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Arquivo mensal Dezembro 22, 2017

O Natal de Jesus – Lc 2.1-14

 

Queridos, chegamos ao Natal mais uma vez. Como todos os anos, vemos uma corrida frenética às lojas. As pessoas, como massa de manobra do marketing, precisam gastar o seu décimo terceiro. O Natal de Jesus, que é uma festa pagã introduzida no Cristianismo, não poderia se transformar em outra coisa, senão em um evento puramente comercial, instrumento do capitalismo mercantilista. Até o principal personagem, Jesus, foi substituído pelo Papai Noel

Quanto à data da festa, 25 de dezembro, esta foi determinada pelo Imperador Romano Constantino no ano 336 depois de Cristo, para substituir uma festa pagã em honra ao deus sol (Mercúrio). Constantino “converteu-se” ao cristianismo, e “cristianizou” todas as festas pagãs, trazendo para dentro da Igreja toda sorte de idolatrias e superstições próprias do paganismo.

Sobre a verdadeira data do natal de Jesus, isso não tem nenhuma importância para nós. Se tivesse, estaria escrito na Bíblia. O que interessa para nós é que o natal de Jesus foi realmente um milagre: Deus manifestado na carne como está escrito em 1Tm 3.16, e que este fato aconteceu na plenitude do tempo de Deus, como está escrito em Gl 4.4. Vamos considerar o texto.

Sabermos que o tempo e a história pertencem ao Senhor. Observem que o texto lido nos revela que César Augusto era o imperador romano. O Império Romano dominava o mundo, e foi o imperador César Augusto quem determinou o recenseamento, por motivações econômicas. Esta providência fez com que José e Maria fossem se alistar em Belém, para que Jesus nascesse lá, como predissera o profeta Miquéias (5.2). Portanto, o Imperador César Augusto, o homem que dominava o mundo, foi um simples instrumento nas mãos de Deus para cumprir os seus propósitos eternos.

Como isso é confortante para nós, queridos, saber que Deus está no controle de todas as coisas, e que todos os poderosos deste mundo estão sob o seu poder. Como é confortante para nós, saber que o nosso Senhor decidiu nascer pobre, numa família pobre, numa cidadezinha pobre, e por meio de sua humilhação, adquiriu para nós um título de glória. Como é confortante para nós, saber que o nosso Senhor, durante toda a sua vida, foi pobre por amor de nós, desde o seu nascimento até a sua morte, para que, pela sua pobreza fôssemos feitos ricos, coerdeiros da glória eterna do Pai.

Quanta diferença do que se prega hoje. Queridos, ser pobre não é nenhuma desonra. Afinal, o próprio Filho de Deus, honrou a pobreza material ao assumi-la voluntariamente, desde o seu natal.

Na sequência do texto nós vemos como Deus continuou agindo de forma diferente do que poderíamos imaginar para o natal de Jesus. Quem foram os primeiros a receber a notícia de que Jesus nascera? Pela nossa lógica capitalista que valoriza mais o ter do que o ser deveria ter sido os governadores judeus, os sacerdotes, os escribas e fariseus, as autoridades da época. Mas não foi assim. Foi a simples pastores que viviam nos campos, guardando os seus rebanhos durante as vigílias da noite. Por isso, está escrito em Tg 2.5 – Não escolheu Deus os que para o mundo são pobres, para serem ricos em fé e herdeiros do reino que ele prometeu aos que o amam? Deus é Senhor!

Outra coisa que nos chama atenção no texto lido é o fato de que os primeiros a adorarem a Deus quando Jesus nasceu foram os anjos e não os homens. Sabem por que? Porque diferentemente dos homens pecadores, os anjos se alegram com o que Deus faz, e eles sabiam que Deus mandou o Messias para nos salvar, conforme eles anunciaram aos pastores: Hoje vos nasceu na cidade de Davi, o salvador, que é Cristo, o Senhor (v.11).

Por isso eles louvaram, dizendo: Glória a Deus nas maiores alturas (v.14). Os anjos sabiam que o natal de Jesus, a sua vida, morte e ressurreição glorificam mais a Deus do que a própria criação. Eles sabiam que a glória de Deus deve ser muito mais elevada na restauração do homem pecador. Por isso os anjos continuaram o seu louvor dizendo: Paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem, porque na plenitude do tempo, é chegada a paz de Deus na terra, nasceu Jesus, o Filho encarnado, o único capaz de nos reconciliar com Deus Pai. Aleluia!

