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Arquivo mensal Dezembro 27, 2015

A Igreja como instrumento do Reino de Deus Mt 16.18

Queridos, quem conhece a História da Igreja sabe como ela tem se desviado da sua finalidade ao longo do tempo. Primeiro foi o Catolicismo Romano que tirou a Igreja do seu foco como instrumento do reino de Deus para a pregação do evangelho da salvação, substituindo as Escrituras Sagradas por tradições humanas. Como consequência, o próprio clero arvorou-se capaz de determinar a salvação e a condenação eternas.

Veio a Reforma Protestante, e uma parte da Igreja voltou às Escrituras, sem, contudo, manter-se livre de contaminações. Afinal, a Igreja é composta por pecadores, e o que é pior, há joio misturado ao trigo (Mt 13.24-30). Assim, no início do século vinte, com o advento do Pentecostalismo, novamente a Igreja substituiu a revelação objetiva de Deus nas Escrituras Sagradas por supostas revelações subjetivas, de acordo com as necessidades emocionais das pessoas. A revelação de Deus foi então substituída pela experiência humana.

Como é característica da nossa época a prevalência dos sentimentos, a prevalência da emoção sobre a razão, o Pentecostalismo gerou o Neopentecostalismo, movimento religioso desprovido de ética cristã, no qual consolidaram-se as negociações de bens simbólicos com a venda de supostas bênçãos, e a transformação de grande parte da Igreja dita evangélica naquilo que ficou conhecido nas Ciências Sociais como Mercado da Fé.

Em nosso contexto pós-moderno, a Igreja então passou a ser apenas uma instituição a mais, disputando clientes no mercado de consumo, ao lado de outros complexos econômicos. Segundo o cientista social Reginaldo Prandi, como a sociedade e a nação não precisam da Religião para nada em essencial ao seu funcionamento, e a ela recorrem apenas festivamente, a religião foi passando pouco a pouco para o território do indivíduo. E deste para o do consumo, onde se vê agora obrigada a seguir as regras do mercado.

Como é triste ver a Igreja sendo estudada e qualificada dessa maneira pela Ciência: apenas como uma instituição econômica a mais no mercado. Obviamente, essa não é a Igreja do Senhor Jesus. Como lemos, ele afirmou que a sua Igreja será edificada por ele mesmo, e que as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Isso quer dizer que, mesmo com tanto joio no meio do trigo, a verdadeira Igreja de Cristo há de prevalecer em seu papel de instrumento do reino de Deus para levar a mensagem do evangelho da salvação aos pecadores.

Vamos examinar mais de perto essa maravilha de Deus.

Quando o Senhor Jesus diz a Pedro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, ele não está dizendo que Pedro é a pedra fundamental da Igreja, conforme a interpretação da Igreja Católica Romana. Aqui há um jogo de palavras, já que Pedro significa pedra. Porém, conforme podemos ver em outros textos bíblicos, a pedra sobre a qual Jesus afirma que edificará a sua Igreja é ele mesmo, e não Pedro.

Desde a profecia de Zacarias, já fora dito que de Judá sairá a pedra angular (Zc 10.4). Jesus é da tribo de Judá, e é sobre esta pedra que ele fala. Em Mt 21.42, citando o Salmo 118.22, Jesus diz: A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular. A pedra é ele mesmo. Em At 4.11, com base nesta afirmação do Senhor Jesus, o próprio Pedro, cheio do Espírito Santo, confrontou os sacerdotes judeus, dizendo: Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular. Em 1Co 10.4, falando sobre a salvação dos israelitas no deserto, Paulo diz que eles bebiam de uma pedra espiritual que os seguia. E a pedra era Cristo.

Portanto, não resta dúvida de que a pedra de que Jesus falou, sobre a qual ele edificaria a sua Igreja, é ele mesmo. Não é sem razão que o Salmo 118.22 citado pelo Senhor Jesus termina afirmando que isso procede do Senhor, e é maravilhoso aos nossos olhos.

Pois bem, a Igreja edificada pelo Senhor Jesus sobre ele mesmo, como a pedra angular, é uma maravilha de Deus. Logo, quem prevalecerá contra ela? Como Jesus garante, nem mesmo as portas do inferno serão capazes de impedir que a Igreja desempenhe o seu papel como instrumento do reino de Deus.

