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Arquivo mensal Abril 30, 2017

Salvação implica obediência e santidade – Jo 14.21

Queridos, em nosso ministério nós temos ensinado insistentemente que os verdadeiros crentes não se iludem com mensagens adocicadas, psicologizadas, mensagens de auto-ajuda, mensagens para elevar a auto-estima. O verdadeiro crente sabe muito bem que é amado de Deus, sabe que foi salvo por Cristo Jesus, sabe que é habitação do Espírito Santo, e isso é suficiente para manter a sua auto-estima elevada.

Eu tenho insistido que em nossos dias, em especial em nosso país corrupto por excelência, inclusive a instituição chamada de igreja, o que o crente realmente necessita é de discipulado, é de ensinamento sobre santidade, sobre humildade, sobre obediência, a fim de andar de modo digno da vocação a que foi chamado, nos retos caminhos do Senhor, e não se desviar deles nem para a direita nem para a esquerda.

Em nosso ministério, nós temos ensinado insistentemente que a nova vida que recebemos de Deus, em Cristo Jesus, naturalmente será caracterizada pela humildade, pela obediência, enfim, por uma vida de santidade. Este versículo que lemos nos ensina que guardar os mandamentos de Jesus é a prova do nosso amor por ele, amor que, pela sua graça, é fruto do seu amor por nós, porque ele nos amou primeiro (1Jo 4.19).

Ao ouvir esta mensagem do Senhor, cada irmão que está aqui, de acordo com o seu conhecimento bíblico, de acordo com a revelação de Deus que lhe foi dada, deverá fazer uma autoanálise sobre o seu amor por Cristo, em função de como anda a sua obediência aos mandamentos do Senhor. Segundo Jesus, esta é a medida do seu amor por ele. Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, este é o que me ama.

Por que eu digo que isso só pode ser feito de acordo com a revelação que nos foi dada? Ora, precisamos ter consciência, irmãos, de que, para obedecer ao Senhor com prazer, com alegria, de todo o coração, nós precisamos conhecê-lo, nós precisamos compreender a extensão do seu amor por nós, até o limite da nossa capacidade de compreensão das maravilhas divinas, conforme nos são reveladas na Bíblia.

E conhecer a Bíblia não é a mesma coisa que memorizar alguns versículos e até citá-los como se houvesse poder neles. É comum ouvir irmãos citando frases esdrúxulas do evangeliquês, tipo “o sangue de Cristo tem poder”, “ô glória”, ou mesmo algum versículo bíblico, como se essas coisas tivessem poder em si mesmas.

Prestem atenção, irmãos! Quando o salmista diz no Salmo 119.11 – Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti, ele está falando do conhecimento da vontade de Deus para a sua vida. Obviamente, as palavras deste versículo, e até de outros, sozinhas ou isoladas, não produzem nenhum efeito. Precisamos, efetivamente, conhecer a palavra do Senhor, os mandamentos do Senhor, tê-los realmente na memória para não pecar contra ele, e isso implica deixar de fazer a nossa vontade para fazer a vontade de Deus, conforme ele nos revelou na sua palavra.

É neste sentido que Paulo ensina que devemos deixar as coisas deste século, e renovar as nossas mentes pela palavra de Deus, o que nos levará a conhecer a sua boa, agradável e perfeita vontade (Rm 12.2). Somos salvos para a obediência. É para isso que o apóstolo Pedro também nos encoraja: Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância (1Pe 1.14).

Nós não dizemos que somos salvos em Cristo? Nós não dizemos que o amamos? Então devemos ter condição de fazer um autojulgamento com base na sua palavra: Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, este é o que me ama.

Agora, vejam na sequência do versículo, que coisa linda! Aqui nós temos uma afirmação e duas promessas vinculadas: (ler 21a; 21b; 21c). Observem que todo aquele que estiver enquadrado na afirmação é alvo das duas promessas. Ou seja, o amor a Cristo, evidenciado pela obediência aos seus mandamentos, traz, como consequência, as promessas do amor do Pai e do Filho, e da manifestação do Filho.