Este é o verdadeiro sentido do natal, queridos. A data? É hoje, como está escrito no v.11 – é que hoje vos nasceu na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor. Portanto, o verdadeiro natal de Cristo é sempre hoje. Por isso, assim como os anjos louvaram a Deus, jubilosos por causa do nascimento de Jesus, o mesmo acontece toda vez que um pecador se arrepende, como está escrito em Lc 15.7,10, que há júbilo nos céus diante dos anjos de Deus por cada pecador que se arrepende.

O amor de Deus por nós é tão grande que contagia os anjos. Eles sabem que cada vez que um pecador se converte, significa que Cristo nasceu em seu coração, e que esse pecador passou a fazer parte da família de Deus. Por isso, irmãos queridos, nós que fazemos parte dessa família, como os anjos, devemos glorificar e louvar a Deus com alegria, por tudo que nos foi anunciado através da sua Palavra. Mateus 1.21 nos afirma que Jesus, o Salvador, veio ao mundo para salvar o seu povo dos pecados deles.

É com esse propósito que o fato histórico do Natal de Jesus se repete espiritualmente em nossos corações, não apenas a cada ano, mas a cada dia, a cada instante, para que as nossas vidas anunciem o louvor da glória do Pai. Feliz natal a todos quantos Deus quer bem. Amém.

A soberana e graciosa misericórdia de Deus – Rm 9.14-16; Hb 2.16; Jd 6

Queridos, na mensagem do boletim nós falamos acerca da soberania de Deus, e agora vamos falar sobre a soberana e graciosa misericórdia de Deus para conosco.

Mas, por que Deus precisa usar de misericórdia para conosco? Por que todos nós caímos na miséria do pecado. Sabemos que todas as coisas acontecem de acordo com os propósitos de Deus, e também sabemos que nada escapa à sua soberania, nem mesmo aqueles que não são alvo da sua misericórdia.

Sabemos que Deus criou todas as coisas, inclusive anjos e homens, e que as duas classes caíram em pecado pelo mesmo motivo: desobediência, arrogância, presunção. Os primeiros, os anjos, rebelaram-se nos céus, e de lá foram expulsos da glória de Deus. Os segundos, os homens, rebelaram-se na terra, no jardim do Éden, e de lá também foram expulsos da glória de Deus. Certamente morrerás (Gn 2.16); Porque o salário do pecado é a morte (Rm 6.23). As duas classes morais criadas caíram da glória de Deus para a miséria do pecado.

Porém, chamamos atenção para algumas diferenças nas duas situações: a primeira é que não foram todos os anjos que se rebelaram; apenas uma parte. Já os homens, todos herdaram a natureza pecaminosa dos primeiros pais que pecaram. A segunda diferença é mais acentuada: aos anjos caídos não lhes foi dada oportunidade de arrependimento e salvação. Segundo o escritor aos Hebreus, Deus não socorre a anjos, mas socorre a descendência de Abraão (2.16).

Aos homens, portanto, na sua soberana e graciosa misericórdia, o Senhor Deus providenciou o plano eterno de redenção: Jesus Cristo, o Deus Filho fez-se homem para assumir a culpa pelos nossos pecados, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo (Hb. 2.17). A criação moral de Deus, anjos e homens caíram na miséria do pecado. Mas, em sua soberania, Deus destinou a sua graciosa misericórdia apenas aos homens. Como ensina Judas, Os anjos, os que não guardaram o seu estado original, […], ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas para o juízo do grande dia (Jd 6). Que coisa terrível!

Ah! Irmãos, precisamos considerar estas coisas. Quantos pecadores ainda questionam a soberania de Deus porque salva apenas aqueles que ele mesmo escolheu. Vejam em que situação miserável o pecado deixou o homem. Na sua arrogância e presunção, é comum ouvirmos de pecadores a acusação de que Deus é injusto em salvar algumas pessoas e outras não. Porém, eu tenho certeza que ninguém jamais ouviu a acusação de que Deus é injusto por não salvar os anjos caídos, mesmo sabendo que eles são criaturas infinitamente superiores a nós. E por que Deus não os salva? Por que, na sua soberania, desde a eternidade, ele determinou que não socorreria a anjos. Lembram? Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão (Rm 9.15; Ex 33.19).

