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Arquivo mensal Julho 30, 2017

As promessas de tribulações como graça para testemunhar – Lc 21.12-19

Queridos, há alguns domingos atrás pregamos sobre o poder para testemunhar, com base na primeira parte destas promessas de Jesus aos seus discípulos. Hoje continuaremos a falar sobre as promessas de tribulações como graça para testemunhar, segundo as palavras do Senhor Jesus. Como sempre lembramos aos irmãos, há muito tempo quase não se ouvem pregações sobre a volta de Cristo, muito menos sobre tribulações e dores pelas quais os crentes têm de passar. Prestem atenção! As pregações atuais visam muito mais atrair clientes para igrejas transformadas em empresas religiosas do que salvar pecadores.

Nesse trecho que lemos, as profecias terríveis de Jesus foram especificamente para os seus discípulos imediatos, o que se cumpriu, conforme o relato de Atos dos apóstolos. Eu acho interessante as pessoas pensarem que as palavras de Jesus para os seus discípulos imediatos aplicam-se totalmente a nós, uma vez que, conforme alegam, nós também somos seus discípulos. Elas só não lembram de um pequeno detalhe: os discípulos imediatos de Jesus foram comissionados como apóstolos pelo próprio Cristo, e nós, não.

Esse trecho que lemos são palavras de Jesus dirigidas exclusivamente aos seus discípulos imediatos, pouco ou nada tendo a ver com a Igreja de hoje, embora seja possível aplicá-las a nós, em algumas circunstâncias. Resta saber se estamos capacitados e dispostos a recebê-las. São palavras duríssimas, profecias terríveis para os discípulos, e Jesus diz que todas aquelas tribulações lhes sobreviriam para que eles testemunhassem (v.13).

Vejam como a graça dos céus pode tão facilmente nos parecer desgraça na terra, se não tivermos o conhecimento de Deus e discernimento do Espírito. Somente os verdadeiros discípulos de Jesus sabem que a cruz precede a glória, e que a nossa glória aqui neste mundo é o conhecimento de Deus e da sua Palavra, conhecimento demonstrado pelo nosso testemunho, sejam quais forem as circunstâncias, mesmo as mais terríveis, como o fizeram os apóstolos.

É esse conhecimento que nos leva a dar graças a Deus pelas tribulações, sabendo que são oportunidades que ele nos dá para testemunharmos do seu amor e do seu poder para vencê-las, certos de que é nestas circunstâncias que o nosso caráter está sendo moldado à imagem de Cristo. Afinal o próprio Filho de Deus aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu (Hb 5.8). Sabemos que as exigências difíceis do nosso Senhor constituem uma parte da cruz que os seus discípulos têm de carregar. Foi ele mesmo quem disse: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me (Lc 9.23).

Como essas exigências difíceis de Jesus estão fora dos púlpitos, vemos como consequência natural o barateamento das suas promessas de poder para cumpri-las, e nessa direção qualquer um se imagina discípulo do Mestre no mesmo nível dos apóstolos, o que é um grande equívoco.

Leiamos novamente as palavras do bom Mestre aos seus discípulos, palavras difíceis, mas que falam de graça e poder para testemunhar (vv.13-19). Graça para testemunhar, irmãos. Quantos dentre aqueles que enchem as igrejas, e que se imaginam discípulos de Cristo, querem receber este tipo de graça? Quantos terão paz no coração diante de todo tipo de opositores, simplesmente pela confiança de que o Mestre lhes porá palavras de sabedoria na boca para resistir-lhes? Quantos estarão dispostos a enfrentar com amor estes opositores que poderão ser os próprios pais, irmãos parentes e amigos, sabendo que eles os matarão? Quantos terão paz no coração sendo odiados de todos por causa de Cristo? Quantos aqui já haviam ouvido uma interpretação que mostrasse a terrível dureza das palavras do bondoso Jesus?