É isso que é vida em abundância prometida por Cristo, vida que se auto-alimenta até a eternidade na glória de Deus. Quanto mais entendemos o amor de Deus que nos é revelado em sua Palavra, mais o obedecemos; e quanto mais o obedecemos, mais somos amados pelo Pai e pelo Filho, e o Filho se manifesta a nós, em nós, e através de nós, a fim de que outras pessoas sejam alcançadas pelo evangelho que respiramos e transpiramos em nosso dia-a-dia.

O v.23, adiante, nos dá a revelação do que vem a ser a promessa do Filho se manifestar a nós: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada. Vejam que maravilha! É por isso que eu disse que nós respiramos a transpiramos o evangelho, para a salvação dos perdidos. O evangelho, a boa nova é Cristo, e ele fez morada em nós, de modo que os pecadores o vejam em nós e através de nós. É isso que Paulo que dizer quando ensina em 2Co 2.14-15 – que Deus, por meio de nós, manifesta em todo lugar a fragrância do seu conhecimento. Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo.

Certamente esses versículos explicam um pouco do que seja essa manifestação de Cristo a nós. Quanto mais cheios do conhecimento de Deus, mais nós manifestamos a sua presença em nós, assim como foi com Abraão, com Moisés, com Elias, com Davi, com Paulo.

Irmãos, nós precisamos observar como estes homens, pecadores como nós, obedeciam a Deus, como eles tinham intimidade com Deus. Quanto mais conhecimento, mais intimidade; quanto mais intimidade, mais obediência; quanto mais obediência, mais amor. É como diz o salmista no Sl 25.14 – A intimidade do Senhor é para os que o temem, aos quais ele dará a conhecer a sua aliança.

E os que temem ao Senhor são exatamente aqueles que o conhecem, aqueles que guardam os seus mandamentos, aqueles que amam a Cristo, e que são amados do Pai, e por isso Cristo se manifesta a eles, e eles manifestam o amor e a glória de Cristo em suas vidas.

É simples assim. Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama, será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele.

Que Deus nos abençoe e nos conceda cada vez mais vontade de conhecê-lo pelo estudo diligente da sua palavra, a fim de que vivamos em obediência, crescendo em santidade, de acordo com a vocação para qual fomos chamados, para que Deus manifeste a sua glória a nós, em nós, e através de nós, exatamente para louvor da sua glória. Amém.

 

 

A paz de Cristo, a nossa paz – 2Ts 3.16

Queridos, diariamente os noticiários nos informam a situação de convulsão social em que vivem as populações, especialmente dos países do Oriente Médio e Norte da África, onde ocorrem guerras e injustiças sociais, causando a morte de milhares de pessoas. Os governos debatem-se em busca de promover a paz, e não conseguem. Vemos reuniões e mais reuniões dos líderes dos países mais poderosos, e nada conseguem fazer para resolver a situação.

Diante de tanta barbárie, vemos os formadores de opinião, inclusive o Papa, talvez o mais respeitado entre todos os povos, conclamando aos governantes e ao povo em geral, para que todos se engajem num trabalho consciente e constante no sentido de construirmos a paz. Seguindo o apelo do Papa, vemos não apenas padres, mas também pastores achando que a paz depende de nós. Infelizmente, todos eles estão equivocados.

Na verdade, estas pessoas sequer conseguem enxergar a paz por uma perspectiva espiritual, e sim, como uma sensação de calma, bem-estar, ausência de guerra, como simples consequência de termos nossas carências supridas. Esta é a essência da Teologia da Libertação, que derivou para a Teologia da Prosperidade. A paz que o mundo busca é algo que pode ser produzido pelos homens, algo que se consegue com justiça social, ou com uma situação econômica confortável, capaz de suprir as nossas necessidades.

Estas pessoas que se esforçam para construir a paz, inclusive os religiosos, nem de longe imaginam que qualquer tipo de paz construída pelo homem é frágil e passageiro. Elas não sabem que a verdadeira paz que Cristo oferece é uma dádiva divina, e não pode ser produzida pelo homem, porque é milagre, graça de Deus.

Neste versículo que lemos, o apóstolo Paulo roga que o Senhor da paz, ele mesmo nos dê a paz. Vejam que diferença do que o mundo ensina e tenta fazer. Vamos aprender um pouco mais com esta palavra do apóstolo.