Sabemos que os anjos são seres infinitamente superiores aos homens. Talvez por isso eles sejam imperdoáveis diante de Deus. Como é bom saber que Deus destinou a nós, frágeis seres humanos, a sua soberana e graciosa misericórdia. Por isso, devemos adorá-lo e glorificá-lo, como manda o salmista: Rendei graças ao Senhor, porque ele é bom, porque a sua misericórdia dura para sempre (Sl 136.1).

Irmãos, nós precisamos considerar estas coisas! Lembrem-se que o Deus Filho, para vir nos salvar, atravessou as regiões celestes onde se encontram os anjos caídos, e não lhes deu a sua misericórdia. Chegou à terra, e ele mesmo afirmou que muitos são chamados, e poucos escolhidos (Mt 22.14); sabemos que a maioria dos homens vive chafurdando nos seus pecados, e morrerão assim, sem fazer o menor caso da salvação oferecida pelo Senhor Jesus, e nós não podemos nos conformar com esse estilo de vida.

É verdade que Deus é amor, mas nem por isso ele agraciou com o perdão os seus anjos rebeldes. Na sua soberania, Deus concede misericórdia a quem ele quer. De vez em quando eu lembro aos irmãos, como o Senhor Jesus foi bastante claro com os judeus, que se achavam os únicos merecedores da graça de Deus: Na verdade vos digo que muitas viúvas havia em Israel no tempo de Elias, quando o céu se fechou por três anos e seis meses, reinando grande fome em toda a terra; e a nenhuma delas foi Elias enviado, senão a uma viúva de Sarepta de Sidom. Havia também muitos leprosos em Israel nos dias do profeta Eliseu, e nenhum deles foi purificado, senão Naamã, o siro (Lc 4.25-27). Deus é soberano sobre a sua criação!

Irmãos, nós precisamos considerar estas coisas! Nós que recebemos a visitação do Senhor; nós que, pela sua misericórdia, nos é dado ouvir o evangelho da salvação pela graça; nós que podemos estar livremente em uma igreja, na comunhão dos irmãos para cultuar a Deus, quando sabemos que ele deixou para trás os seus próprios anjos caídos, não lhes concedendo a sua misericórdia, não podemos negligenciar a tão grande graça, não podemos negligenciar a tão grande amor, não podemos negligenciar a tão grande salvação, como adverte o escritor aos Hebreus (Hb 2.3).

Sabem por que Deus nos escolheu? Certamente não foi por qualquer mérito nosso. Eu creio que todos nós conhecemos várias pessoas muito melhores do que nós, e que não foram eleitas por Deus. Também não foi por causa de algum talento ou algum ministério que desenvolvemos. Eu creio que todos nós também conhecemos várias pessoas mais talentosas do que nós na Igreja, e que desenvolvem ministérios que, ao invés de aproximá-las mais de Deus, as afasta por causa do orgulho, da arrogância e da presunção que endurece os seus corações e as enche de vanglória.

Deus Pai nos escolheu porque, na sua soberania, teve misericórdia de nós e nos elegeu para sermos feitos seus filhos. Por isso devemos adorá-lo sobre todas as coisas. Devemos adorar a Deus Pai, porque, na sua soberania, teve misericórdia de nós, e, pelo seu Espírito nos despertou para esta verdade maravilhosa de que fomos eleitos desde antes da fundação dos tempos, para sermos feitos seus filhos, em Cristo Jesus. Devemos adorar a Jesus, nosso Senhor e Salvador, porque, na sua soberania, deixou para trás miríades de anjos, teve misericórdia de nós, e veio morrer por causa dos nossos pecados, e nos chamar das trevas para a sua maravilhosa luz (1Pe 2.9).

Queridos, hoje é mais um dia da visitação de Deus, em sua soberana e graciosa misericórdia. Eu sei que algumas pessoas estão cansadas de ouvir o que podem chamar de “a mesma ladainha”; pessoas sempre dispostas a achar que não precisam de tanta admoestação, mas eu lhes garanto que estão equivocadas. Que ninguém se estribe no seu próprio entendimento (Pv 3.5). Que ninguém seja sábio aos seus próprios olhos (Rm 12.16). Lembrem-se de que a misericórdia de Deus é graciosa, mas também é soberana, e é ele quem manda os pastores admoestarem incansavelmente (2Tm 4.2).