Irmãos queridos, é por causa de pregações desonestas que as igrejas estão entupidas de não-crentes, que ainda se imaginam discípulos de Cristo. As pregações oferecem uma graça de Cristo falsa, uma graça totalmente barateada pela falta das exigências relacionadas à salvação. Sabemos que a salvação nos aspectos da eleição, chamado, justificação, expiação, remissão e adoção é obra exclusiva de Deus em Cristo Jesus. Porém, a partir daí a santificação, que é obra do Espírito Santo em nós, só se dá com a nossa agência, com a nossa vontade mudada a partir do arrependimento, com a nossa determinação em seguir o Mestre, o que implica negar-nos a nós mesmos, e dia a dia tomarmos a nossa cruz, o que não é nada atraente, nem mesmo aos crentes verdadeiros.

É por isso que o bondoso Jesus conforta os seus discípulos com outra graciosa promessa no v.18: Contudo, não se perderá um só fio de cabelo da vossa cabeça. O Senhor Jesus sabia muito bem que aquelas profecias terríveis seriam capazes de desanimar até o mais fiel discípulo. Então, fortaleceu os seus discípulos com uma palavra de encorajamento. Obviamente, estas palavras que foram dirigidas aos seus discípulos imediatos, têm aplicação ampla e podem abranger crentes de todas as épocas, dependendo das circunstâncias e da missão que for dada pelo Senhor.

Porém, é bom lembrar que, por isso mesmo, por causa da pregação, do testemunho, esta promessa de encorajamento está diretamente ligada às promessas de tribulações as mais terríveis, pelas quais os apóstolos passaram. A cruz precede a glória. O desconhecimento do verdadeiro sentido das palavras de Jesus é tão grande que, no geral, esta promessa de que não se perderá um só fio de cabelo da vossa cabeça quase sempre é associada ao físico dos discípulos, o que é um erro. Ora, Jesus não está preocupado com fio de cabelo, ou com a saúde dos seus discípulos. Afinal, quase todos eles perderam não somente os fios de cabelos como também a vida de forma bárbara pelas mãos de ímpios.

O real significado da promessa de Jesus aos seus discípulos é que, embora eles tenham que passar por tribulações as mais terríveis, as melhores coisas como as delícias da vida eterna, estas serão preservadas até o dia da glorificação. O Senhor Jesus está prometendo aos seus discípulos que as suas almas não podem ser tocadas por homens ou por qualquer potestade, e que mesmo os seus corpos, ainda que martirizados e mortos, o que realmente aconteceu, hão de ressuscitar transformados à semelhança do corpo glorioso de Cristo. É disso que o Senhor Jesus está falando aos seus discípulos. Isso se aplica a você?

Irmãos, eis os motivos da minha insistência em lhes ensinar a Palavra de Deus com integridade: primeiro porque é ordem de Deus; segundo porque somente quando conhecemos Deus pelo discernimento da sua Palavra, confiamos nas suas promessas, sejam ou não agradáveis a nós, certos de que elas se cumprirão, e que o Senhor estará conosco em qualquer circunstância. Como é confortante saber que podemos perder todas as coisas neste mundo, bens, parentes, amigos, liberdade, saúde e até a vida, mas nunca perderemos a nossa salvação. O Senhor nos garante, e é poderoso para nos guardar.

É por isso que o apóstolo Paulo afirma: Porque eu estou bem certo de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem coisas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor (Rm 8.38-39). Este foi um apóstolo que experimentou na carne as terríveis tribulações profetizadas por Jesus aos seus discípulos imediatos, e sabia que o seu tesouro está guardado com Cristo, como afirmou: porque sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia (2Tm 1.12).

