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Arquivo mensal Maio 21, 2017

A revelação progressiva do evangelho da salvação – Jo 16.12-15

Queridos, desde a Queda, Deus anunciou o Messias, aquele que pisaria a cabeça da serpente (Gn 3.15). Os patriarcas e sacerdotes tiveram essa revelação; os profetas e reis tiveram essa revelação, e, na plenitude do tempo, como Paulo ensina em Gl 4.4, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei. Portanto, aos apóstolos, o Messias prometido se fez carne, e habitou entre eles, cheio de graça e verdade, e eles viram a sua glória, glória como do unigênito do Pai (Jo 1.14).

Diferentemente de outras religiões com seus mistérios, o cristianismo é a religião da revelação de Deus ao seu povo, e essa revelação alcançou o seu ápice na pessoa de Jesus. O Messias prometido por Deus habitou entre o seu povo há mais de dois mil anos, escolheu doze discípulos, deu-lhes a revelação necessária, e poder para a proclamação do evangelho da salvação, e ordenou-lhes: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século (Mt 28.18-20).

Aqui começa o problema: a compreensão de como Deus se revelou. No Velho Testamento a revelação foi dada através dos patriarcas, sacerdotes, profetas e reis, a quem competia transmiti-la ao povo de Israel, e eles deixaram tudo registrado nas Escrituras do Velho Testamento, para que Israel obedecesse, servindo de exemplo para as outras nações. No Novo Testamento não foi diferente. Ainda que o Messias tenha vindo ao mundo, a sua missão se restringiu a uma área geográfica específica, a Palestina, Galileia e Judeia. Para que a sua mensagem alcançasse o mundo, ele escolheu e treinou doze discípulos, comissionou-os como apóstolos, e ordenou-lhes que pregassem, batizassem e fizessem discípulos. Eles fizeram isso, edificaram a Igreja, e deixaram a mensagem registrada nos Evangelhos, no livro dos Atos dos Apóstolos, nas Cartas Apostólicas e no Apocalipse, para que a Igreja por eles edificada, em Cristo, sirva de exemplo para o mundo.

Porém, conforme os versículos que lemos, Jesus lhes disse que ainda havia algo mais a revelar, mas que ainda não era hora. Eles ainda não estavam preparados, ainda não podiam suportar. Afinal, Jesus ainda não havia morrido na cruz, ainda não havia ressuscitado, nem havia subido ao céu para reassumir a sua glória junto ao Pai. Portanto, eles ainda não tinham nenhuma condição de compreender essas coisas.

Posteriormente, quando voltasse para a sua glória, Jesus lhes mandaria outro consolador, o Espírito Santo, que os faria lembrar de tudo o que Jesus lhes ensinara pessoalmente, e os conduziria a toda a verdade, ou seja, os faria andar de acordo com as palavras do Mestre, e lhes anunciaria as coisas que hão de vir. Os apóstolos vivenciaram toda a verdade que Jesus lhes anunciou, e que o Espírito Santo lhes fez lembrar.

Sobre as revelações escatológicas do Apocalipse, que foram dadas a João, como ainda não aconteceram todas as coisas, certamente, nem João, nem as igrejas que receberam as cartas compreenderam tudo o que ali foi anunciado, nem nós compreenderemos antes do tempo. O importante é que saberemos discernir os acontecimentos, porque o Espírito Santo nos fará saber, nos fará reconhecer as revelações do Senhor Jesus para as igrejas do Apocalipse.

Agora prestem atenção, irmãos! Vamos acompanhar a evolução da revelação de Deus: os primeiros pais, os patriarcas, sacerdotes, profetas, reis, o Messias e os apóstolos. Cada um desses agentes, inclusive Jesus, desempenharam o seu papel na revelação progressiva de Deus, sob o poder do Espírito Santo. Aqui no evangelho de João, nos cap. 14 a 16, Jesus diz aos seus discípulos que precisava ir para junto do Pai, para que o Espírito Santo fosse enviado como o outro consolador, até que ele volte.

