• (83)3226-6183 | (83) 9 8874-9391
  • juarezrol@gmail.com

Arquivo mensal Fevereiro 18, 2017

O conflito com as trevas – Ef 6.12

Queridos, nesta parte da carta aos Efésios (6.10-18), Paulo está ensinando sobre a conduta do salvo, do crente, está falando da batalha espiritual, do conflito com as trevas. Como sabemos, em situações normais, nenhum exército entra numa batalha sem ter todas as informações necessárias sobre suas próprias forças, sem ter o máximo de informações sobre o inimigo, bem como sobre o terreno onde se desenvolverá a batalha. O Senhor Jesus chama atenção para esse tipo de planejamento (Lc 14.31).

Na batalha espiritual de que Paulo fala aos efésios, e a nós, não é diferente. Para vencer essa batalha, nós precisamos ter primeiramente o conhecimento de quem nós somos, precisamos conhecer as nossas próprias forças, conhecer o potencial do inimigo, e o campo de batalha, que é a nossa vida, o nosso dia-a-dia. Caso contrário, seremos como soldados indo à batalha sem conhecimento da real situação, sofrendo uma derrota esmagadora, como podemos ver em tantos casos ao longo da História.

O que nós conhecemos sobre a natureza humana? Aquilo que vemos e ouvimos na televisão, o que é ensinado por antropólogos, sociólogos e psicólogos? Eu acho que já falei para vocês, que certa vez li um livro escrito por um Pastor, que também era médico, e ele escreveu uma coisa muito interessante. De todos os livros que eu já li, de todos os estudos que eu já fiz sobre o ser humano e o seu comportamento, nunca encontrei nada que se compare ao ensino bíblico a respeito da natureza humana. Portanto, ao ler este versículo, precisamos saber o que a Bíblia nos ensina acerca disso.

Em primeiro Lugar, a Bíblia nos ensina quem nós somos. Em Gn 1.26 lemos que Deus nos fez à sua imagem, conforme a sua semelhança, santos, puros e livres. Mas, a Bíblia também nos diz em Gn 3 que o homem santo, puro e livre, escolheu livremente desobedecer a Deus e seguir as orientações de Satanás. Então o homem inaugurou o pecado, e com ele veio a queda e a morte. É por isso que o apóstolo Paulo ensina que o salário do pecado é a morte (Rm 6.23a). Mas, há ainda outro ensino na Bíblia acerca da natureza humana: pela graça de Deus, nós podemos ser regenerados.

Por isso, em seu ensino sobre a morte como salário do pecado, Paulo complementa o versículo dizendo: mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor. Que coisa maravilhosa! Podemos ser regenerados, e é isso que Paulo testifica que aconteceu com os Efésios: Ele vos deu vida, estando vós mortos em vossos delitos e pecados (Ef 2.1). Portanto, irmãos, para vencer o conflito com as trevas, nós precisamos estar conscientes dos três estágios da nossa vida: 1) fomos feitos à imagem e semelhança de Deus; 2) o pecado nos corrompeu e nos matou, e 3) mas Deus nos dá vida novamente, em Cristo Jesus. Será que todos têm plena consciência destas coisas? Será que todos conhecem a natureza humana?

Em segundo lugar precisamos conhecer a verdadeira natureza do conflito, da batalha que estamos travando. É acerca disso que nos fala o versículo lido: a nossa luta não é contra o sangue e a carne e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. Aqui nós aprendemos sobre o inimigo contra o qual lutamos.

Que principados são esses? Principado é o domínio de um príncipe. Em Jo 14.30 Jesus diz aos seus discípulos: Já não falarei muito convosco, porque aí vem o príncipe do mundo; e ele nada tem em mim. Em Jo 16.11 novamente ele diz aos seus discípulos que o príncipe deste mundo já está julgado. Sabem quem é esse príncipe? Jesus está falando de Satanás, o príncipe das trevas, e Paulo tinha esse conhecimento.

Em seguida o apóstolo também fala que a nossa luta é contra as potestades. Potestades aqui é sinônimo de poderes demoníacos sob o comando de Satanás, aquele que o próprio Senhor Jesus qualifica como o valente, bem armado, [que] guarda a sua própria casa Lc 11.21. Porém, na sequência, Jesus também fala sobre um mais valente do que ele, [que] vence-o, tira-lhe a armadura em que confiava e lhe divide os despojos. Este mais valente é o Senhor Jesus, e Paulo tinha esse conhecimento.

Por isso ele chama atenção que os principados e potestades, Satanás, o inimigo contra o qual lutamos é um valente bem armado, e embora já tenha sido derrotado pelo Senhor Jesus na cruz do Calvário, ainda está em atividade neste mundo, até a consumação, até a volta de Jesus, e nós precisamos saber disso para poder resisti-lhe.