Em primeiro lugar, nós vemos que a paz do cristão é única, e não pode ser construída por ninguém, porque é a paz de Cristo. A nossa paz vem pessoalmente do nosso Senhor Jesus, como ele diz em João 14.27 – A minha paz vos dou. Portanto, Jesus é a nossa paz. Ele tem todo poder no céu e na terra, e por isso, nunca se abala. Ele é o Senhor da paz.

O Senhor da Paz não é como nós. Ele nunca é apanhado de surpresa, ele nunca perde a calma porque ele é soberano sobre a sua criação e está no comando de todas as coisas, de acordo com a sua própria vontade. Até a sua ira é controlada e mesclada com misericórdia, como bem sabia o profeta Habacuque. Lembram da sua oração? Senhor, na tua ira lembra-te da misericórdia – (Hc 3.2). A paz é um dos atributos do nosso Deus, e todos os seus atributos estão em perfeita harmonia. Ele é Senhor de todas as coisas, ele é o Senhor da paz, e é por isso que o apóstolo Paulo deseja que experimentemos a paz verdadeira, cuja fonte é o Senhor Jesus, e não uma paz passageira, fugaz, produzida pelos homens.

Em segundo lugar, este versículo reforça que a paz é um dom de Deus, é milagre de Deus. Diferente do que o mundo ensina, nós não temos poder para construir a paz. O apóstolo roga que o Senhor da paz, ele mesmo nos conceda a paz. Portanto, ele está se referindo a algo que vem de Deus, e não de outra fonte qualquer. A paz de Deus é uma dádiva soberana e graciosa, concedida a todos os que crêem no Senhor Jesus Cristo. Foi ele mesmo quem disse: Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo (Jo 14.27). Portanto, não adianta buscar a paz do mundo, no mundo, e sim, conhecer, viver, disseminar, multiplicar a paz de Cristo através do nosso testemunho.

Precisamos lembrar, no entanto, que a paz de Deus é uma dádiva concedida apenas àqueles que estão em Cristo. Por isso, toda mobilização do mundo num esforço conjunto para construir a paz jamais terá êxito, porque como está escrito em Is 57.21 – Para os perversos, diz o meu Deus, não há paz. Para os que estão em Cristo, somente a estes, o Senhor da paz, ele mesmo concede a paz como uma dádiva graciosa aos seus santos.

Em terceiro lugar, também vemos neste versículo que a paz de Deus está sempre à nossa disposição, independentemente das circunstâncias. O apóstolo sabia que a paz de Deus é um atributo eterno, perene, mas a sua oração deixa claro que ele também sabia que somos fracos, e é por causa da nossa fraqueza que ele roga: O Senhor da paz, ele mesmo, vos dê continuamente a paz, em todas as circunstâncias.

O apóstolo sabia que essa paz pode ser interrompida circunstancialmente, e nós também devemos saber disso. As vicissitudes da vida sempre ameaçam nos tirar a paz, e é nesse sentido que o apóstolo roga que Deus nos dê continuamente a paz. Prestem atenção, irmãos! O conhecimento de Deus, pela sua Palavra, nos ensina que não é Deus quem interrompe a nossa paz de espírito, e sim nós mesmos. Quando damos lugar ao pecado, vem a ansiedade por causa da excessiva preocupação com coisas seculares, por exemplo, porque perdemos a paz com Deus; quando damos lugar ao pecado, vem o egoísmo, a arrogância, a intolerância, por exemplo, e perdemos a paz com o nosso próximo, porque perdemos a paz com Deus; quando damos lugar ao pecado, vem o medo das doenças e da morte, por exemplo, porque perdemos a paz de Deus.

Percebem, queridos? Perdemos a paz como dádiva de Deus porque deixamos de concentrar nossa atenção em Cristo, o Senhor da paz, e passamos a basear a nossa felicidade em nós e nas coisas passageiras deste mundo. Precisamos estar conscientes de que somos peregrinos neste mundo corrompido, e que certamente enfrentaremos muitas dificuldades. Precisamos estar conscientes de que Deus usa as dificuldades para nos aperfeiçoar, uma vez que sabemos, pela Palavra, que todas as coisas cooperam para o nosso bem, entendido este bem como a nossa salvação. Precisamos estar conscientes de que tudo que acontece conosco, de qualquer forma, seja bem ou mal, vem de Deus, e isso manterá a paz do Senhor em nossos corações, a paz que excede todo entendimento.