Diz que o Espírito Santo os guiará a toda a verdade, e lhes anunciará coisas que hão de vir. Como já vimos, os apóstolos vivenciaram toda a verdade que Jesus lhes ensinou, inclusive aflições e martírio que lhes sobrevieram, mas pregaram o evangelho em todo o mundo, fizeram discípulos e edificaram a Igreja. Essa parte da revelação foi cumprida. Não há mais apóstolos. Agora é a vez da Igreja, sob o poder do Espírito Santo, o mesmo Espírito Santo que capacitou nossos primeiros pais, patriarcas, sacerdotes, profetas, reis, Jesus-homem e os seus apóstolos.

A questão é: Como Igreja, nós estamos fazendo a nossa parte? Como a Igreja poderá ser usada pelo Espírito Santo para convencer o mundo do pecado se, aparentemente, ela leva tão pouco a sério o pecado? Como convencer pecadores de que eles estão no caminho errado, se a Igreja segue de mãos dadas com eles na mesma direção? O que diferencia a Igreja do mundo? Por acaso o testemunho da dita igreja dita evangélica é de quem odeia o pecado, e luta tenazmente contra ele? A Igreja demonstra que busca em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça? E nós, como Igreja do 13 de Maio, o Espírito Santo realmente tem conduzido as nossas vidas? A nossa conduta evidencia isso?

Queridos, essas questões devem nos fazer refletir seriamente. Se os discípulos de Jesus, que aprenderam diretamente com ele, ainda não podiam suportar certas revelações, porque ainda não eram fortes o suficiente; se eles precisavam do Espírito Santo para conduzi-los a toda a verdade, imaginem nós, o quanto precisamos do poder do Espírito Santo para desempenhar o nosso papel na revelação progressiva de Deus. E não estamos falando de novas revelações. Nós não podemos criar nada. A revelação está completa. Nós só precisamos do Espírito Santo para nos guiar a toda a verdade, para que possamos interpretá-la corretamente, vivenciá-la, e dar testemunho de toda a verdade ao mundo.

Toda a verdade implica dizer todas as coisas que vos tenho ordenado (Mt 28.20), e não apenas algumas doutrinas que nos sejam agradáveis, muito menos supostas novas revelações inventadas por falsos pastores, capazes de atrair pessoas para as suas igrejas. Todas as coisas, quer dizer que não podemos deixar de pregar nada que o Senhor Jesus ordenou, nem podemos pregar nada que ele não mandou.

Esse é um aspecto de toda a verdade a que o Espírito nos conduz: tudo o que ele faz é para glorificar o Senhor Jesus, e não a ele mesmo, muito menos a nós. Portanto, se as Igrejas trabalham para o seu próprio crescimento numérico e econômico, para a glória dos seus líderes ímpios, ou do seu próprio império denominacional, sem nenhuma dúvida elas não estão trabalhando sob o poder do Espírito Santo. Logo, não estão a seu serviço para conduzir pessoas ao arrependimento, e a toda a verdade.

Irmãos queridos, como vimos há dois domingos, foi o Senhor Jesus quem disse: Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, este é o que me ama (Jo 14.21); e mais adiante ele diz: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada (Jo 14.23). E como é que Deus faz morada em nós? Através do seu Espírito, e o apóstolo Paulo ensina que se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse não é de Deus (Rm 8.9). Mas, pela graça de Deus, o apóstolo também ensina que o próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm 8.16). E qual é o atestado que o Espírito dá, de que somos filhos de Deus? A nossa obediência, induzida e conduzida pelo próprio Espírito Santo que Jesus nos mandou. Meu Deus! Como o Senhor é maravilhoso!