Os principados e potestades de quem Paulo fala também são identificadas como o deus deste século, aquele que cegou os entendimentos dos incrédulos (2Co 4.4). Louvado seja Deus porque, pela revelação que lhe foi dada, Paulo também ensina aos Efésios que, em Cristo, são iluminados os olhos do vosso coração para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, e qual a riqueza da glória da sua herança nos santos (Ef 1.18). Ou seja, a cegueira espiritual causada pelas potestades demoníacas pode, e só pode ser iluminada pela luz de Cristo. Aquele que tem Cristo, tem a luz; o que não tem Cristo jaz nas mais densas trevas.

Por último, o apóstolo diz que a nossa luta é contra os dominadores deste mundo tenebroso. O que é mundo tenebroso? É o mundo que vive em trevas porque jaz no maligno como o apóstolo João diz em (1Jo 5.19). Satanás e seus demônios são os dominadores desse mundo tenebroso, aqueles que fazem os homens amarem mais as trevas do que a luz, e por isso já estão julgados. Em Jo 3.19 está escrito: O julgamento é este: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz. Mas nós, os salvos, não temos que temer as trevas, porque o Senhor Jesus também diz: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, pelo contrário terá a luz da vida (Jo 8.12).

Portanto, embora o versículo acerca do conflito espiritual com as trevas possa causar medo, na verdade, isso só acontece com aqueles despreparados para a batalha espiritual, aqueles que não conhecem a Deus, e por isso, não conhecem a si mesmos, e porque não têm vida com Deus, também não conhecem o campo de batalha. Além do mais, esse versículo também deixa claro que os poderes de Satanás, são limitados quanto à sua força, e também estão limitados no tempo e no espaço. É apenas no decurso desta vida,  e neste mundo, até a volta de Jesus. Esse é o período e o campo da nossa luta contra os principados, potestades e dominadores deste mundo tenebroso.

Sabem qual a nossa arma para esse confronto? Jesus nos mostra no cap. 4 de Mateus: Está escrito. A nossa arma é a Palavra. Nesta mesma carta aos Efésios, Paulo ensina que não devemos dar lugar ao diabo (5.27), que devemos nos revestir da armadura de Deus para podermos ficar firmes contras as ciladas do diabo (6.11), e essa armadura á e Palavra de Deus. Está escrito. E o que está escrito, está consumado.

Portanto, estejamos atentos, firmes na fé, que é o conhecimento de Deus, e obediência à sua Palavra. Aqueles que estão em Cristo têm uma nova vida, são novas criaturas, e são fortalecidos no Senhor e na força do seu poder (Ef 6.10). Pelo ensino do apóstolo, nunca devemos estar desatentos, despreparados para o conflito com as trevas, porque sabemos quem nós somos, sabemos quem é o inimigo, conhecemos o campo de batalha, e temos as armas e o poder necessários para vencer o conflito com as trevas.

Pela graça de Deus, a nossa vitória já foi consumada na cruz do Calvário pelo nosso Senhor Jesus Cristo, e Deus fez isso para louvor da sua glória. Amém.

A importância da Igreja na vida dos salvos – Ef 4.1-6

Queridos, na mensagem do boletim nós falamos sobre a igreja como a congregação dos salvos. Enquanto a igreja local é a congregação de pessoas de uma determinada denominação, sejam salvas ou não, a igreja de Cristo, como um todo, é a união de todos aqueles que realmente são salvos. Por que falamos que a igreja local é a congregação de pessoas salvas ou não? Porque o Senhor Jesus mesmo nos ensinou que há joio no meio do trigo, e que no tempo oportuno ele fará a separação (Mt 13.24-30).

Porém, uma coisa é fato: já neste mundo, nós, os salvos, vivemos e fazemos parte de uma igreja local, e não pode ser diferente. Conforme o texto que lemos, veremos que não é possível ser um cristão espiritualmente saudável, sem fazer parte de uma igreja local organizada. Em outros termos mais radicais, no meu entendimento bíblico, assim como é verdade que há mais não-crentes do que crentes dentro da igreja local, também é verdade que não pode haver um crente verdadeiro fora desta igreja local organizada.

Estudando a História da Igreja, podemos ver claramente uma relação muito estreita entre a Igreja e a salvação, o que tem gerado heresias e acarretado milhares de mortes de pessoas que não aceitavam o ensino da Igreja sobre a salvação. Que ensino é esse?

