem apresentar frutos dignos de arrependimento é pura hipocrisia, o que deixa o pretenso crente em pior situação do que ladrões e prostitutas. Por isso, precisamos responder com absoluta certeza: Somos crentes, ou não? Jesus Cristo é o nosso Salvador e Senhor das nossas vidas, ou não?

Em segundo lugar o Senhor Jesus nos ensina através do segundo filho da parábola, que o arrependimento gera uma vida de obediência, e autentica a nossa confissão de fé. Enquanto o primeiro filho disse que ia trabalhar na vinha do seu pai, mas não foi, o segundo respondeu: Não quero; depois, arrependido, foi (v.30).

Como já falamos, a palavra arrependimento significa um redirecionamento da nossa vontade, e isso só pode ser feito pelo poder do Espírito Santo. A evidência segura de que somos novas criaturas não é o que dizemos, e sim, o que vivemos e fazemos; é a nossa conduta de crentes que autentica o que dizemos.

Por isso eu fico triste e angustiado quando percebo membros da Igreja agindo errado de forma contumaz, porque sei que tais pessoas nunca receberam o dom do arrependimento, da salvação, o que pode ser observado em três estágios sequenciais: O primeiro estágio é o reconhecimento do pecado; o segundo estágio é a tristeza que essa compreensão causa na pessoa arrependida; finalmente, o terceiro estágio é a vontade e a decisão segura de mudar. Vemos essa sequência claramente no caso do filho pródigo (Lc 15.11-32): primeiro, ele reconheceu o seu erro; segundo, ele ficou triste por haver pecado contra Deus e contra o seu pai; terceiro, a sua vontade foi modificada e ele tomou a decisão de voltar e pedir perdão.

Com o segundo filho da parábola que lemos aconteceu exatamente a mesma coisa: embora tenha respondido ao seu pai que não queria trabalhar na vinha, reconheceu que estava errado, arrependeu-se, e resolveu obedecer. O arrependimento gera uma vida de obediência, e autentica a nossa confissão de fé.

Em terceiro lugar aprendemos com o Senhor Jesus que o arrependimento é graça de Deus, e é a obediência que evidencia se recebemos essa graça ou não. O Senhor Jesus deixa isso bem claro quando diz aos orgulhosos fariseus, que prostitutas e ladrões os precederiam no reino de Deus. Embora os fariseus fossem os líderes religiosos que bradavam nos cantos das praças e nas sinagogas que eram santarrões, diziam, mas agiam de forma diferente; nunca se arrependeram, nunca creram em Jesus Cristo, o Filho de Deus, ao passo que publicanos e meretrizes creram, como ele afirma nos vv.31 e 32.

Provavelmente Jesus tinha em mente pessoas como a mulher apanhada em adultério, a mulher samaritana, Mateus e Zaqueu, prostitutas e ladrões que se arrependeram, e foram salvos pelo Senhor. Vemos, então, que reconhecidos pecadores podem se arrepender e ser salvos por Cristo, ao passo que pessoas que pensam ser crentes, sequer admitem o seu pecado, que é o primeiro estágio do arrependimento.

Irmãos, queridos, iniciamos dizendo que a doutrina do arrependimento perdeu espaço nos nossos púlpitos, e sem nenhuma dúvida, esse é um dos motivos pelo qual vemos tanta incoerência na vida de muitos ditos crentes. Como dizia Jesus, quem tem ouvidos para ouvir, ouça. Se Cristo é o nosso Salvador, então ele é também Senhor das nossas vidas, pelo que devemos obedecê-lo incondicionalmente.

Por isso, prestem bastante atenção! Aos que se dizem crentes, mas não agem como tais, o próprio Senhor Jesus perguntou: Por que me chamais, Senhor, Senhor, se não fazeis o que vos mando? (Lc 6.46). Ou seja, incoerência entre o discurso e a prática não passa de hipocrisia, e o Senhor Jesus diz que os hipócritas estão em pior situação do que as prostitutas e os ladrões.

Consideremos estas coisas, e roguemos ao Senhor que, em sua misericórdia, nos conceda a graça do arrependimento a cada dia para que, de forma radical, possamos viver em santidade de vida cada vez maior, seguindo a doutrina que é ensinada em todos os encontros da nossa igrejinha, para louvor da glória de Deus. Amém.