Este é o significado e a aplicação das terríveis, porém, confortantes palavras do Senhor Jesus. Mais uma vez, rogamos ao bom Deus que nos conceda graça para discernir a sua Palavra, e para enfrentar as tribulações, mesmo que sejam as mais terríveis, sabendo que são promessas de Jesus aos seus discípulos verdadeiros para que deem testemunho, e que todas elas se cumprirão. O que nos conforta é saber que ele nunca nos desamparará, sejam quais forem as tribulações, para que testemunhemos a graça e o poder de Deus em nossas vidas, a fim de que o seu nome seja glorificado em nós e através de nós. Amém.

 

O Profeta Maior e a profecia – Mt 7.24-29

Queridos, depois do advento do pentecostalismo as palavras profeta e profecia foram banalizadas, adquirindo uma conotação diferente do seu verdadeiro significado. No contexto das Escrituras, profecia é a palavra do próprio Deus dirigida ao seu povo, dizendo-lhes o que haveria de acontecer. Desde a Queda dos primeiros pais, Deus prometeu o Messias, o Redentor que haveria de vir. Nesse sentido, todos os que se dizem cristãos já ouviram a palavra de Deus, já ouviram a profecia e sabem, pelo menos por ouvir dizer, que Jesus, nascido da virgem Maria, é o filho de Deus encarnado (Jo 1.1-3,14).

Como vemos claramente no evangelho de João, Jesus é o Verbo de Deus, a Palavra de Deus, a voz de Deus, o Profeta Maior de Deus aqui na terra. Logo, precisamos observar que até mesmo Jesus, o Filho de Deus, enquanto Profeta, não falava de si mesmo. Todo o seu ensino foi-lhe dado pelo Pai, como ele mesmo afirmou: O meu ensino não é meu, e, sim, daquele que me enviou. Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo (Jo (7.16-17).

Portanto, profeta é tão-somente aquele que fala a palavra de Deus, a profecia, com a autoridade de Deus. É assim que o ensino de Jesus, nascido de Maria, um homem sem credenciais sociais que o recomendassem, já que era de família pobre, tinha uma autoridade de causar espanto aos seus ouvintes (Mt 7.28-29). Em outra ocasião, quando os sacerdotes mandaram guardas para prender Jesus, eles voltaram sem o prisioneiro, e a sua justificativa foi simplesmente: Jamais alguém falou como este homem (Jo 7.46).

Percebem, irmãos? O papel de um profeta de Deus, a exemplo de Jesus, o próprio Filho de Deus, é falar apenas e tudo aquilo que o Deus lhe ordenar segundo a sua palavra: O meu ensino não é meu, e, sim, daquele que me enviou (Mt 7.28). Como Profeta Maior, a profecia de Jesus, o interesse de Jesus, assim como de todo profeta verdadeiro, é a redenção da criação caída, especialmente os eleitos, para louvor da glória de Deus.

Por isso, desde o início do seu ministério, como todos os profetas que o antecederam, Jesus chamava os pecadores ao arrependimento para livrá-los do juízo de Deus: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus (Mt 4.17). Arrepender-se significa mudar de vida, voltar-se para Deus em obediência à sua palavra pregada com integridade pelos profetas fieis. Nada menos que isso, ou diferente disso.

Percebem, irmãos, como é falsa a suposta profecia de nossos dias? De forma enganosa, a maioria esmagadora dos pregadores, falsos profetas, apresenta um Jesus bonzinho a nosso serviço, desconsiderando que Jesus, o Senhor, veio redimir a criação caída, ele veio chamar pecadores ao arrependimento (Mt 9.13; Lc 5.32). Esta deve ser a tônica da profecia para a restauração, para a redenção da criação, especialmente dos eleitos de Deus. Esta é a rocha sobre a qual deve ser edificada a nossa casa.

Irmãos queridos, prestem atenção! Todas as pregações que apresentam um Jesus bonzinho, conquanto sejam verdadeiras em alguma medida, são totalmente falsas e extremamente perigosas, uma vez que meia-verdade é mentira inteira. A falsa profecia tem cunho proselitista para encher igrejas. Os falsos profetas buscam atrair e cativar pecadores na situação em que estão, sem o reconhecimento do seu pecado, portanto, sem arrependimento, em sentido contrário à profecia de Jesus, que é a própria palavra de Deus.