Para a Igreja Católica Romana, a igreja-mãe, o que por si só já é uma heresia criada desde os tempos apostólicos e perdura durante toda da História da Igreja, segundo a tal Igreja-mãe, “fora da Igreja não há salvação”. Este é um dos dogmas centrais da Igreja Católica Romana. Segundo esse dogma, como a igreja é a despenseira do Evangelho, e isto é verdade, ela é quem concede ou deixa de conceder salvação ao pecador, tornando-se, assim, uma intermediária entre Deus e os homens, e isto não é verdade.

Conforme o ensino bíblico, a salvação toda pertence ao Deus trino: é prerrogativa exclusiva de Deus Pai eleger deste antes da fundação do mundo; é prerrogativa exclusiva de Jesus, na plenitude do tempo, consumar a salvação na cruz do Calvário; é prerrogativa exclusiva do Espírito Santo, no tempo oportuno, aplicar a salvação ao coração dos eleitos, e isso se dá pela pregação do evangelho, a cargo da Igreja. Esta é a participação da Igreja na obra da salvação: pregar o evangelho. Tudo mais é prerrogativa exclusiva de Deus

Porém, assim como é verdade que a igreja não pode conceder salvação ao pecador, também é verdade que uma vez salvo, o pecador não pode ficar fora da igreja, porque a salvação é inclusiva (At 2.47). O pecador é salvo para fazer parte da Igreja, que é o corpo de Cristo. Logo, não é possível um salvo dizer que não precisa ser membro de igreja local.

Na verdade, a afirmação comum que se ouve de muitos ditos crentes, é que não precisa fazer parte de uma igreja para ser salvo. Observem que essa afirmação, mesmo sendo contrário à heresia católica romana, é da mesma essência. Como a Bíblia ensina, a salvação é individual e não depende de mais nada, a não ser da graça de Deus. Acontece que a bíblia também ensina que é da vontade de Deus que os seus santos, aqueles que foram salvos individualmente, tenham comunhão na doutrina, comunhão uns com os outros, uma vez que agora fazem parte de um só corpo, a Igreja, o corpo de Cristo.

Aos Coríntios, o apóstolo Paulo ensina a mesma coisa, dizendo: Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só espírito (1Co 12.13). À luz do texto que lemos e de passagens com esta, como pode alguém realmente salvo dizer que não precisa se congregar em alguma igreja?

Como pode alguém que foi batizado, renegar o seu batismo, uma vez que o batismo é o sinal da nova aliança, é o sinal da inclusão na Igreja, no corpo de Cristo, afastando-se deste corpo? Como pode alguém que não se congrega, participar da santa ceia do Senhor esporadicamente, sabendo que a santa ceia representa a comunhão dos santos no corpo e no sangue de Cristo? Isso é simplesmente inaceitável! A única conclusão razoável, é que tal pessoa nunca experimentou uma conversão verdadeira, o que é terrivelmente triste, porque conhecemos alguns irmãos nesta situação.

Sabem o que falta a tais pessoas? Humildade, mansidão, longanimidade, capacidade de suportar os irmãos, e podemos ver que isso não é novidade. É exatamente por essa causa que Paulo está discipulando, exortando os irmãos de Éfeso (vv.1-3).

Irmãos, é preciso esforço! A salvação é individual e de graça, mas a santificação exige esforço tanto individual quanto coletivo. É por isso que existe a Igreja local, para que nos edifiquemos mutuamente. Nós precisamos uns dos outros. Precisava ser assim? Deus não podia salvar e capacitar a cada um individualmente, sem a chatice de ter que suportar os outros? Podia! É claro que podia, mas na sua sabedoria, não foi assim que ele determinou.

Jesus prometeu que edificaria a sua igreja como um corpo, e por isso ordenou que os seus apóstolos fizessem discípulos, o que os vemos fazer no livro de Atos e nas cartas apostólicas. Em todo o ensino apostólico nós podemos ver a exortação de que que devemos ser um corpo: Há somente um corpo e um só Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação (v.4). Observem que, quando se trata de Igreja, a vocação nunca é individual, mas coletiva.

Nós fomos chamados e vocacionados para a salvação, e agora somos um só corpo; fomos batizados em um só Espírito; fomos chamados e vocacionados numa só esperança. E que esperança é essa? A esperança da vida eterna na glória do Pai. Ora, se temos a esperança de ir para o mesmo lugar, não podemos andar separados. Isso é lógico!

Como o apóstolo ensina, há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos, e está em todos (vv.5-6). Diante de afirmação como esta, como é possível alguém se imaginar crente, salvo, sem querer fazer parte de uma Igreja local? Como, por exemplo, instruir os filhos sem a participação da Igreja, se a Igreja é a comunhão, é a união, é o corpo sobre o qual e através do qual Deus age?