Porém, quando vemos a Igreja sendo qualificada e estudada pela Ciência como uma instituição econômica secular na disputa por mercado, isso não acontece sem razão. O que vemos na dita igreja evangélica? Todos querem glória para si. Para além da comercialização de bens simbólicos no mercado da fé neopentecostal, todos esses programas de crescimento de Igreja como encontros de casais, encontro de jovens, cursilhos, entre outros, na tentativa de arrebanhar prosélitos, certamente devem ser classificados como aquilo que o apóstolo Paulo chama de artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro(Ef 4.14).

Prestem atenção, irmãos! Se as pessoas não forem trazidas para a Igreja pelo Senhor, elas jamais serão nutridas por ele, uma vez que elas não fazem parte do seu corpo, e nelas não habita o Espírito do Senhor. Elas jamais serão capazes de aprender a doutrina, porque o seu real desejo é a solução para os seus problemas pessoais, familiares e econômicos, e não a glória do Senhor da Igreja.

A Igreja não é um negócio humano, nem se pode pretender transformá-la num império econômico, como vemos largamente nas práticas mercantilistas de muitas denominações religiosas. Precisamos saber que a Igreja não é o reino de Deus, muito menos reino dos homens. Ela é agente do reino de Deus, o único agente neste mundo, determinado e credenciado por Deus para proclamar o evangelho da salvação.

A Igreja é do Senhor Jesus; ela é algo maravilhoso; é o corpo de Cristo formado, nutrido e edificado por ele mesmo, para habitação de Deus no Espírito (Ef 2.22). Quando a Igreja realmente é habitação do Espírito de Deus, ela vive o evangelho que prega com a vida, enquanto Deus mesmo reúne os seus eleitos (At 2.47), e estes são pastoreados por um pastor constituído pelo Espírito Santo (At 20.28), até a volta de Jesus. Como ele mesmo disse, ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas ouvirão a minha voz; então haverá um rebanho e um pastor (Jo10.16).

 É por isso que as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja. Porque ela é a voz de Jesus chamando as suas ovelhas, os eleitos do Pai. No entanto, nós precisamos saber que a finalidade última da Igreja não é o seu crescimento numérico, não é a sua própria glória, mesmo sendo ela o instrumento de Deus para a pregação do evangelho da salvação.

Foi exatamente aí que a Igreja Católica Romana se perdeu, usurpando a glória de Deus, ao imaginar que tem o poder da salvação e da condenação de pecadores. Precisamos saber que Igreja sequer é a mensagem do evangelho. Ela é o meio determinado por Deus, através da qual a mensagem é pregada, de modo que Deus mesmo faça a separação entre salvos e condenados, tanto uns como outros, para louvor da sua glória.

Esta é a finalidade da Igreja enquanto instituição neste mundo: instrumento do reino de Deus. Lembrem-se, irmãos! A Igreja é o único agente de Deus, credenciado a proclamar o seu reino, a sua justiça, a mensagem do evangelho que confronta os pecadores, e os chama ao arrependimento para salvação. É por isso que as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja, porque ela é o instrumento de Deus para arrebanhar os seus eleitos.

Como é bom saber destas coisas! Como é bom saber que a Igreja é de Deus, e que é o Senhor Jesus quem a edifica, nutre e conduz. É por isso que conseguimos atravessar mais um ano tão cheio de dificuldades em nosso país. O Senhor cuida da sua Igreja.

Sejamos perseverantes, irmãos! Neste ano que se avizinha, continuemos buscando cada vez mais o conhecimento do Senhor, a fim de que vivamos de acordo com a sua vontade, comprovando com as nossas vidas que Deus está agindo maravilhosamente através da Igreja, para a redenção final do seu reino, para louvor da sua glória. Amém.

O Natal de Jesus – Mt 1.18 – 2.12

Queridos, parece que foi ontem, mas chegou o Natal novamente. Época de festa, de alegria, troca de presentes… Mas, o que nós sabemos sobre o verdadeiro sentido do Natal de Jesus Cristo? O significado da palavra natal quer dizer data de nascimento, não importa de quem seja. Porém, o natal que festejamos não é a data de nascimento de uma pessoa qualquer. Conforme o texto lido, trata-se do nascimento de Jesus Cristo, o Messias prometido, o Salvador de todos quantos nele crêem, nascido de uma virgem, a virgem Maria, sob o poder do Espírito Santo, em cumprimento da profecia.