A soberana e graciosa misericórdia de Deus, que não socorre a anjos, continua sendo oferecida hoje a frágeis homens pecadores. Por isso, eu os exorto a que orem sem cessar, e peçam graça a Deus para que os ajude a demonstrar com as suas vidas, com as suas atitudes, que foram alcançados pela soberana e graciosa misericórdia de Deus; peçam graça para viver de acordo com a santa vocação para a qual fomos chamados, em detrimento dos próprios anjos, que não acharam graça diante de Deus.

Há! Irmãos, como ensina o salmista, não fosse a misericórdia de Deus, há muito teríamos sido consumidos (Sl 124.1-2). Isto é misericórdia, irmãos! Soberana e graciosa misericórdia de Deus em nos chamar para perto de si. Misericórdia, irmãos, soberana e graciosa misericórdia que Deus tem de quem lhe apraz ter misericórdia, os seus eleitos que ele chama, justifica e santifica para que vivam para o louvor da sua glória. Esta é a Palavra de Deus para a sua Igreja. Que ele mesmo a aplique aos nossos corações. Amém.

O cristão e a mordomia cristã – 1Cr 29.10-18

 

Queridos, vamos falar sobre mordomia, e como sabemos, por causa da prática dos falsos pastores, quando se fala em mordomia, normalmente se pensa logo em dízimos e ofertas, o que é um equívoco. Como podemos ver nesta oração do rei Davi, o homem segundo o coração de Deus tinha um conhecimento muito claro sobre o assunto. Ele sabia o que é mordomia, e nós precisamos aprender com ele.

Em primeiro lugar, para compreender melhor o que seja mordomia, como o rei Davi, nós precisamos ter em mente que todas as coisas pertencem a Deus, foi ele quem as criou e, pela sua graça, ele nos deu poder para administrar a sua criação. Sem esse entendimento não há base para falar sobre mordomia. Como podemos ver, para Davi, o Senhor Deus está acima de todas as coisas, de eternidade a eternidade. O Rei sabia que tinha todo poder sobre a nação de Israel e sobre todas as outras nações que Israel subjugou, mas sabia que tudo isso vinha de Deus (ler vv.11-12).

Observem que, no v.11 Davi faz uma relação das coisas, muitas delas inerentes à sua posição de Rei como a grandeza, o poder, a honra, a vitória e a majestade, e estas coisas, de fato, pertenciam ao rei, mas ele credita tudo isso a Deus. Davi sabia que Deus é o rei Supremo, aquele que está acima de tudo e de todos, como ele declara no Sl 22.1 – Ao Senhor pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam. Tudo pertence a Deus. Foi esta a base do ensino do Senhor Jesus ao concluir a oração do Pai nosso: Pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre (Mt 6.13).

Esta é a primeira verdade fundamental que aprendemos nessa oração do rei Davi e que não podemos esquecer: Todas as coisas pertencem a Deus, inclusive e especialmente, nós mesmos. Nós fomos criados por Deus para louvor da sua glória. Sabemos que nossos primeiros pais pecaram e nos colocaram em inimizado com o Criador. Mas também sabemos que o Senhor, pela sua graça, nos reconciliou consigo mesmo, em Cristo Jesus. Nós fomos comprados por preço, e esse preço foi o sangue de Jesus. Seja na criação ou na recriação, somos propriedade do Senhor.

Como está escrito 2Co 5.15 – ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. Portanto, não somos de nós mesmos, mas de Cristo. Irmãos queridos, se não vivemos ou agimos no sentido de fazer a vontade de Deus, estamos roubando o que lhe pertence e usurpando a sua propriedade e a sua autoridade. Todas as coisas pertencem a Deus.

Em segundo lugar, como consequência do entendimento primeiro de que todas as coisas pertencem a Deus, vemos o rei Davi declarar que Deus é o doador de todas as coisas. Isso é uma consequência lógica. Nos vv.12,14,16 Davi confessa o seu conhecimento de que tudo aquilo que ele relacionara no v.11, tudo aquilo que ele e o reino de Israel possuem vêm do Senhor. Ler os vv.12,14,16.