Quando o apóstolo roga que o Senhor da paz, ele mesmo nos dê continuamente a paz, em todas as circunstâncias, ele quer que saibamos que a paz de Deus não está sujeita a qualquer coisa na esfera da criação. Por isso não podemos construir a paz, porque a paz pertence ao Senhor, e não depende de qualquer circunstância terrena, ou humana. Quando conhecemos e vivemos esta paz, a nossa tarefa, é apenas testemunhar e multiplicar a paz de Cristo que habita em nós.

Por isso, irmãos, quando permanecemos calmos diante das tragédias que sobrevêm à toda criação de Deus, isto não quer dizer que sejamos insensíveis, até porque elas também nos atingem, muito menos que somos esquecidos por Deus, porque as tragédias também nos atingem. Antes, isto demonstra a nossa confiança no Senhor da criação, que também é o Senhor da nossa redenção, o Senhor da paz, e é ele mesmo quem nos dá continuamente a sua paz, em todas as circunstâncias, para que, multiplicando esta paz verdadeira, o seu nome seja glorificado em nós, e através de nós, pelo nosso testemunho, para louvor da sua glória. Bendito seja o nome do nosso Senhor, o Senhor da nossa paz. Amém.

A ressurreição de Jesus – Lc 24.1-12

Queridos, hoje é o domingo de páscoa, o dia em que Cristo ressuscitou. Hoje termina o feriado da chamada Semana Santa que envolve os três dias da paixão de Cristo, conhecida como a páscoa cristã. A mensagem do boletim de hoje contém ensinamento sobre o vínculo existente entre a páscoa original dos hebreus, e a páscoa cristã.

Diferentemente da páscoa cultural, mercantil, a páscoa cristã tem a ver com libertação de cativeiro, tem a ver com remissão de pecados, tanto na páscoa original dos hebreus, como na páscoa cristã. Assim como a morte do cordeiro na páscoa original remiu e libertou o povo hebreu do cativeiro Egípcio, a morte de Jesus, o Cordeiro de Deus, na páscoa cristã, nos remiu e nos libertou do cativeiro do pecado, e do inferno.

Sabemos que o conceito de morte é incompatível com o conceito de vitória, mas, neste caso específico, a morte de Jesus na cruz do Calvário foi a vitória cabal sobre o pecado, sobre o mundo, sobre Satanás, e sobre a própria morte. Jesus ressuscitou, e esse texto que lemos tem algumas lições a nos transmitir com respeito à ressurreição de Jesus.

Em primeiro lugar nós podemos constatar à luz do texto que a ressurreição de Jesus é uma realidade. No primeiro dia da semana, após o dia de descanso (sábado) que Jesus permaneceu no sepulcro, as mulheres chegaram lá e não encontraram mais o corpo. Quem poderia tê-lo retirado de lá? Os sacerdotes, escribas e fariseus que urdiram a sua morte? Não tem lógica, porque neste caso eles apresentariam o corpo para desmentir a ressurreição de Jesus.

Teria sido os discípulos, como disseram os soldados que guardavam o sepulcro, pagos que foram para mentir? Também não tem nenhuma lógica. Como vimos no domingo passado, os discípulos ficaram tão amedrontados com a crucificação de Jesus, que todos fugiram dali. Além do mais, o que eles ganhariam roubando um morto? Até então eles ainda não haviam entendido que Jesus, o Cristo de Deus, haveria de ressuscitar.

A única explicação plausível é a que foi revelada pelos anjos às mulheres, conforme está escrito nos vv.5-7 – Porque buscais entre os mortos ao que vive? Ele não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos de como vos preveniu estando ainda na Galiléia, quando disse: Importa que o Filho do homem seja entregue nas mãos de pecadores e seja crucificado e ressuscite no terceiro dia.