Irmãos, desde a organização de Israel, Deus sempre agiu assim. Sabemos que é através das gerações que as maravilhas de Deus são contadas. No Velho testamento, o templo era o centro da adoração e do ensino. No Novo Testamento, a Igreja tem um papel semelhante nessa edificação, tanto individual como familiar. É por isso que, tanto a pessoa quanto a família que tenta viver a sua pretensa fé fora da Igreja local, logo fica atrofiada.

Prestem atenção, irmãos! A obra da pregação que leva à salvação não termina no ato da conversão. Ela perdura por toda a vida do salvo, já que é indispensável para a santificação. Foi Deus quem determinou que continuará agindo sobre todos e por meio de todos (v.6). Precisamos estar juntos como Igreja para nos edificar mutuamente.

Esta é a importância da Igreja em nossas vidas. Embora ela não seja mediadora entre Deus e os homens, sem nenhuma dúvida, porque é assim que a Bíblia ensina, a Igreja tem um papel indispensável na aliança da graça. Por isso, a igreja local, a igreja instituição corporativa faz parte da vida cristã de todos os eleitos de Deus, aqueles que buscam crescer no conhecimento de Deus, a fim de fazer a sua vontade.

Que Deus nos ajude a compreender e a viver de acordo com a doutrina, edificando-nos mutuamente, e testemunhando o evangelho de Cristo, para louvor da sua glória. Amém

O cuidado e a oração pastoral – Cl 1.1-12

Queridos, a carta de Paulo aos colossenses tinha como objetivo primário adverti-los contra o ensino de heresias, contra o ensino de doutrinas falsas, especialmente o gnosticismo, doutrina que tira a centralidade da salvação da pessoa de Jesus Cristo.

Paulo rebate isso logo no primeiro capítulo, nos vv.13-20, quando expõe sobre a excelência da pessoa e da obra de Cristo, e adverte claramente no cap. 2.8 – Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo. E ele está falando da sabedoria dos mestres gregos e da tradição dos líderes judaizantes dentro da Igreja. Ele não está falando de alguém de fora da Igreja não.

Denunciar os falsos mestres e os seus ensinos errados é um aspecto fundamental do ensino de todos os profetas do Velho Testamento, do Senhor Jesus, e dos seus apóstolos, e eu sigo na mesma linha. Mas não é sobre isso que vamos falar hoje, e sim sobre a principal motivação do cuidado pastoral, e da oração pastoral.

Primeiramente, nos vv.1-2 Paulo se apresenta aos colossenses, com Timóteo, seu companheiro de viagem, fala da santidade e fidelidade daqueles irmãos, e lhes deseja a graça e a paz de Deus. Depois, nos vv.3-8, o apóstolo diz que sempre dá graças a Deus pela fé, pelo amor e pela esperança, enfim, pela vida de santidade crescente naqueles irmãos, a partir da pregação do evangelho pelo conservo Epafras, um auxiliar de Paulo.

Prestem atenção, irmãos! Quando a Bíblia diz que devemos ser irrepreensíveis, de boa fama tanto para os de dentro da Igreja como para os de fora – e essa palavra se aplica primeiramente aos líderes da Igreja -, é por causa do testemunho de santidade e fidelidade que as pessoas darão a nosso respeito, sabendo que nós carregamos o nome de Deus. Certamente era isso que estava na mente de Paulo quando diz primeiramente que orava a Deus, dando graças pela vida de santidade daqueles irmãos colossenses, a partir do seu entendimento da palavra que lhes fora pregada por Epafras.

Como eu tenho insistido em lembrar constantemente aos irmãos, é impossível crescer em santidade e fidelidade a Deus sem o indispensável crescimento no conhecimento da doutrina. Como diz o salmista (Sl 119.11), é o conhecimento da Palavra que nos manterá distante do pecado. É por isso que Senhor Jesus pede ao Pai que santifique os seus discípulos na Palavra (Jo 17.17).

Agora eu quero dar uma informação que talvez vocês não saibam. Colossos era uma cidade decadente, já que outras cidades próximas, como Laodicéia, haviam superado a sua importância comercial. Além disso, aquela região estava sendo castigada por uma grande estiagem. Baseados na nossa cultura materialista, era de se esperar que Paulo pedisse a Deus bênçãos materiais para os irmãos, alguma providência divina no sentido de melhorar a qualidade de vida daqueles irmãos.