Nada do que o homem possui tem origem nele mesmo; tudo vem das mãos de Deus, como o profeta Daniel também proclama: Seja bendito o nome de Deus, de eternidade a eternidade, porque dele é a sabedoria e o poder; é ele quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis; ele dá sabedoria aos sábios e entendimento aos inteligentes (Dn 2.20-21).

Tudo o que temos é pela graça de Deus, é dádiva de Deus, nós somos apenas mordomos. Por isso, não há nada que Deus venha a requerer de nós que ele mesmo já não nos tenha dado. Satanás e o mundo querem nos fazer crer que Deus exige muito de nós. “É um absurdo o pastor querer que eu esteja na igreja nos domingos e nos estudos bíblicos semanais, como se eu tivesse tempo”. Como não tem tempo, se o tempo é de Deus e foi ele que lhe deu todo o tempo de que você dispõe? “É um absurdo o pastor querer que eu dê o dízimo de tão pouco que eu ganho”. Como pode ser absurdo requerer apenas 10% dos 100% que lhe foram dados? Seja muito ou pouco, é Deus quem nos dá 100% de tudo o que dispomos; ele nos dá vida, inteligência, saúde e força para produzir os 100% a partir da matéria prima que ele também nos dá, e requer a devolução de apenas 10% dos 100% que ele nos deu. Como isso pode ser um absurdo?

Irmãos queridos, tudo pertence a Deus, e tudo vem de Deus; nós somos apenas mordomos. Vamos continuar aprendendo com o rei Davi, que, como mordomo de Deus, com todo conhecimento, apresentou três virtudes indispensáveis a um mordomo fiel:

A primeira é a fidelidade – (v.14) – Neste versículo vemos que Davi, nem de longe, teve a intenção de se apropriar, ou de reter para si aquilo que pertence a Deus; nem de longe o rei teve a intenção de usar o reino de Israel para a sua própria glória, mas, exclusivamente para a glória de Deus. Quem sou eu e quem é meu povo? Como dar voluntariamente o que se não tem? Como poderíamos das essas coisas ao Senhor se dele não as tivéssemos recebido antes?

O rei Davi sabia que mordomia não é uma questão de boa vontade, mas, de fidelidade, como Paulo também nos ensina em 1Co 4.2 – o que se requer dos despenseiros é que cada um seja encontrado fiel. O bom despenseiro ou mordomo sabe exatamente o que pertence ao seu Senhor, e sabe como o Senhor quer que seus bens sejam administrados. O rei Davi, mesmo sendo rei, tinha plena consciência de que era apenas um mordomo, e que precisava ser fiel ao seu Senhor.

A segunda virtude apresentada por Davi é a sinceridade e voluntariedade – (v.17a,b) – Sinceridade e voluntariedade, irmãos! Ânimo de servir espontaneamente, simplesmente como gratidão por tudo que Deus nos dá. Como Deus é Senhor, é claro que ele poderia nos obrigar a lhe tributar sobre todas as coisas que dele recebemos. Porém, não é assim que Deus quer; ele quer que lhe tributemos sobre tudo o que recebemos, mas que o façamos com amor, com sinceridade e com voluntariedade, como forma de adoração ao nosso Deus que nos dá todas as coisas.

A terceira virtude é a alegria – (v.17c) – Observem como o rei Davi testemunha diante de Deus, mesmo sabendo que Deus já sabia como, naquela ocasião, o povo dava com alegria aquilo que havia recebido do Senhor, e que agora devolvia como dízimos e ofertas para a construção do templo. Davi conseguiu passar para o povo de Israel que, ao invés de tristeza, o bom mordomo sente prazer ao perceber o seu Senhor sendo servido, honrado e glorificado. Toda esta oração de Davi era a expressão da sua alegria em ver o povo contribuindo para a construção do templo. O rei sabia que Deus se agradava daquela atitude do povo. O apóstolo Paulo também nos ensina isso acerca das ofertas voluntárias: Cada um contribua segundo tiver proposto no seu coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria (2Co 9.7).

Queridos, esse é o ensino bíblico sobre mordomia: a primeira coisa que precisamos ter em mente, o fundamental, é que todas as coisas pertencem a Deus; a segunda coisa que precisamos ter em mente, como consequência lógica da primeira, é que tudo o que temos nos foi dado graciosamente por Deus, o real dono da terra, de tudo o que nela se contém, do mundo e dos que nele habitam, e que, inclusive nós, somos propriedade de Deus.