Todo aquele que, mesmo já tendo ouvido falar de Jesus, mesmo já tendo ouvido a profecia verdadeira, prefere se satisfazer com falsas profecias; aquele que vem à igreja, supostamente, para recarregar as suas baterias a cada domingo, é aquele sobre o qual o Senhor Jesus declara:  E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica, será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína.

Irmãos, Jesus não está a nosso serviço como dizem os falsos profetas. Jesus é Deus, ele é o Criador de todas as coisas, ele é Senhor, a quem pertence o reino, o domínio e a glória. Por isso, somente ele pode restaurar, resgatar, redimir a sua criação caída, o seu reino, para louvor da sua glória. Todos os profetas que o antecederam, anunciaram a restauração da criação, após o juízo de Deus por causa do pecado, conduzindo os eleitos a Jesus, o Senhor.

Por exemplo, ele é o Filho do homem anunciado por Daniel: Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do homem, e dirigiu-se ao Ancião de dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe dado domínio e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído (Dn 7.13-14). Observem que o Filho do homem visto por Daniel, claramente é o Senhor Jesus, e ele mesmo se qualificou como Daniel o viu.

No seu interrogatório, quando o sumo sacerdote lhe perguntou se ele era o Cristo, o Filho do Deus bendito, Jesus lhe respondeu: Eu sou, e vereis o Filho do homem assentado à direita do Todo-poderoso e vindo com as nuvens do céu (Mc 14.61-62).

Portanto, o redentor prometido a Eva, a Abraão, e anunciado ao seu povo por todos os profetas chegou definitivamente na pessoa de Jesus, o Filho do homem, o Profeta Maior que falou o que o Pai lhe mandou, e ele nos ensinou e ordenou o que devemos fazer. Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica, será comparado a um homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha, e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha.

Que segurança, irmãos! Como é bom saber que o Senhor Jesus veio redimir a sua criação, veio salvar os eleitos, e que fazemos parte do seu rebanho. Mesmo em um mundo corrompido, em um país mais corrompido do que o resto do mundo, temos a segurança de quem construiu sobre a rocha, a profecia verdadeira, a palavra de Deus, o Senhor Jesus, que disse: Em verdade, em verdade vos digo: Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passará da morte para a vida (Jo 5.24).

Ah! Irmãos, como é bom ouvir a palavra de Deus e discernir a verdadeira profecia. Agora, a questão vital é: Como podemos saber quem são aqueles que edificaram sobre a rocha, que estão na condição de ouvir e discernir a profecia verdadeira, a palavra de Jesus?

É simples: Os que discernem a profecia devem expressar esta condição através de um novo estilo de vida prática, em obediência à palavra de Deus: O que isso quer dizer? 1) Os que sabem que vivem pela graça, devem expressar a graça recebida, praticando a gratidão, contribuindo alegremente como reflexo da graça de Deus em sua vida; 2) Os que têm sido muito amados por Deus, devem mostrar um grande amor pelos outros, materializando o amor recebido, através do serviço ao próximo; 3) Os que ganharam a vida eterna por terem sido perdoados, devem perdoar com o mesmo perdão que receberam; 4) Os que conhecem a Deus como o Pai celestial, devem viver satisfeitos com as suas provisões, na forma e na quantidade que vierem, sem murmuração, sem amargor, honrando-o em todo o tempo pela sua bondade, sustento, e pelo seu cuidado protetor.

Nada menos que isso nos identifica como aqueles que edificaram sobre a rocha, que ouvem e reconhecem a profecia verdadeira que tem a autoridade da palavra de Deus, o Senhor Jesus, e por ele têm a vida eterna.