O Deus Filho, a Segunda Pessoa da Trindade, tomou forma de homem, para demonstrar que o pecado pode ser vencido. Ele nasceu, morreu a nossa morte e ressuscitou ao terceiro dia, para vivermos a sua vida, única maneira de salvar o seu povo dos pecados deles (1.21), para nos reconciliar com Deus Pai. O Natal, portanto, não é apenas uma data comemorativa, quando as pessoas se confraternizam e trocam presentes. É claro que essa prática é gostosa, salutar, mas não é só isso. Trata-se do momento em que o Salvador veio ao mundo para salvar os eleitos do Pai. Infelizmente, a essência, o sentido espiritual da vinda de Deus Filho sucumbiu, abafado pelo mercantilismo que estimula o consumismo.

Algumas informações culturais nos ajudarão a compreender o desenvolvimento desse processo de banalização do natal de Jesus Cristo. Era costume da época, levar presentes a um rei, quando este era visitado. Ouro, prata, linho fino e seda eram largamente utilizados para esse fim. Como lemos no texto, esperava-se o cumprimento da profecia de que nasceria um menino, descendente do rei Davi, que herdaria o trono com a finalidade de libertar o povo judeu, então sob o domínio do Império Romano.

Ao tomar conhecimento do natal do Messias prometido, uns magos vindos do oriente, acorreram ao local em visita ao verdadeiro Rei que acabara de nascer, levando-lhe presentes, como era costume, e o adoraram.  Ouro, incenso e mirra foram os valiosos presentes por eles entregues, único dado pelo qual tradicionalmente julgou-se serem três magos, e não há qualquer indicativo de que eram reis.

Mas, será que foi somente isso que guardamos a respeito do nascimento de Cristo, o fato de que os magos levaram presentes ao Rei menino? Por que o fato de que eles o adoraram ao reconhecer a sua divindade, caiu no esquecimento? Feitas estas considerações, apelo para que todos reflitam sobre a sua festa de natal.  Será que o aniversariante, Jesus Cristo, o único que deve ser adorado, é o convidado especial da sua festa?  Se não for, considere a possibilidade de convidá-lo.

Somente ele poderá tornar não apenas a sua festa anual, mas toda a sua vida realmente feliz.  Somente ele, através de uma transformação completa de vidas poderá fazer homens justos que amam suas esposas incondicionalmente, como Jesus amou a Igreja, e se deu por ela; Somente Jesus, através de uma transformação completa de vidas poderá fazer mulheres sábias, companheiras submissas que edificam seus lares e auxiliam os maridos a educar seus filhos no temor do Senhor, e filhos obedientes que honram seus pais.

Enfim, somente Jesus, através de uma transformação completa de vidas poderá fazer um lar ajustado com a justiça do Justo Jesus, pelo poder de Deus. Somente a partir de um verdadeiro Natal de Cristo em sua vida, você terá infinitamente mais do que apenas um evento feliz, mais do que uma festa feliz.

Que Deus abençoe cada família aqui presente, para que possamos ser uma Igreja, mesmo pequena, capaz de fazer a diferença, no momento em que realmente vivemos para o louvor da glória de Deus. Amém.

Criados para louvor da glória de Deus – Sl 19

Queridos, os Salmos são o hinário de Israel, conforme Deus lhes deu, pela sua graça, para lhes lembrar a sua lei e as maravilhas que ele fez no meio do seu povo. As letras dos salmos foram inspiradas pelo Espírito Santo. Logo, os verdadeiros crentes não terão nenhuma dificuldade em perceber que essa ideologia moderna infiltrada na Igreja, de que os cânticos bíblicos, os cânticos dos Salmos estão ultrapassados, não passa de mais uma artimanha de Satanás para afastar o povo cada vez mais do conhecimento de Deus.

Como podemos facilmente constatar, os cânticos modernos, os chamados cânticos gospel, na sua grande maioria não têm teologia, e expressam pouco ou nenhum conhecimento da lei de Deus, ou do evangelho do Senhor Jesus. Por isso, aqui em nossa igrejinha nós preferimos cantar os Salmos, ou cânticos cujas letras sejam extraídas da Bíblia, e que expressem conhecimento da revelação de Deus para os seus eleitos.

Este salmo que lemos tem por título “a excelência da criação e da palavra de Deus”, mas esse título, que não faz parte do salmo, não expressa exatamente aquilo de que o salmo trata. O salmo trata do louvor e da glória de Deus na sua criação, na sua lei, e no reconhecimento destas coisas. Foi para isso que Deus criou todas as coisas: para o louvor da sua glória, inclusive e principalmente, o homem criado à sua imagem e semelhança.