Concluindo, irmãos, assim se processa a revelação progressiva do evangelho da salvação. Ter a salvação implica ter o Espírito de Cristo, e ter o Espírito Santo implica continuar crescendo no conhecimento, em obediência, proclamando a revelação de Deus através do evangelho da salvação, conforme as Escrituras, conscientes de que o fazemos para a glória de Jesus, porque esta é a missão do Espírito Santo em nós e através de nós. É isso que é Igreja em missão, ou, em outros termos, esta é a missão do Espírito Santo na Igreja e através da Igreja.

Os verdadeiros discípulos de Jesus, aqueles que recebem a revelação e continuam recebendo iluminação do Espírito Santo para a interpretação correta da sua revelação nas Escrituras Sagradas, estes são os discípulos de Jesus, os seus agentes na pregação do evangelho da salvação.

Que Deus nos conceda graça para que sejamos diligentes nesta sublime missão de levar a sua revelação aos pecadores, na medida em que crescemos no entendimento da revelação, vivendo o evangelho que pregamos, e pregando o evangelho que vivemos, de acordo com a vocação para a qual fomos chamados, para que o Senhor Jesus seja glorificado pelo poder do Espírito Santo em nós a través de nós. Amém.

A importância do batismo no pacto da graça – Rm 4.16

Queridos, hoje batizaremos várias pessoas, inclusive crianças. Por isso, a mensagem trata do batismo, inclusive infantil, para que não esqueçamos a sua importância no pacto eterno da graça de Deus. Sabemos que o batismo é um sacramento instituído pelo Senhor Jesus, e deve ser ministrado com água. A quantidade de água, e a forma como a pessoa é molhada, para a purificação simbólica dos seus pecados, sem nenhuma dúvida, conforme as Escrituras, é pouca água, administrada por aspersão. Sobre este assunto, já pregamos em outra ocasião, e lembraremos aqui muito rapidamente.

Portanto, não entraremos na forma do batismo, mas na sua aplicação inclusive aos nossos filhos, no momento em que, pela fé, os incluímos no pacto eterno da graça de Deus.

Segundo as Escrituras, o batismo simboliza a nossa purificação, a partir da regeneração, como Jesus ensina a Nicodemos: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus (Jo 3.5). Como Nicodemos era doutor da lei, ele devia saber que Jesus estava se referindo à profecia de Ezequiel, que diz:  Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. Dar-vos-ei coração novo, e porei dentro em vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro em vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis (Ez 36.25-27).

Esta é a promessa da nova aliança de que Jesus fala na Santa Ceia, e que, mesmo sendo nova, é a velha aliança eterna prometida a Abraão e à sua descendência, cujo sinal era a circuncisão. Assim como a circuncisão tinha o objetivo central de comunicar e confirmar a união com Jeová, na forma da sua aliança eterna, o batismo tem o mesmo objetivo central de comunicar e confirmar a nossa união com Cristo, conforme Paulo explica em Cl 2.11-12 – Nele também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo, tendo sido sepultados juntamente com ele no batismo, no qual igualmente fostes circuncidados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentro os mortos.

Ou seja, como a aliança da graça de Deus é eterna, somos nela incluídos, mudando apenas o sinal da circuncisão no Velho Testamento para o batismo no Novo Testamento. Portanto, o principal fundamento que sustenta biblicamente a prática do batismo, inclusive em nossos filhos, está na unidade e continuidade da aliança eterna da graça de Deus, conforme ele prometeu a Abraão e à sua descendência, como Paulo ensina aos Gálatas (3.14), para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos pela fé o Espírito prometido, o mesmo Espírito prometido lá em Ezequiel, como lemos há pouco. Esta é a razão que provém da fé… (v.16).

Irmãos queridos, quando sabemos que o pacto da graça de Deus é eterno; quando entendemos que o pacto é o instrumento de redenção de toda a criação amaldiçoada pelo próprio Deus, então nós conseguimos ver o pacto como uma garantia de que a nossa salvação está consumada na eternidade, e que o batismo, inclusive infantil, como sinal do pacto, aponta para a realidade e continuidade que o pacto eterno da graça de Deus comunica a nós e aos nossos filhos.