Que Deus nos conceda graça de ouvir com bastante atenção a palavra de ensino do Profeta Maior, o Senhor Jesus, para que possamos pô-la em prática, comprovando que realmente somos filhos de Deus, para louvor da sua glória. Amém.

Porque o verbo se fez carne – Mt 1.21; Jo 1.1-3,14

Queridos, nós já falamos outras vezes que os evangelhos, como nós os temos na Bíblia, não foram os primeiros ensinamentos escritos transmitidos à igreja primitiva. Sabemos que Jesus escolheu e preparou os seus discípulos, comissionou-os como apóstolos, e eles passaram a pregar o que Jesus lhes ensinara. Porém, eles não produziram literatura ou escritura nos seus primeiros anos de ministério.

Quem primeiro produziu literatura na forma de Escritura Sagrada no Novo Testamento foi o apóstolo Paulo, que nem fez parte do colégio apostólico de Cristo. Porém, Paulo era doutor da Lei, profundo conhecedor do Velho Testamento, e também recebeu do próprio Cristo, em seu encontro a caminho de Damasco, e em outros encontros místicos, todo o ensinamento de que necessitava para o seu ministério apostólico.

Pois bem, os ensinamentos dos apóstolos, como se lê no Livro de Atos, geraram reação contrária e violenta por parte dos judeus. Então, Paulo, que foi o maior dos evangelistas e fundador de muitas igrejas cristãs, passou a escrever cartas às igrejas que ele fundara, doutrinando aqueles novos cristãos, para que não voltassem às práticas judaizantes, nem se deixassem levar por falsos ensinamentos.

Portanto, das cartas de Paulo que estão no Novo Testamento, várias já circulavam entre as igrejas antes dos evangelhos serem escritos, e estes, por sua vez, também foram cartas que tiveram o propósito inicial de narrar a boa nova de Cristo aos seus destinatários, contando a história de Jesus como ela realmente aconteceu: quem Jesus realmente era, e o que Jesus realmente fez, contestando as heresias existentes e os ensinamentos falsos a respeito da pessoa de Jesus, o Cristo de Deus. O Evangelho de Lucas e o livro de Atos, por exemplo, são cartas pessoais dirigidas ao excelentíssimo Teófilo, para que ele soubesse a verdade a respeito de Jesus e dos apóstolos.

O último evangelho a ser escrito foi o de João, contradizendo a heresia de que Jesus não era Deus. Por isso ele começa logo afirmando: No princípio era o Verbo, e o verbo estava com Deus, e o verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi se fez (Jo 1.1-3).

Eis porque o Verbo se fez carne. A nossa língua pátria nos ensina que verbo é a palavra que exprime uma ação. Logo, quando Deus Pai dizia haja luz, haja firmamento, ajuntem-se as águas, apareça a porção seca, etc, esse verbo que exprimiu cada ação, a palavra que materializou a criação, era Jesus. Por isso João afirma que todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez, tanto na esfera da criação, como na esfera da redenção.

Em Jo 1.14, lemos que o Verbo se fez carne e habitou entre nós. Com que propósito? Em Mt 1.21, lemos que Jesus, o Cristo de Deus, veio a este mundo para salvar o seu povo dos pecados deles, e nós precisamos considerar essa realidade: Deus ter-se tornado homem, para nos salvar. É isso que os não-crentes têm dificuldade de entender. Cristo é eterno como o Pai. Ele sempre existiu, mas, para cumprir o plano de Deus Pai para a salvação dos seus eleitos, de fato, ele tornou-se humano como nós em relação a todas as coisas, exceto quanto ao pecado, porque somente o Deus Santo poderia vencer o pecado, e somente como homem ele poderia fazer isso, com o sacrifício da sua própria vida, porque Deus não morre. Deus é eterno.