Pois bem, vamos aprender com o salmista Davi. O salmo começa nos mostrando como a criação, os céus, o firmamento, o dia, a noite, os astros, as estrelas, o sol, enfim, toda a criação, mesmo sem emitir sons inteligíveis, louvam e glorificam o Senhor Deus, seu criador (vv.1-2).

Sem nenhuma dúvida, como podemos verificar ao longo do salmo, Davi não está nem de longe pensando na excelência da criação, como o título do salmo sugere, mas no louvor da glória de Deus expressado pela sua criação, mesmo pelos seres criados sem a possibilidade de falar, de expressar com palavras o louvor da glória de Deus. Que coisa maravilhosa!

Por que eu chamo atenção para o fato de que o salmo não trata da excelência da criação? Porque quando passamos a admirar a criação, tendemos a valorizá-la e a louvá-la mais do que ao criador, e isso já uma tendência natural do homem pecador.

O que precisamos ver neste salmo é que, mesmo que a criação não tenha linguagem, não tenha palavras, e não emita nenhum som inteligível, por toda a terra se ouve o seu louvor a Deus, o seu criador (vv.3-4). Ah! Irmãos, como isso deveria nos deixar humilhados diante de Deus. Nós, os seres humanos criados à imagem e semelhança de Deus, os únicos seres agraciados com a capacidade de expressar com palavras as maravilhas de Deus, somos exatamente os que negligenciam o louvor da sua glória.

No momento em que vemos o salmista declarando que os elementos naturais criados, mesmo sem linguagem, louvam Deus, não podemos deixar de refletir sobre a nossa inadequação como adoradores, sobre a nossa perversidade, sobre como estamos distantes da vontade Deus, o nosso criador. Como acusa o hino que cantamos, enquanto todos os elementos naturais cantam um hino ao Senhor, e tu, pecador que vagueias, que fazes ao teu criador? Não achas momento em que cantes um hino de glória ao Senhor? E sabem por que o pecador não canta um hino de glória ao Senhor?

Porque, como também podemos ver no salmo de Davi, mesmo que o pecador possa admirar as manifestações maravilhosas da natureza, ele jamais poderá discernir que tais manifestações são um hino de glória ao Senhor. É preciso algo mais da graça de Deus. Por isso, o salmista Davi passa a falar da lei de Deus, a sua revelação especial aos seus eleitos, motivo para louvá-lo e glorificá-lo com mais entendimento e mais alegria (vv.7-10).

A lei do Senhor, que na época de Davi serviu de aio para levar o povo de Deus a Jesus Cristo, agora também contempla e é contemplada nos evangelhos e nas cartas apostólicas. Portanto, toda a Bíblia, toda a lei do Senhor restaura a alma. Como o salmista diz em outro salmo, mesmo diante das maiores dificuldades, o que me consola na minha angústia é isto: que a tua palavra me vivifica (Sl 119.50). Toda a Bíblia, toda a lei do Senhor dá sabedoria aos símplices. Nos vv. 98 a 100 do mesmo Sl 119, o salmista afirma que a lei de Deus o torna mais sábio do que os mestres, mais entendido do que os idosos.

Toda a Bíblia, toda a lei do Senhor alegra o coração e ilumina os olhos. No v.11 do mesmo Sl 119, o salmista diz: guardo no coração a tua palavra para não pecar contra ti. Nada deve nos alegrar mais do que saber que estamos fazendo a vontade do Pai. Novamente, no v.115, vemos que a palavra nos ilumina os olhos, no momento em que é lâmpada para os nossos pés, e luz para o nosso caminho. Como é bom saber que estamos andando nos caminhos do Senhor, fazendo a sua vontade, para louvor da sua glória.

Irmãos, como podemos ver neste Salmo, somente quando somos agraciados com a revelação da vontade de Deus, conforme ele nos deu na sua lei, então nós seremos capazes de apreciar o hino de louvor cantado pelos elementos naturais criados por ele. Somente quando somos agraciados com a revelação da vontade de Deus, conforme ele nos deu na sua lei, então nós seremos capazes de meditar, de refletir em como nós temos sido negligentes com o louvor da glória de Deus, exatamente nós, os seres humanos criados à sua imagem e semelhança.