A par disso, concluindo, sabedores de que somos apenas mordomos do Rei, o real dono de todas as coisas, precisamos ser mordomos féis, não permitindo que sequer passe pela nossa cabeça querer usurpar o que pertence ao nosso Senhor, e que, pela sua graça, nos confiou a administração, a mordomia dos seus bens; sabedores de que somos apenas mordomos do Rei, o real dono de todas as coisas, precisamos desempenhar esse papel com sinceridade e voluntariedade, não por constrangidos, mas espontaneamente, com o coração cheio de gratidão por tão grande honraria que o Senhor nos concedeu de sermos administradores do seu reino cósmico; sabedores de que somos apenas mordomos do Rei, o real dono de todas as coisas, precisamos desempenhar esse papel com alegria pelo simples fato de saber que o nosso Senhor é servido, honrado e glorificado com a nossa obediência e reconhecimento de que ele é Senhor sobre todas as coisas. Ele é o nosso Senhor!

Esta é a Palavra de Deus para a sua igreja. Que cada um pense nas coisas que Deus lhe tem confiado; que cada um pense no modo como estas coisas têm sido administradas; que cada um seja achado um mordomo fiel, que administra todas as coisas sob sua guarda exclusivamente para honra e glória do Senhor do universo, o real proprietário de todas as coisas, inclusive de nós mesmos. Amém.

O cristão e a Igreja – 2Co 5.18-20

 

Queridos, a Carta aos Efésios trata da Igreja como corpo de Cristo. Portanto, nesse sentido, todo aquele que é nova criatura em Cristo, naturalmente faz parte da Igreja de Cristo. Não há como ser um cristão, um remido pelo sangue de Cristo, sem ter um relacionamento saudável com a igreja de Deus, sem compartilhar o amor pela igreja que a Bíblia apresenta como o corpo de Cristo.

Que ninguém se engane! Se alguém se diz cristão, mas não consegue ter comunhão com os irmãos, não consegue ser membro fiel de uma igreja local, esse alguém pode estar indo para o inferno. Isso é radical, irmãos? Sim! É tão radical quanto a Bíblia; é tão radical quanto ser cristão. Por isso, nós precisamos saber o que significa ser cristão realmente, e fazer parte da Igreja de Deus.

Em primeiro lugar nós precisamos saber que um cristão é alguém que, antes e acima de tudo, foi perdoado de seus pecados e reconciliado com Deus, o Pai, por meio de Jesus Cristo: Ora, tudo provém de Deus que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação (2Co 5.18). Isso acontece quando a pessoa é tocada pelo Espírito Santo, se arrepende de seus pecados e coloca sua fé na vida perfeita, na morte substitutiva e na ressurreição de Jesus Cristo, o Filho de Deus. Ele é a propiciação pelos nossos pecados.

Propiciação é o ato de apaziguar o Senhor Deus em sua ira santa contra o pecador, é o ato que torna possível ao pecador voltar à presença de Deus. Portanto, o cristão é, primeiramente, alguém que em Cristo foi reconciliado com Deus. Cristo satisfez as exigências da lei, aplacou a ira de Deus por causa do pecado, e o cristão é agora reconciliado com Deus, consequentemente chamado a uma vida de santidade, na esperança de um dia estar diante da majestade de Deus, na glória do céu.

Em segundo lugar, o cristão é alguém que, pela graça da sua reconciliação com Deus, também foi reconciliado com o povo de Deus. Antes da reconciliação com Deus isso não era possível. Nós sabemos que o pecado de Adão quebrou a comunhão com Deus, resultou num rompimento imediato da comunhão entre os seres humanos, e a partir de então, todo homem vive para si mesmo. O egoísmo e o individualismo que estão ficando insuportáveis até mesmo nas igrejas, fazem parte de um fenômeno perfeitamente compreensível, decorrente do pecado. Quando o seu deus é você mesmo, o seu coração ficará ocupado com o seu próprio ego, e você não deixará que outro ser humano ocupe esse lugar. Foi por isso que Caim matou Abel. No seu coração só havia lugar para ele.