Por isso, o Deus Filho veio ao mundo como homem, para salvar o seu povo dos pecados deles (Mt 1.21). Ao longo da História da Igreja, esta verdade tem sito uma pedra de tropeço para muita gente. Nascido de mulher, embora de maneira miraculosa, Jesus foi bebê, criança, adolescente, jovem, tornou-se um homem adulto, portanto, passou por tudo que um ser humano passa aqui na terra. Comeu, bebeu, cansou-se, dormiu, chorou, alegrou-se, sentiu fome, sede, irou-se, teve compaixão, enfim, experimentou todas as nossas necessidades e todos os nossos sentimentos.

Jesus orou, leu as Escrituras, e para fazer a vontade do Pai, para justificar pecadores, sofreu e morreu na cruz pelos nossos pecados, foi sepultado, ressuscitou e subiu ao céu, segundo as Escrituras. Porém, nesse processo, em nenhum momento Jesus deixou de ser Deus enquanto esteve aqui na terra, bem como agora, que está no céu assentado à direita de Deus Pai intercedendo por nós (Rm 8.34), continua sendo homem, com o mesmo corpo que nasceu de Maria, que cresceu, sofreu, morreu e ressuscitou, só que, agora, um corpo incorruptível, glorificado na sua glória eterna com o Pai.

As pessoas podem não saber disso, ou podem saber e não acreditar, ou não aceitar, mas esta é a verdade bíblica: Desde que o Verbo se fez carne, Jesus, o Cristo de Deus, é Deus e homem ao mesmo tempo, e essas duas naturezas nunca se confundiram, nem se confundem, no seu propósito de salvar o seu povo eleito.

É exatamente esse mistério maravilhoso que qualifica Jesus como mediador entre o Deus santo e os homens pecadores. Eis porque o Verbo se fez carne: Por isso, ele é o único que pode identificar-se conosco porque é homem, e ao mesmo tempo, pode interceder por nós junto ao Pai, porque é Deus.

O escritor aos Hebreus nos diz isso claramente: temos um sacerdote que pode compadecer-se das nossas fraquezas, exatamente porque, como nós, ele foi tentado em tudo, porém, sem pecado (Hb 4.15). Queridos, embora isso pareça chover no molhado, nós precisamos considerar estas coisas:

Porque o Verbo se fez carne, ele é sensível à aflição do seu povo. Foi ele mesmo quem disse: No mundo passais por aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo (Jo 16.33). Em Hb 2.18 está escrito: Pois naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados. Jesus, o verbo que se fez carne, sabe o que é sofrer, e por isso ele se compadece dos nossos sofrimentos.

Porque o Verbo se fez carne, ele é o exemplo perfeito para as nossas vidas. Ele é o verdadeiro padrão de santidade que devemos seguir, como está escrito em 1Jo 2.6 – Quem permanece nele deve andar assim como ele andou. A única coisa que realmente caracteriza o cristão é uma vida de santidade. Santifiquemo-nos, pois, como ele é santo.

Porque o Verbo se fez carne, devemos ver em nosso corpo mortal e fraco, uma dignidade real e verdadeira, porque Jesus não se envergonhou de assumir um corpo como o nosso, e mais, não se envergonhou de levá-lo para o céu, e nos levará com ele.

Porque o Verbo se fez carne e morreu a nossa morte, sendo Deus, ele ressuscitou dentre os mortos para garantir que nós também ressuscitaremos quando ele nos vier buscar para a sua glória, glória eterna que ele sempre teve com o Pai.

Ah! Queridos, não podemos deixar de considerar estas coisas. Enquanto estivermos neste mundo, usemos todo o nosso ser, nossos corpos, nossas mentes, nossos corações, nossos afetos, tudo para a glória de Deus, porque um dia, Jesus, o verbo que se fez carne nos levará para o céu com estes mesmos corpos, só que transformados como o dele, glorificados como ele, na glória de Deus Pai. Esta é a esperança do verdadeiro crente.

Que Deus, pela sua graça, pelo seu poder, nos conceda força para honrar o Verbo que se fez carne, vivendo em santidade, para louvor da sua glória. Amém.