Então, sabendo destas coisas, resta-nos reconhecer, como o salmista Davi, que a lei de Deus serve para nos admoestar (v.10). Serve para nos ajudar a discernir as próprias faltas, para nos humilhar diante de Deus, e clamar pela sua graça, no momento em que entendemos que, diferentemente de toda a criação, que sequer tem linguagem inteligível, nós nem sempre cantamos um hino de glória ao Senhor, como toda a natureza proclama.

Ao contemplar a criação, ver e ouvir o seu louvor à glória de Deus, entendendo estas coisas pela lei de Deus, e admirando as suas maravilhas, não podemos deixar de orar ao Senhor, como o salmista Davi, clamando para que ele nos absolva das faltas ocultas, e que nos livre de ser dominados pela soberba, a fim de que nos apresentemos irrepreensíveis diante de Deus (vv.12-13).

Ah! Irmãos, como o salmista Davi conhecia o nosso Deus! Ele era capaz de identificar o louvor da sua glória na criação; ele era capaz de identificar o louvor da sua glória na lei, e, por causa disso, não podia deixar de irromper em louvor da glória de Deus, em oração, por saber que Deus era o seu criador e o seu redentor (v.14).

Precisamos aprender com o salmista Davi, um servo usado por Deus para pastorear o seu povo eleito, para nos ensinar, a fim de que possamos orar ao Senhor com intimidade, sabendo que, mais do que os elementos naturais da criação, pelo conhecimento da lei de Deus, e pelo meditar do nosso coração, possamos proferir palavras que sejam agradáveis ao Senhor, palavras que sejam a expressão da verdadeira adoração de pessoas criadas para o louvor da sua glória. Amém.

 

A terrível ira do Deus de amor – Rm 11.22

Queridos, há poucos dias um irmão novato aqui na nossa igrejinha me perguntou se eu já havia pregado sobre a ira de Deus, e eu lhe respondi que sim, e em várias ocasiões. Hoje celebraremos a Santa Ceia, ocasião em que normalmente se fala do grande amor de Deus, que deu seu Filho unigênito para nos salvar, conforme podemos ler em João 3.16, e como é bom ouvir falar de tão grande amor por nós.

Acontece que esse grande amor é só um lado da moeda; é só um dos aspectos que devem ser obrigatoriamente expostos tanto na pregação para o arrependimento quanto no discipulado cristão. O outro lado da moeda que não pode deixar de ser lembrado, sob pena de tornar a pregação falsa, é a ira de Deus contra o pecado e contra o pecador (Sl 5.5-6), motivo pelo qual Deus não poupou o seu Filho unigênito, que foi sacrificado em nosso lugar. É sobre isso que vamos falar hoje.

Irmãos, os salvos precisam saber do que foram salvos, e como foram salvos. Só então, juntamente com o conhecimento do amor, misericórdia e graça de Deus, atributos que consideramos maravilhosos porque nos favorecem, também saberemos que foi desviado de sobre nós outro atributo de Deus: a sua ira, atributo não menos santo, justo e indispensável por causa da santidade e da justiça de Deus.

Precisamos conhecer a relação entre a ira de Deus, a sua justiça, o seu amor, a sua graça, e a sua misericórdia. Precisamos considerar que se Deus não manifestasse a sua ira contra o pecado, estes outros atributos estariam prejudicados, uma vez que ele não seria justo na sua aplicação. Portanto, a ira de Deus é indispensável, porque ele não pode deixar o pecador impenitente sem receber o justo juízo, em retribuição aos seus pecados que ofendem a santidade de Deus.

Conforme as Escrituras, não podemos deixar de pregar sobre isso: A ira de Deus se manifesta de forma tão terrível contra o pecado e contra o pecador, que ele não poupou o próprio Filho, sacrificando-o na cruz, a única forma de aplacar a sua ira, para salvar os seus eleitos. Como podemos ver na crucificação de Jesus, o amor e a ira de Deus estão perfeitamente associados. Por seu amor, Deus ofereceu o Filho como propiciação pelos nossos pecados (Rm 3.25; Hb 2.17; 1Jo 2.2). Por sua ira, o Filho foi crucificado como maldito em nosso lugar, por causa dos nossos pecados, para satisfazer a santa justiça de Deus. Percebem, irmãos, o outro lado da moeda que só nos mostra o amor de Deus? O outro lado é a sua terrível ira, não menos santa do que o seu amor.