Qualquer pastor, como nós os conhecemos, pediria chuva para que houvesse maior produção agropecuária, emprego, renda, comida, fartura, enfim, coisas de que os irmãos colossenses estavam bastante necessitados. Mas Paulo sequer mencionou estas coisas, que eram do seu conhecimento. Ao invés disso, pediu que eles transbordassem de pleno conhecimento da vontade de Deus, em toda a sabedoria e entendimento espiritual (v.9).

Não é interessante isso, queridos? Eu tenho falado estas coisas aqui, e pode ser que alguém me ache muito romântico com relação à vida, quando digo que as coisas materiais não têm tanta importância, ou muito espiritual quando digo que esta vida secular não tem sentido se não for para servir a Deus e ao próximo, ou talvez muito duro quando insisto em santidade independentemente das circunstâncias de calamidade econômica, social e moral em nosso país. Afina, nós precisamos das coisas aqui e agora.

Mas, lembramos que, quando os discípulos de Jesus demonstraram ansiedade sobre o que comer, o que beber e o que vestir, o Mestre lhes disse que os gentios é que se preocupam com estas coisas. Honestamente, todos os irmãos têm de admitir que estas coisas são o principal motivo das orações de pastores e seus liderados nos chamados cultos de oração, quando o Senhor Jesus diz que os seus discípulos devem buscar o reino de Deus e a sua justiça, que é o conhecimento de Deus (Mt 6.25-33).

Em sua famosa oração sacerdotal (Jo 17), o Senhor Jesus pede ao Pai, não que  tire e os seus discípulos do mundo, mas que os livre do mal (v.15), e ele não está falando do mal físico ou material, e sim do maligno, do pecado, das coisas próprias do mundo em que eles teriam que viver e pregar o evasngelho. Por isso, ao contrário disso, ele pede que o Pai os santifique na verdade, que é a sua palavra (v.17).

 Por isso, no v.10, Paulo diz que somente a partir do pleno conhecimento de Deus, é que poderemos viver de modo digno do Senhor, para o seu agrado, e não para o nosso agrado, frutificando em toda boa obra. Não esqueçam que são os frutos, com base no conhecimento, e não no que sentimos, como pregamos no domingo passado, que testificam a nossa condição de filhos de Deus, independentemente de estarmos em circunstâncias favoráveis ou não neste mundo.

E como conseguir esse pleno conhecimento de Deus? Buscando-o diligentemente através do estudo responsável da sua Palavra Revelada. O v.11 nos diz que é o pleno conhecimento de Deus que nos fortalecerá com o seu poder, que nos dará perseverança, longanimidade e alegria, tudo isso segundo a força da sua glória. Este deve ser o objetivo de buscarmos o pleno conhecimento de Deus: a sua glória, e não a nossa glória, como ele mesmo ensinou a Israel através do profeta Jeremias: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte na sua força, nem o rico nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor, e faço misericórdia justiça e juízo na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor (Jr 9.23-24).

Esta deve ser a única glória buscada por nós neste mundo: o pleno conhecimento de Deus, conhecimento que nos leva a tributar a glória que lhe é devida. Esta era a motivação pastoral de Paulo, e por isso ele arremata no v.12 dizendo que devemos seguir em santidade e fidelidade, dando graças a Deus que nos fez idôneos, capazes de compreender a sua revelação, e nos tornou herdeiros do reino do céu.

Ou seja, se não fosse pela graça de Deus, jamais nos capacitaríamos, jamais seríamos aptos a compreender a sua vontade revelada e a receber a herança dos santos na luz. Por isso, toda nossa gratidão, todo nosso louvor, toda nossa adoração a Deus, ainda é pouco. É isso que aprendemos nessa introdução da carta aos Colossenses, e é isso que deve pautar o cuidado e a oração de um pastor pelas ovelhas, a fim de que vivamos neste mundo, para a glória de Deus, e não que ele exista para nos abençoar, independentemente de conhecermos ou não a sua vontade.

Como vemos em todas as cartas apostólicas, o cuidado pastoral com o ensino, e o motivo das orações inspiradas é que, a partir do crescimento no conhecimento de Deus não nos cansemos de adorá-lo com nossas vidas; não nos cansemos de louvar a Deus com nossas orações, ações de graças, súplicas e intercessões uns pelos outros; não nos cansemos de glorificar a Deus com as boas obras que ele mesmo de antemão preparou para que andemos nelas, como convém aos santos.

Esta deve ser a principal motivação para o cuidado pastoral, e para as orações de um pastor, pelas ovelhas sob sua responsabilidade. Quer cresçam no conhecimento de Deus e da sua vontade para as nossas vidas

Que Deus nos conduza nessa caminhada, até o dia em que nos encontraremos com ele na sua glória eterna. Amém.