A ressurreição de Jesus é um fato histórico confirmado por centenas de testemunhas, como está registrado pelos apóstolos, e é um dos fundamentos do evangelho. Assim Paulo escreveu aos Coríntios: E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e vã a vossa fé. (…) Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes dos homens (1Co 15.14 e 19).

É a ressurreição de Jesus que nos assegura que nós também ressuscitaremos no Dia do Senhor. A segurança que temos de que ele conquistou para nós a vida eterna com a sua morte, é exatamente o fato de ele haver ressuscitado, como também afirma o apóstolo Pedro: Bendito o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos (1Pe 1.3). Esta é a base da nossa esperança de vida eterna: Jesus morreu pelos nossos pecados, e ressuscitou para que vivamos com ele na glória eterna do Pai.

Em segundo lugar, podemos observar nesse texto, como nós esquecemos tão facilmente as Palavras do Senhor. Os anjos tiveram que lembrar às mulheres: v.6 – Lembrai-vos de como vos preveniu, estando ainda na Galiléia. Fazia tão pouco tempo, e tanto as mulheres como os discípulos que ouviram várias vezes Jesus lhes dizer que importava que ele fosse morto e ressuscitasse ao terceiro dia. Ninguém lembrava mais das palavras do Senhor.

Será que hoje é diferente, queridos? Será que a causa da maioria das dificuldades pelas quais passamos não é exatamente porque esquecemos tão facilmente as Palavras do Senhor, e ainda nos aborrecemos quando o pastor insiste em nos lembrar? Tantas coisas boas, tantos tesouros, tantas bênçãos prometidas pelo Senhor, que desperdiçamos simplesmente porque esquecemos as suas Palavras, e haja problema para resolver: perdão não liberado, que gera amargura; desobediência, que gera confusão e depressão. Haja problema, simplesmente porque esquecemos os mandamentos do Senhor.

É por isso que insistimos tanto em ensinar a Palavra do Senhor. Porque as coisas que estão gravadas no nosso coração são lembradas mais facilmente, como lembramos dos nossos pais, dos nossos cônjuges e filhos. Precisamos nos apegar à Palavra de Deus, para tê-la sempre na memória, como ensina o salmista: Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti (Sl 119.11; como ensina o autor da carta aos Hebreus – Por essa razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos (Hb 2.1). Portanto, ninguém se aborreça com a insistência do pastor em ensinar e lembrar a Palavra do Senhor. Esta é a essência do ofício de um pastor fiel ao Senhor que o constituiu para pastorear as suas ovelhas.

Por último, esse texto sobre a ressurreição de Jesus nos faz lembrar como o nosso Senhor é maravilhoso, capaz de transformar o mal em bem, conforme o seu propósito. Já vimos como os discípulos esqueceram tão facilmente as palavras do Senhor, e não acreditaram nas mulheres que já haviam sido lembradas pelos anjos. O v.11 nos diz que quando elas lhes contaram o que haviam visto e ouvido, tais palavras lhes pareciam um como delírio, e não acreditaram nelas.

Apesar de tantos ensinamentos do Senhor, apesar do testemunho das mulheres, apesar de não haver outro motivo razoável para o túmulo se encontrar vazio, os discípulos não acreditaram. Não parece incrível isso? E hoje, será que é diferente? Quantos crentes professos vivem nas igrejas agindo como se Cristo não tivesse morrido, ressuscitado e prometido que voltará para julgar o mundo e buscar a sua Igreja?

Nesse caso dos discípulos, nós podemos contemplar a infinita sabedoria de Deus, transformando uma atitude errada dos discípulos em uma grande bênção para nós. A incredulidade inicial dos discípulos, para nós, é exatamente uma das grandes evidências da ressurreição de Jesus. Quando eles foram convencidos pelo próprio Cristo ressurreto, proclamaram o seu evangelho em todos os lugares, de forma a entregar a vida pelo seu testemunho, e ninguém, em sã consciência, testemunharia sobre algo que não fosse absolutamente verdadeiro, à custa da própria vida. Isso é inquestionável.