Embora tenhamos dificuldade de entender a relação que existe entre os atributos de Deus, nenhum deles diminui, muito menos exclui os outros. Pelo contrário todos os atributos de Deus se manifestam de forma harmoniosa. Senão, como poderia um Deus santo e justo deixar de manifestar a sua ira contra o pecado e contra o pecador? Ou, visto por outro ângulo, como poderia Deus manifestar amor pelos seus filhos eleitos se não punisse o pecador com severidade? Que diferença haveria entre uns e outros?

É isso que Paulo ensina no versículo que lemos no início. Precisamos considerar a bondade e a severidade de Deus: bondade para os seus filhos, severidade para os pecadores impenitentes. Ah! Irmãos, o tal evangelho social tem desgraçado as igrejas ditas evangélicas, porque solapa a capacidade de discernimento das pessoas. A tônica é fazê-las sentirem-se bem na igreja, como num clube social, ao invés de lhes mostrar pela pregação da palavra com integridade, e pela presença perscrutadora do Espírito Santo, o quanto elas precisam arrepender-se dos seus pecados a cada dia, e confiar no Senhor Jesus Cristo, aquele que foi sacrificado, exatamente por causa da ira de Deus contra os nossos pecados.

Precisamos conhecer mais acerca da ira de Deus. Ela é necessária, porque manifesta a santidade e a justiça de Deus. Por ser justa, a ira de Deu é terrível, já que ninguém conseguirá se livrar do seu furor. Embora a maioria dos ditos crentes não saiba, é nesse sentido que ele diz através do profeta Isaías: Nenhum há que possa livrar alguém das minhas mãos: agindo eu, quem o impedirá? (Is 43.13). Quem conseguiu livrar Israel quando Deus decidiu pesar a mão sobre o povo rebelde? Quem conseguiu livrar os inimigos de Israel quando Deus decidiu destruí-los?

Precisamos conhecer mais acerca da ira de Deus. Ela é necessária até mesmo para a manifestação da glória de Deus. Como está escrito, por exemplo, foi para a sua glória que ele destruiu Faraó. Como está escrito, e os egípcios saberão que eu sou o Senhor, quando for glorificado em Faraó, nos seus carros e nos seus cavalarianos (Êx 14.18). Ou seja, foi para a sua glória que Deus manifestou a sua ira sobre os egípcios e sobre todos os inimigos de Israel.

Finalmente, no terrível dia do Senhor, como lemos no o Apocalipse, a ira de Deus manifestará cabalmente a sua glória. Naquele dia todos os ímpios conhecerão a terrível ira de Deus: Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos, e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes, e disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono, e da ira do Cordeiro (Ap 6.15-16).

Naquele terrível e glorioso dia, quando for completada a condenação dos ímpios, e a redenção dos justos for consumada, o Senhor Jesus será glorificado e exaltado, na forma como Deus, desde a eternidade, o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai (Fp 2.10-11). Naquele dia todos haverão de constatar a bondade e a severidade de Deus, e todos haverão de glorificar o seu nome. Louvado seja Deus pela sua ira santa; louvado seja Deus pela sua justiça santa; louvado seja Deus pelo seu amor.

Prestem atenção, irmãos! Quando aprendemos sobre a ira de Deus, ela nos infunde temor e tremor, para que saibamos nos portar diante de um Deus soberano, santo, justo e glorioso. Quando aprendemos sobre a ira de Deus, ela nos infunde o mesmo ódio que Deus sente pelo pecado, a miséria humana que levou o nosso Senhor à cruz. Quando aprendemos sobre a ira de Deus, ela desperta em nossos corações um louvor sincero em gratidão por ele ter-nos livrado da sua terrível ira, dispensando-nos a graça da salvação eterna, em Cristo Jesus, aquele que recebeu a ira de Deus em nosso lugar.

Enfim, quando aprendemos sobre a ira de Deus, não podemos deixar de considerar a sua bondade e o seu amor por nós. É dessas coisas que precisamos relembrar todas as vezes que participamos da Santa Ceia do Senhor.

Que Deus nos abençoe com a compreensão da sua palavra, que nos ensina sobre o seu amor, mas também nos ensina sobre a sua terrível ira, a fim de que aprendamos a glorificar o nome do Senhor Jesus, o Salvador e Juiz de toda terra, para glória de Deus Pai. Amém.