É assim que Pedro exorta os irmãos convertidos lá no Pentecostes: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito, o mesmo Espírito prometido lá em Ezequiel, como lemos há pouco. Então, Pedro continua explicando para aqueles novos convertidos: Pois para vós outros é a promessa, para os vossos filhos, e para todos que ainda estão longe, isto é, para todos quantos o Senhor nosso Deus chamar (At 2.38-39). Ou seja, o que fundamenta a administração do batismo inclusive aos nossos filhos é a sua instituição divina, pois as promessas contidas na aliança eterna da graça de Deus, cujo sinal na nova aliança é o batismo, são destinadas aos crentes e aos seus filhos.

No entanto, sabemos que o pacto é do Senhor, que é quem o administra, e que ele chama e inclui quem ele quer. Sabemos que não somos nós que salvamos os nossos filhos, assim como sabemos que o batismo, como sinal do pacto, não traz a salvação em si mesmo, nem mesmo pela nossa obediência em administrá-lo aos nossos filhos. Sabemos que a salvação não é mérito nosso, e sim unicamente uma dádiva do Senhor da aliança, mas também sabemos que ele cumpre as suas promessas. Esta é a razão que provém da fé, para que seja segundo a graça, como ensina o apóstolo Paulo.

Por isso, nós obedecemos quando incluímos nossos filhos no pacto eterno da graça de Deus, cujo sinal é o batismo. Assim como desde Abraão os pais do Velho Testamento, pela fé, aplicaram a circuncisão em seus filhos como sinal do pacto, em testemunho de que as crianças também faziam parte da família da aliança eterna de Deus, assim também devemos agir com as nossas crianças, pela fé, entendendo que os mesmos benefícios da circuncisão da velha aliança se aplicam ao batismo da nova aliança, no momento em que o batismo sela uma pessoa como membro da Igreja de Cristo.

Como sabemos pelas Escrituras, a nova aliança é o cumprimento da aliança eterna que o Senhor fez com Abraão, e Cristo é a consumação das promessas da aliança: Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente, … e o seu descendente é Cristo (Gl 3.16). Por isso precisamos batizar os nossos filhos, incluindo-os na aliança do Senhor, pela fé nos méritos de Jesus Cristo, o Senhor e mediador da aliança.

Esta é uma responsabilidade de todos os pais que entendem o significado e a abrangência do pacto eterno da graça de Deus. Os filhos são um presente de Deus, e ele nos confia para que sejam ensinados a amá-lo, especialmente pelo conhecimento das maravilhas que Deus fez ao nos criar e nos salvar para louvor da sua glória. É por isso, e para isso, que devemos ensinar os nossos filhos na disciplina e na admoestação do Senhor (Ef 6.4).

Portanto, não podemos negligenciar tão grande graça que Deus nos concede a nós e a nossos filhos, sabendo que não há possibilidade de transferência da responsabilidade dos pais no que diz respeito ao ensino dos filhos, especialmente no que concerne ao pacto eterno da graça de Deus, cujo sinal de inclusão e pertencimento é o batismo.

Como acabamos de ver, desde Abraão as promessas do pacto eterno da graça de Deus são garantidas àqueles que pertencem à família da aliança. Portanto, repetimos que a fundamentação bíblica para a administração do batismo, inclusive em nossas crianças, está sustentada na unidade e continuidade do pacto eterno da graça de Deus com os seus eleitos, e esta é a razão que provém da fé, para que seja segundo a graça, a fim de que seja firme a promessa para toda a descendência.

Sabendo que o pacto da graça é eterno, temos a garantia do cuidado de Deus com aqueles que ele mesmo chamou e adotou como seus filhos em Cristo Jesus, a descendência de Abraão. É por isso que somos batizados, e incluímos solenemente os nossos filhos na aliança eterna da graça de Deus, na certeza de que, pela mesma graça, ele há de nos ajudar a ensinar os nossos filhos a andar em seus caminhos, conforme os desígnios do seu pacto eterno, para louvor da sua glória. Amém.