Jesus, o Cristo de Deus ressuscitou, e isso nos garante que ressuscitaremos com ele no último dia, como testemunharam os apóstolos, e morreram por este testemunho. Aleluia! Exultemos, queridos! Hoje é o domingo de páscoa, o dia em que Jesus ressuscitou! Esta é uma realidade que não podemos esquecer, e não há bênção maior aqui na terra do que saber e seguir os ensinamentos que ele nos deixou, fazendo exatamente como ele mandou, a fim de que, pelo nosso testemunho, os seus eleitos sejam todos reunidos na sua Igreja.

Como Jesus morreu e ressuscitou, a prova de que cremos na sua palavra é a nossa obediência incondicional, até que ele volte para buscar os eleitos que o Pai lhe deu desde antes da fundação do mundo, para louvor da sua glória. Que Deus nos abençoe com a compreensão e a obediência à sua palavra! Amém.

A nossa insuficiência e a suficiência de Jesus – Mt 26.31-35

Queridos, todos nós sabemos que Jesus ofereceu-se ao Pai em sacrifício por nós, ocasião em que podemos ver, no mesmo ato da crucificação, a ira do Pai e a graça do Filho para que fôssemos salvos da maldição do pecado, do inferno. Porém, há outra coisa que observamos naquela ocasião. A vergonha, a traição daqueles que prometeram lealdade ao Senhor, que morreriam com ele, se fosse necessário (v.35), mas todos o deixaram, como o Senhor lhes disse que aconteceria (v.31). Que coisa impressionante! Os discípulos negaram o seu Mestre porque não acreditaram nele.

Em outras ocasiões, Jesus já lhes havia dito repetidas vezes que seria traído e morto, que o traidor estava entre eles, e eles não acreditaram. Agora, o Senhor lhes disse que todos eles vacilariam, mas eles afirmaram que isso jamais aconteceria. Ao invés de crer e receber a palavra do Senhor como uma exortação; ao invés de suplicar a graça de Deus para que pudessem suportar a provação que lhes sobreviria, como Jesus lhes estava alertando, eles não acreditaram e preferiram afirmar que eram fortes o suficiente em si mesmos, pretensão que os levou a negar vergonhosamente o Mestre.

Irmãos, por causa da nossa cultura Católica Romana, eu sei que muitos crentes pensam que os apóstolos eram mais corajosos do que nós. Na verdade, não eram. Como o Senhor lhes havia dito (v.31), um pouco mais adiante, no momento da sua prisão, como está escrito no v. 56, os discípulos todos, deixando-o, fugiram. Eles não acreditaram em Jesus, e por isso o negaram. Eles eram iguais a nós, e careciam da graça de Jesus.

Quantas vezes nós desobedecemos deliberadamente às ordens do nosso Senhor e Salvador, numa prova inequívoca de que não acreditamos nele. Quantas vezes o Senhor nos fala através dos pastores fiéis, seja nas pregações, seja no discipulado, seja em aconselhamentos, e nós não acreditamos. Como os discípulos, achamos que dá para seguir adiante com as nossas próprias forças, com o nosso próprio entendimento, andando à beira do fracasso espiritual, como os discípulos, desconsiderando a exortação do Senhor.

Irmãos, os discípulos eram como nós, e nós, como eles. Por isso, como eles, nós também precisamos aprender que não somos suficientes para viver uma vida de santidade. Como eles, nós também precisamos aprender que não somos suficientes para testemunhar do nosso Senhor. Como eles, nós precisamos da graça de Jesus. Se não tivermos a graça do nosso Senhor, o que nos restará é a vergonha da traição, embora afirmemos lealdade ao Mestre, como os discípulos fizeram. O próprio apóstolo Paulo reconheceu que ele não era suficiente para a missão de pregar o evangelho, quando pergunta: Quem, porém, é suficiente para estas coisas? (2Co 2.16).

Sabemos que Paulo estava falando da pregação do evangelho, e é sobre isso mesmo que estamos falando. Como eu tenho dito, de acordo com a Bíblia, a pregação a cargo da Igreja começa com a sua vida de santidade, e nós não somos suficientes para estas coisas. Mas, como Paulo completou, a nossa suficiência vem de Deus (2Co 3.5).