Por causa disso o Senhor Jesus ensinou o que somente os cristãos reconciliados com Deus e com o próximo podem compreender: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas (Mt 22.37-40). Esses dois mandamentos andam naturalmente juntos como fruto da reconciliação. O primeiro, o amor a Deus, produz o segundo, e o segundo, o amor ao próximo, comprova o primeiro.

Portanto, ser cristão é ser reconciliado com Deus, e ser reconciliado com Deus por meio de Cristo significa ser reconciliado com todos aqueles que estão reconciliados com Deus. É isso que Paulo explica aos Efésios, sobre a reconciliação entre judeus e gentios convertidos, e, por extensão, entre todos os que estão em Cristo: Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade… para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade (Ef 2.14-16).

Todos os que pertencem a Deus são concidadãos dos santos e membros da família de Deus (Ef 2.19), e a família de Deus não pode ser uma família disfuncional, cujos membros não têm comunhão uns com os outros. Quando Deus nos chamou à comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor (1Co 1.9), ele também nos chamou à comunhão com toda a sua família.

O nome dessa família é igreja. Prestem atenção, irmãos! Não dá para explicar o que significa ser cristão sem falar sobre a igreja, que é a assembléia dos cristãos. É a própria Bíblia que apresenta inúmeras metáforas referentes à Igreja nesses termos: uma família, uma comunhão, um corpo, uma noiva, um povo, e em todos os casos, o Novo Testamento nunca retrata o cristão como alguém que existe fora da comunhão da igreja, que, segundo a Bíblia, é a assembleia de um povo — o povo de Deus em Cristo Jesus.

Por isso, quando alguém é convertido, ele não se torna membro de uma igreja local só porque isso é um hábito sociocultural-religioso que contribui para a sua socialização, como se vê em nossos dias. Ele se une a uma igreja local porque isso é a expressão daquilo em que Cristo o tornou: um pecador reconciliado com Deus em Cristo Jesus, e estar unido a Cristo implica estar unido a outros cristãos em uma igreja local. É assim que o Novo Testamento traz tantas cartas a igrejas locais: “À igreja de Deus que está em Corinto”; “às igrejas do Apocalipse: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia, Laodicéia”.

Portanto, meus queridos, eu agora me dirijo a cada um em particular. Se você não tem qualquer interesse em se comprometer verdadeiramente com um grupo de cristãos que se reúnem para ouvir a Palavra de Deus, que estudam a Bíblia e creem no evangelho, deve perguntar a si mesmo se, de fato, pertence ao corpo de Cristo.

É para essa situação irregular que o escritor aos hebreus chama atenção: Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel. Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima. Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários. (Hb 10.23-27).

O verdadeiro cristão sabe o que é igreja. Ser cristão é pertencer a um povo, o povo de Deus; é estar no mesmo lugar onde este povo está; é suportar quem é difícil de aguentar; é amar quem não merece ser amado, assim como Deus fez e faz conosco. O cristão sabe que isso é algo maravilhoso, sabe que isso é milagre. Só o poder de Deus pode fazer isso, e nós precisamos saber que as virtudes que Deus nos deu quando nos reconciliou consigo não se desenvolvem na solidão. Por isso ele nos deu o ministério da reconciliação, e nós precisamos estar juntos para desenvolver as virtudes de um cristão, enquanto anunciamos a maravilhosa salvação de Deus em Cristo Jesus (vv.19-20).

É assim que demonstramos ao mundo que fomos mudados, que somos cristãos. Não só porque andamos com a Bíblia, memorizamos alguns versículos, oramos antes das refeições, damos o dízimo, e sim porque evidenciamos de maneira crescente uma disposição de suportar, perdoar e amar um grupo de pecadores semelhantes a nós. E é exatamente aqui, irmãos, na igreja, no meio de um grupo de pecadores que se comprometem a amar uns aos outros, que a nossa reconciliação com Deus é demonstrada.

É isso que significa ser cristão e pertencer a uma igreja: fazer parte do corpo de Cristo e demonstrar, viver, pregar o evangelho da salvação ao mundo, através da nossa unidade cristã, enquanto Deus nos acrescenta os que forem salvos pela sua graça.

Essa á a mensagem de Deus para a sua Igreja. Que ele mesmo, pela sua graça, a aplique em nossos corações, a fim de que vivamos para o louvor da sua glória. Amém.