Observamos que, quando Paulo nos ensina em Ef 5 e 6 a viver cheios do Espírito Santo, ele usa as relações mais básicas que vivenciamos: a família. Por isso eu insisto tanto nesse assunto. Mulheres, quando vocês não conseguem ser submissas aos seus maridos, vocês estão negando a Jesus. Porque não acreditam na sua palavra, tentam desempenhar o seu papel de esposas e mães, sem depender da graça de Jesus, porque se acham suficientes para estas coisas, e não são.

Maridos, quando vocês não conseguem amar as suas mulheres, vocês estão negando a Jesus. Porque não acreditam na sua palavra, tentam desempenhar o seu papel de maridos e pais, sem depender da graça de Jesus, porque se acham suficientes para estas coisas, e não são.

Filhos, quando vocês não conseguem ser obedientes aos seus pais, vocês estão negando a Cristo. Porque não acreditam na sua palavra, tentam desempenhar o seu papel de filhos, sem depender da graça de Jesus, porque se acham suficientes para estas coisas, e não são.

Pais, maridos e esposas, quando vocês não conseguem criar os seus filhos na disciplina e na admoestação do Senhor, vocês estão negando a Cristo. Porque não acreditam na sua palavra, tentam desempenhar o seu papel de pais, sem depender da graça de Jesus, porque se acham suficientes para estas coisas, e não são.

Os discípulos de Jesus também se declararam autossuficientes porque não acreditaram nele. Porém, quando veio a provação, falharam vergonhosamente. O Senhor já sabia desde o início que os discípulos o abandonariam. Ele sabia que eles ainda não haviam compreendido as coisas que ele falava, o que só aconteceria depois de receberem o Espírito Santo.

E nós, queridos? Não dizemos que somos crentes? Ora, se somos crentes, temos a unção do Espírito Santo, que nos conduz em santidade, conforme Jesus prometeu. Então, porque agimos como se não acreditássemos nas palavras de Jesus? Porque agimos como se fôssemos autossuficientes, como se não precisássemos da sua graça e do seu poder, contabilizando tantos fracassos em nossas famílias? O Senhor Jesus disse que não seria fácil segui-lo. Na verdade, ele disse que seria impossível sem o seu poder (Jo 15.5).

Conforme o texto que lemos, Mateus, uma testemunha ocular dos acontecimentos que narrou, registrou que o Senhor predisse que eles o abandonariam, em cumprimento da profecia: Porque está escrito: ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho ficarão dispersas (v.31). Jesus estava se referindo à profecia de Zacarias (13.7), segundo a qual o próprio Deus manda que a espada fira o seu pastor, e, como consequência, o rebanho ficaria disperso. Como Jesus repetiu várias vezes, tudo o que aconteceu com ele, foi para que se cumprissem as Escrituras.

Por isso, assim como o profeta Zacarias complementou o mesmo versículo, dizendo: mas volverei a minha mão para os pequeninos, o Senhor Jesus também complementou o cumprimento da profecia, dizendo: mas, depois da minha ressurreição, irei adiante de vós para a Galiléia (v.32). Jesus não deixou os seus discípulos na ilusão de que eram autossuficientes, nem na tristeza e vergonha quando descobriram que tinham fracassado porque não acreditaram no seu Mestre.

Como o nosso Senhor é maravilhoso! Irmãos queridos, prestem atenção! Se não acreditamos na palavra de Deus exposta pela boca do pastor, e não a obedecemos antes que as coisas aconteçam, quando vierem as provações, as tribulações, a vergonha, só nos resta o arrependimento, ficar tristes por causa da sua desobediência, voltar-nos para Deus, e experimentar novamente a alegria da salvação por causa da sua misericórdia que se renova a cada dia, nos momentos em que ele nos dispensa graça sobre graça.

Afinal, foi ele mesmo quem nos revelou o quanto nós somos fracos, que não somos suficientes para ser crentes fieis, que não somos suficientes para testemunhar a maravilhosa salvação que recebemos, o que deveria nos levar a corar de vergonha. Mas, pela sua graça, ele também nos revelou que a nossa suficiência vem dele mesmo, que assim como ele nos salva, ele nos conduz para que vivamos em santidade de vida, numa constante pregação do evangelho, para o louvor da sua glória. Amém.